A cassação do mandato do vereador paulistano Rubinho Nunes (União Brasil) por divulgar um laudo falso de uso de drogas contra o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), publicado originalmente as contas do empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB), pode ampliar a bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo. Pela recontagem, seguindo as atuais regras eleitorais, a vaga acabaria com Manoel Del Rio, ex-vereador petista que não conseguiu se reeleger no ano passado.
Em sentença proferida no dia 30 de maio, o juiz eleitoral Antonio Maria Patiño Zarz condenou Rubinho, em primeira instância, à perda do mandato e a oito anos de inelegibilidade por uso indevido dos meios de comunicação ao republicar a mentira nas suas redes sociais, onde conta com 426 mil seguidores. O parlamentar pode recorrer da decisão enquanto permanece no cargo. Seus advogados argumentam, nos autos, que o conteúdo ficou apenas 26 minutos no ar e não teve impacto relevante no pleito.
Apesar de uma recontagem não ter sido realizada oficialmente pela Justiça Eleitoral, o GLOBO simulou como ficaria a distribuição das vagas ao serem declarados nulos os 101.549 votos de Rubinho Nunes, o sexto parlamentar mais votado na capital paulista em 2024. Esse cálculo afeta todos os partidos, uma vez que muda o quociente eleitoral (número que estabelece o direito a um partido garantir uma cadeira) e o resultado da chapa do União Brasil, que elegeu sete vereadores ao todo.
O União passa a ter cinco cadeiras garantidas, e não mais seis, mas conseguiu manter uma de “sobra”, ou seja, aquelas vagas que são distribuídas entre os partidos que proporcionalmente chegaram mais perto de atingir o quociente. Desse modo, o vereador Adrilles Jorge, o menos votado entre os eleitos da sigla, continuaria no cargo mesmo com a saída de Rubinho. O partido, porém, ficaria atrás da Federação PT/PCdoB/PV pela preferência da última cadeira.
Questionada sobre as contas, a Justiça Eleitoral afirmou apenas que “não se manifesta sobre casos em andamento”.
Manoel Del Rio é o primeiro suplente da federação liderada pelo PT e assumiria o posto. O político atua desde a década de 1980 em movimentos sociais por moradia e exerceu o cargo de vereador, por duas vezes, como suplente. Nas eleições de 2024, teve 30.292 votos.
A bancada diminuta do União Brasil ainda traz questionamentos sobre o futuro da presidência da Casa, atualmente exercida pelo vereador Ricardo Teixeira. Enquanto conta com sete parlamentares, o partido iguala MDB e PL, outras duas siglas governistas. Mesmo com a perda de tamanho, contudo, pesa a favor o acordo costurado nas eleições entre o ex-líder da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), agora aposentado de cargos eletivos, e o prefeito reeleito, Ricardo Nunes (MDB).
O episódio do laudo falso também traz dores de cabeça jurídicas a Pablo Marçal. No dia 29 de maio, o Ministério Público Eleitoral denunciou o empresário por difamação contra Boulos. Caso seja condenado, ele corre o risco de ser impedido de disputar eleições até 2032 em mais um processo. Marçal já foi condenado duas vezes à inelegibilidade em primeira instância, uma por oferecer vídeos a candidatos em troca de pix de R$ 5 mil para a campanha e outra pelos “campeonatos de cortes.
O ex-coach passou a campanha inteira acusando, sem provas, o adversário do PSOL à prefeitura de fazer uso de cocaína e, na véspera do primeiro turno, publicou nas suas contas um receituário médico forjado que levava o nome de uma clínica em São Paulo. Perícias constataram que a assinatura no documento, atribuída a um médico que veio a falecer depois da data informada, era falsa. Marçal alega que não sabia da informação.
