A atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro foi a principal razão para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decretasse sua prisão domiciliar. Na decisão publicada nesta segunda-feira, o ministro elencou uma série de publicações nas redes sociais que, segundo Moraes, corroboram uma atuação coordenada dos filhos de Bolsonaro para descumprir sua decisão que proibia o ex-presidente de usar redes sociais.
“Os apoiadores politicos de Jair Messias Bolsonaro e seus filhos, deliberadamente, utilizaram as falas e a participação – ainda que por telefone e pelas redes sociais -, do réu para a propagacao de ataques e impulsionamento dos manifestantes com a nitida intenção de pressionar e coagir esta Corte Suprema”, afirmou Moraes.
Na decisão que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, foram incluídos prints de publicações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do vereador do Rio, Carlos Bolsonaro.
A principal delas foi uma publicação feita pelo senador, que publicou mais cedo um vídeo em que Bolsonaro gravava uma declaração que foi veiculada na manifestação realizada no domingo na Praia de Copacabana. Horas depois, Flávio apagou o post das suas redes sociais. Na gravação, Bolsonaro é visto sentado, com a tornozeleira eletrônica visível, enviando uma mensagem por telefone aos manifestantes reunidos em Copacabana.
“Boa tarde Copacabana, boa tarde meu Brasil, um abraço a todos. É pela nossa liberdade, estamos juntos. Obrigado a todos, é pela nossa liberdade, pelo nosso futuro, pelo nosso Brasil. Sempre estaremos juntos! Valeu!”, disse Bolsonaro.
Além dessa publicação, Moraes ainda destacou outro vídeo compartilhado por Flávio e ainda presente nas suas redes sociais, em que o senador está discursando na manifestação. O vídeo tem a legenda “Obrigado, Estados Unidos, por ajudar a resgatar a nossa democracia”.
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Outro filho do ex-presidente, o vereador Carlos Bolsonaro também foi incluído na decisão por outra publicação. No seu caso, Moraes citou que Carlos pediu para que os seus seguidores seguissem a conta de Jair Bolsonaro, mesmo tendo conhecimento da restrição imposta ao ex-presidente que o proíbe de utilizar redes sociais.
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As mensagens publicadas nos últimos dois dias se somam a uma série de publicações feitas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vem atuando junto ao governo americano pela imposição de tarifas ao Brasil e de sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Assim como o ex-presidente, Eduardo Bolsonaro também participou de forma remota das manifestações realizadas no domingo e, por meio de uma ligação, fez uma declaração aos bolsonaristas. Eduardo publicou em suas redes sociais um vídeo da chamada de vídeo.
As publicações de Eduardo Bolsonaro já tinham sido a base para a decretação, também por Alexandre de Moraes, de medidas cautelares contra o ex-presidente, como a obrigação de uso de uma tornozeleira eletrônica.
Em uma delas, de fevereiro deste ano, o deputado federal acusava o ministro de invadir a jurisdição dos Estados Unidos ao impor medidas contra empresas americanas. Em outra publicação, de abril deste ano, Eduardo dizia que sanções contra Moraes eram “a única esperança” de se resgatar a liberdade no Brasil.
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A atuação de Eduardo nos Estados Unidos, afirmou Moraes na decisão do dia 18 de julho, levaram à decretação, pelo presidente do país, Donald Trump, de um aumento de tarifas à importação de produtos brasileiros a 50%, comemorado tanto por Eduardo quanto por Jair Bolsonaro em suas redes sociais.
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