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outubro 24, 2026
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Vini Jr. de hoje perdeu uma característica marcante de outros tempos no Real Madrid: a vontade de tentar

Por · outubro 23, 2026
Vini Jr. de hoje perdeu uma característica marcante de outros tempos no Real Madrid: a vontade de tentar


Na quarta-feira, o Santiago Bernabéu assistiu a um reencontro que ninguém desejava. Vini Jr. voltou ao estádio após a expulsão diante do Villarreal, quando puxou o cabelo de um adversário, gesto impulsivo que lhe custou quatro jogos de suspensão no Campeonato Espanhol. A expectativa na Champions League contra o Leipzig era de um retorno cheio de vontade, de revolta e indignação, as marcas que sempre o definiram. O que se viu foi outra coisa: vaias, uma atuação sem brilho e uma substituição que ninguém pareceu lamentar.
Enquanto isso, o Real Madrid cumpria mais uma obrigação de rotina, com Mbappé marcando e o jovem Diomandé, que entrou no segundo tempo no lugar do brasileiro, fazendo um golaço com um toque de elegância, e que cresce na mesma proporção em que Vini desaparece. Ao ser substituído, ele saiu cabisbaixo, resignado.
Vini não é estranho a crises no Real. Mas dessa vez parece diferente. Perdeu uma característica marcante de outros tempos: a vontade de tentar. Deu algumas arrancadas e dois chutes de longe que levaram perigo, mas nada que fizesse levantar o estádio.
Já são dois jogos consecutivos sem uma tentativa de drible sequer. Nenhuma falta reclamada, nenhum protesto ao árbitro. Ficou em campo como se não estivesse lá, até ser substituído mais uma vez. Uma daquelas partidas em que o narrador esquece de pronunciar o nome de um jogador sem sequer perceber.
De lugares assim nunca é fácil regressar. Olhando para trás, é quase impossível apontar a data exata em que a queda começou. Talvez tenha sido no último ano sob comando de Carlo Ancelotti, quando ainda o víamos disparar pela ponta esquerda, mas sem a química com o recém-chegado Mbappé, algo que Diomandé parece ter de cara. Depois veio o confronto com Xabi Alonso, que o colocou na boca do canhão. Naquele momento, pareceu romper-se o último fio que o ligava a uma parte da torcida, justamente a que ainda guardava as lembranças das finais europeias. Essas imagens ficam cada vez mais distantes, e o futebol vive do presente.
Vinicius Junior é substituído por Diomandé em Real Madrid x Leipzig, pela Liga dos Campeões
OSCAR DEL POZO / AFP
Nos últimos meses, muita coisa aconteceu. Uma boa Copa do Mundo individualmente, mas que terminou em frustração, em uma das piores campanhas da história do Brasil no torneio. Um relacionamento midiático conturbado, que pode ter desviado seu foco da carreira e do comprometimento que a vida de atleta exige. Uma longa negociação de contrato e um flerte com o Arsenal que esgotaram a paciência de parte da torcida. Tudo isso parece ter tirado o sorriso de um jogador de quem se pedia que “bailasse”. Agora, a expectativa mínima da torcida é vê-lo, ao menos, acordar desse estado letárgico, dessa hibernação.
Vini nunca foi de se esconder. Enfrentou haters e memes, especialistas que apostavam que jamais seria titular do Real, treinadores que duvidavam dele, a desconfiança de colegas, arquibancadas racistas e rivais violentos e desleais. Venceu todas essas batalhas. Por isso, assusta menos a crise em si do que a ausência de reação.
Não se trata de cobrar gols ou títulos a qualquer custo. Trata-se de reconhecer que um jogador que deixa de disputar cada lance também perde a razão de estar ali. O clube renovou seu contrato até 2032, por uma fortuna. Para que a aposta compense, o caminho passa por reencontrar o jogador mais especial desse elenco, aquele que se recusava a aceitar menos do que tudo.
Ainda há tempo. Basta uma atuação de gala em um jogo importante para que a torcida esqueça o momento ruim. Mas o espaço não espera. Diomandé ganha minutos e confiança a cada partida e vai justificando os 140 milhões de euros que o clube desembolsou. No domingo, o Real enfrenta o Barcelona, líder do campeonato e grande rival, em um clássico que Vini não poderá disputar por estar suspenso. O resultado pode condicionar muito o futuro imediato da equipe e fazer do brasileiro apenas mais um em um clube onde, até pouco tempo atrás, ele era o rei.

Vini Jr. de hoje perdeu uma característica marcante de outros tempos no Real Madrid: a vontade de tentar