Quem acompanha Virginia Fonseca nas redes sociais já está acostumado a encontrá-la nos Stories logo nas primeiras horas do dia. O hábito da influenciadora também faz parte da rotina de muita gente: abrir os olhos, pegar o celular e conferir o que aconteceu enquanto dormia.
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Pode ser uma mensagem, uma notificação, uma notícia ou alguns minutos rolando o feed ainda na cama. Embora pareça um gesto automático e inofensivo, essa primeira dose de informação pode influenciar a maneira como a manhã começa, especialmente quando o aparelho passa a ocupar o espaço que antes era dedicado a acordar com mais calma, tomar café ou simplesmente organizar os pensamentos.
O psiquiatra Tales Vilela explica que o ponto não está em consultar o celular pela manhã, mas no tipo de estímulo recebido logo ao despertar.
“Quando a pessoa acorda e imediatamente entra em contato com mensagens, cobranças, notícias e redes sociais, ela começa o dia respondendo a estímulos externos. Uma mensagem de trabalho pode trazer uma preocupação antes da hora, enquanto uma postagem pode provocar comparação. Antes de pensar no próprio dia, ela já está reagindo ao que aconteceu na tela”, explica.
Por que cinco minutos podem virar muito mais?
Existe ainda uma questão relacionada à atenção. O hábito de conferir rapidamente uma notificação pode levar a outra mensagem, depois a um vídeo e, quando a pessoa percebe, já passou bem mais tempo do que imaginava.
Para a neuropsicóloga Roberta Machado, essa sucessão de conteúdos coloca a atenção em constante mudança.
“Quando começamos o dia alternando rapidamente entre diferentes conteúdos, colocamos a atenção em um ambiente de muitas mudanças. Para algumas pessoas, isso pode tornar mais difícil sair desse estado de dispersão e depois se concentrar em uma atividade que exige atenção contínua”, pontua.
Não significa que olhar o celular ao acordar vá necessariamente prejudicar a concentração. A relação com o aparelho, a quantidade de tempo gasto e o conteúdo consumido fazem diferença. Para algumas pessoas, conferir uma mensagem importante ou a agenda do dia pode ser apenas parte da rotina.
A questão aparece quando o gesto deixa de ser uma escolha e passa a acontecer quase automaticamente.
E quando a tela entra na rotina das crianças?
Entre crianças e adolescentes, o impacto pode aparecer de outra maneira. A tela pode disputar espaço com atividades que normalmente fazem parte da preparação para o dia, como tomar café, se arrumar, conversar com a família e se preparar para a escola.
A diretora escolar e neuropsicopedagoga Gabriela Mazaro chama atenção justamente para essa organização da manhã.
“O café é feito olhando para a tela, a preparação para a escola fica mais dispersa e até a conversa com a família perde espaço. Não precisamos demonizar a tecnologia, mas ensinar que ela não precisa ocupar todos os momentos disponíveis”, afirma.
Nesse caso, mais do que estabelecer uma proibição, o objetivo é ajudar a criança a perceber que existem momentos diferentes ao longo do dia e que nem todos precisam ser preenchidos por estímulos digitais.
Acordar e pegar o celular faz mal? O hábito de Virginia Fonseca ajuda a entender
Reprodução Instagram
É preciso ficar uma hora sem celular depois de acordar?
Não existe uma regra universal que determine quanto tempo alguém deve esperar antes de olhar o celular. Para Tales, mais importante do que estabelecer um prazo é observar a relação que cada pessoa mantém com a tecnologia.
“Quando existe ansiedade diante da impossibilidade de checar o celular ou uma necessidade automática de saber o que aconteceu enquanto dormia, vale observar essa relação. O objetivo não é transformar a desconexão em mais uma obrigação, mas recuperar a capacidade de escolher quando queremos estar disponíveis”, observa.
Uma alternativa é experimentar diferentes maneiras de começar o dia e perceber como cada uma interfere na rotina. Deixar o aparelho de lado até depois do café pode funcionar para quem sente que as notificações já começam a ditar o ritmo da manhã. Em outros casos, conferir a agenda ou uma mensagem importante logo cedo não representa um problema.
A ideia, portanto, não é transformar o celular em vilão nem seguir uma regra rígida. Adiar por alguns minutos o primeiro contato com o feed pode ser suficiente para deixar a manhã começar antes de todas as informações da tela.
Virginia Fonseca acorda e já pega o celular: como esse hábito pode afetar o começo do dia?
