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Venezuelanos deportados dos EUA relatam tortura em prisão de Bukele

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julho 28, 2025
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Membros da organização criminosa Tren de Aragua chegam ao Centro de Confinamento ao Terrorismo — Foto: Presidência de El Salvador / AFP

O venezuelano Mervin Yamarte, de 29 anos, acreditava que nos Estados Unidos realizaria o sonho de oferecer à família um futuro melhor. Em vez disso, acabou em uma infame prisão de El Salvador, vítima de espancamentos e abusos constantes. Ele e outros 251 migrantes da Venezuela foram acusados sem provas de pertencer à quadrilha Trem de Arágua e deportados sem julgamentos do território americano para o salvadorenho em 15 de março.

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Cinco migrantes ouvidos pela AFP após o retorno à Venezuela, em 18 de julho, relataram espancamentos constantes, comida estragada e celas de castigo minúsculas, quase sem ventilação, onde alguns chegavam a desmaiar. Eles nunca viram a luz do sol, disse Marvin, relembrando que os carcereiros diziam que os detidos morreriam no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), o megacárcere construído pelo presidente Nayib Bukele para abrigar membros de gangues.

— Era totalmente uma tortura o que estávamos recebendo. Tenho muitas marcas no corpo— afirmou ele, explicando que saiu da Venezuela em setembro de 2023 com o irmão mais novo, Jonferson, porque ambos queriam juntar dinheiro nos EUA para enviar à família.

A longa travessia incluiu a perigosa selva do Darién, entre Colômbia e Panamá, conhecida por animais selvagens e quadrilhas armadas, e que já custou a vida de inúmeros migrantes. No Texas, Mervin conseguiu emprego em uma loja de tortilhas e como operário da construção civil. Mas foi preso em Dallas em 13 de março e, dois dias depois, enviado a El Salvador com base em uma lei de 1798 que permite deportar “inimigos estrangeiros” — até então usada apenas em tempos de guerra.

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O calvário dos 252 venezuelanos no Cecot tornou-se o caso mais emblemático do “maior programa de deportação da história dos EUA”, anunciado pelo presidente Donald Trump ao reassumir o cargo em janeiro. Desde então, milhares de migrantes foram presos. Alguns deportados, como Mervin. Outros, com medo, decidiram voltar voluntariamente, como Jonferson. E outros seguem escondidos.

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  • ‘Bem-vindos ao inferno’
      • Venezuelanos deportados dos EUA relatam tortura em prisão de Bukele

‘Bem-vindos ao inferno’

“Bem-vindos ao inferno”. Foi assim que o diretor da prisão os recebeu, lembrou Mervin. Bukele, o presidente salvadorenho aliado próximo de Trump, disse que os EUA pagaram US$ 6 milhões (R$ 33 milhões) para encarcerar os homens no Cecot. Ao chegarem, acorrentados, foram raspados e receberam roupas brancas. Mervin contou que deixaram apenas um pequeno tufo de cabelo na nuca “para poderem puxar”.

— E aí começaram os golpes, 24 horas por dia — disse Maikel Olivera, outro venezuelano que voltou a Barquisimeto, afirmando que, durante quatro meses, os detentos não tiveram acesso à televisão, jornal, internet, telefonemas, advogados ou visitas. — Eles diziam: ‘Vocês vão apodrecer aqui, vão passar 300 anos presos’.

Membros da organização criminosa Tren de Aragua chegam ao Centro de Confinamento ao Terrorismo — Foto: Presidência de El Salvador / AFP

Dois motins estouraram após espancamentos violentos. Andy Perozo, de 30 anos, mostrou as marcas das balas de borracha que ainda estão espalhadas pelo seu corpo ao definir o cenário como “um inferno”. Ele disse apanhar a cada vez que ia ao médico, enquanto Edwuar Hernández, outro deportado, afirmou que os carcerários jogavam balas de borracha e gás lacrimogêneo nas celas. Segundo Mervin, eles dormiam em camas de metal e só podiam tomar banho às 4h da manhã.

— A comida cheirava podre. Era feijão, arroz, pasta e tortilhas todos os dias. Não dava para ficar descalço, os fungos cobriam os pés.

A prisão de Mervin foi arbitrária. Agentes de imigração buscavam outro venezuelano no apartamento em Dallas quando viram suas tatuagens — escritos de “Forte como mamá”, o nome do avô e a imagem de uas mãos entrelaçadas — e o levaram algemado. Juan Pappier, da ONG Human Rights Watch (HRW), falou em “desaparecimentos forçados” e disse que “todos caíram em um ‘buraco negro’ jurídico, sem proteção legal”.

O governo Trump, por sua vez, alegou que as tatuagens ligavam os deportados ao Trem de Arágua, gangue criada em 2014 na prisão de Tocorón. Mas especialistas dizem que o grupo não usa tatuagens como marca. Segundo autoridades venezuelanas, a maioria dos deportados não tinha antecedentes criminais.

Após meses de negociação, Caracas conseguiu um acordo: a troca dos 252 venezuelanos por 10 americanos detidos na Venezuela. O procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, afirmou que os ex-detidos denunciaram abusos como espancamentos, violência sexual, negação de atendimento médico, aplicação de tratamentos sem anestesia e fornecimento de alimentos e água contaminados. Ele anunciou uma investigação contra Bukele por tortura e maus-tratos.

Como resposta, Bukele criticou o governo de Nicolás Maduro, afirmando no X que o regime chavista aceitou o acordo porque ficou satisfeito com ele: “Agora gritam indignação, não porque discordem do pacto, mas porque perceberam que ficaram sem reféns do país mais poderoso do mundo”, escreveu o salvadorenho na segunda-feira.

Ao desembarcar na Venezuela, nos arredores de Caracas, alguns dos ex-detidos se reuniram com familiares. Ainda assim, não retornaram para suas casas. Segundo o governo, eles passarão por avaliações médicas e entrevistas antes de serem liberados. Caracas afirma que as detenções foram ilegais e que apenas sete dos deportados têm antecedentes criminais relevantes, publicou a agência Reuters.

No reencontro com a família, Mervin queimou as roupas da prisão. Minutos após chegar em casa, em Maracaibo, a quase dez horas de carro a oeste de Caracas, ele abraçou a esposa e a filha de 6 anos. Em seguida, ateou fogo no largo short branco que usou durante seus quatro meses de “inferno”. O irmão Jonferson cortou seu cabelo enquanto ouviam música cristã. A mãe, Mercedes, preparou bisteca, purê e tostones.

— Já passou o sofrimento. Já saímos do inferno — disse Mervin.

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