Moradores da Península marcaram para esta sexta-feira uma passeata contra o que percebem ser uma escalada da violência na região. O ato está marcado para as 11h, com concentração no Green Park. A iniciativa foi levada à frente após um novo caso de assalto dentro do loteamento de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio — onde moram o governador do estado, Cláudio Castro, e o ex-prefeito Marcelo Crivella.
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Uma mulher foi atacada por dois criminosos em uma moto enquanto caminhava com o marido na Rua das Jacarandás, nas proximidades do condomínio Saint Barth no começo da noite desta quarta-feira. Ela jogou o celular longe quando percebeu que seria roubada, mas acabou empurrada por um dos suspeitos, que pegou o aparelho e fugiu. A Polícia Militar foi acionada. Pelas redes sociais, o grupo Mães da Península e outros moradores criticam o valor elevado pago em taxas de condomínio e a falta de segurança e controle nas portarias.
Definida pelo Instituto Pereira Passos (IPP) como um condomínio, a Península, na verdade, agrega 33 deles e concentra uma população de quase 25 mil habitantes. Os moradores, de classes alta e média-alta, acostumaram-se a descrever o lugar como um sub-bairro da Barra, algo que, oficialmente, não existe para o município. A Península ainda guarda características de um típico condomínio da Zona Oeste, com calçadas pouco movimentadas e muitos carros. O acesso de veículos é controlado, e um fretado circular complementa o sistema de mobilidade por lá.
A Península traz no nome criado pelo mercado imobiliário a ideia de uma ilha dentro da Barra. O loteamento foi lançado em 2002 pela Carvalho Hosken e hoje conta com 5300 unidades residenciais e comerciais e 33 condomínios, sendo 65 torres.
De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-Rio), o valor médio do metro quadrado de venda residencial por lá é de R$ 14.781. O preço de junho de 2025 se valorizou em 16,4% desde janeiro de 2023 e supera o de outros famosos locais da Zona Oeste carioca, como o Jardim Oceânico (R$ 13.086/m²) e a porção no Recreio da Avenida Lúcio Costa (R$ 12.560/m²). Supera também o valor médio de venda residencial na Barra, de R$ 14.195/m², segundo a Secovi.
O “bairro planejado” da Barra fica numa área de 780 mil m² e tem edificados apenas 10% do terreno total. Quase 470 mil m² oferecem trilhas e paisagismo, com Lagoa e mangue. Outros 100 mil m² são distribuídos em parques com instalações esportivas, áreas de apoio, espaços para dogs e playground.
Os relatos de violência não são de hoje. Em novembro, um morador de um dos condomínios relatou em um grupo de WhatsApp do prédio que seu apartamento foi atingido por uma bala perdida. Ele compartilhou mensagens acompanhadas de fotos para alertar os vizinhos — entre eles, o governador Cláudio Castro. No mês anterior, o GLOBO noticiou que moradores do condomínio chegaram a criar um abaixo-assinado virtual que exigia policiamento ao redor do local.
Nos três primeiros dias, a petição ultrapassou 800 assinaturas. Foram relatados na ocasião uma situação de “insegurança diária, com assaltos acontecendo frequentemente após o anoitecer”, e um “estado constante de medo” no exclusivo polo de residências.
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Além de Castro e Crivella, o local já atraiu outros funcionários públicos, empresários e até personalidades da música, como Anitta e Valeska Popozuda.
Uma localização excepcional para quem quer viver perto de tudo, com a conveniência de shoppings, como o Península Open Mall, Barra Shopping e Village Mall, Corporate Executive Offices CEO, paróquia, supermercados, escolas, hospitais, Senior Living do Grupo Orpea Clinea e do melhor no Rio de Janeiro”, diz a Carvalho Hosken, que cita a segurança 24 horas em seu site.
Em plataformas intermediárias, é possível encontrar imóveis para alugar na área do Península por valores que vão de R$ 6,6 mil (80 m²) a R$ 25 mil mensais (550 m²), fora as contas e taxas adicionais. Para a venda, há apartamentos de menos de 80 m² com valores próximos a R$ 1 milhão, mas também outros maiores, negociados a R$ 9 milhões (quase 600 m²).
Pela internet, há imóveis à venda com valor de condomínio que chega a R$ 8.500 e outros tantos com essa taxa mensal de R$ 5 mil.
Em outubro do ano passado, foi anunciado um novo empreendimento para ocupar o último terreno livre da orla do Península 1. Dessa vez, o conceito escolhido foi o de casas e coberturas “suspensas”. O termo é utilizado para edifícios de poucos andares em que há varandas e terraços espaçosos, como prevê o residencial Insigna. O valor médio das unidades é de R$ 5,5 milhões.
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O empreendimento foi anunciado com destaque para a localização: no bairro “mais moderno, seguro e desejado do Rio de Janeiro”.
Ao todo serão três prédios com três andares e 13 unidades cada um. A construção será feita em um terreno de 10.700 metros quadrados. No primeiro nível, fica a casa térrea com quintal, no segundo andar, a casa suspensa com varanda e, no terceiro, a cobertura suspensa com terraço e piscina privativa. As unidades do térreo também poderão ter piscina privativa, quintal e acesso à rua.
O projeto é da construtora Carvalho Hosken, que desenvolveu o Península, e a Azo Inc., a mesma que comprou da prefeitura e vai reformar, convertendo em moradias, o Edifício A Noite, na Praça Mauá. A previsão de entrega é a partir de junho de 2027.