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setembro 23, 2026
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Viver até os 100: o que podemos fazer hoje para envelhecer melhor

Por · setembro 23, 2026
Viver até os 100: o que podemos fazer hoje para envelhecer melhor


Chegar aos 100 anos já não é tão raro no Japão. Em 2026, o país atingiu um novo recorde: 107.677 pessoas com 100 anos ou mais, segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar japonês. São 7.914 centenários a mais do que no ano anterior e, pela primeira vez, o número passou dos 100 mil.
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As mulheres são maioria absoluta entre eles: 94.298, cerca de 88% do total. O crescimento acontece pelo 56º ano consecutivo e chama atenção para uma questão que vai muito além da idade no documento: o que ajuda uma pessoa a chegar tão longe na vida e, principalmente, como chegar lá com disposição, autonomia e qualidade de vida?
Não existe uma receita para viver 100 anos. Mas alguns cuidados construídos ao longo da vida podem fazer diferença na maneira como envelhecemos. E eles não começam necessariamente na velhice. Sono, alimentação, movimento, relações sociais e até a disposição para aprender coisas novas entram nessa conta.
Para a gerontóloga Thais Bento Lima da Silva, pesquisadora da USP, envelhecer bem é resultado de uma construção que começa muito antes dos cabelos brancos.
“Cuidar da saúde cerebral precisa fazer parte das prioridades de saúde para uma longevidade saudável. Não se trata de buscar uma fórmula mágica para evitar o envelhecimento cerebral, mas de pensar no que podemos fazer hoje, dentro das nossas possibilidades, para construir um envelhecimento com mais saúde, autonomia e participação”, diz.
O cérebro também precisa de novidades
Quando pensamos em envelhecimento, é comum falar sobre alimentação e atividade física. Mas existe outro hábito que merece espaço nessa conversa: continuar usando o cérebro de maneiras diferentes.
Ler um livro, aprender uma língua, experimentar uma receita nova, viajar, conversar, conhecer pessoas, mexer em uma tecnologia que ainda não domina ou simplesmente aprender algo que sempre despertou curiosidade são formas de sair do automático.
Não é preciso transformar a rotina em uma maratona de exercícios para a memória. O mais importante é continuar tendo desafios, interesses e trocas.
“Estimular a cognição não significa apenas realizar jogos de memória ou palavras cruzadas. Aprender algo novo, ler, utilizar novas tecnologias, participar de atividades culturais, conversar, ensinar, planejar tarefas e resolver situações do cotidiano são formas de mobilizar diferentes habilidades cognitivas”, diz Thais.
O que faz bem para o coração também conta
Cérebro e corpo não envelhecem em mundos separados. Cuidados que fazem bem ao coração também ajudam a criar condições melhores para preservar a saúde cerebral ao longo dos anos.
Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, cigarro e sedentarismo estão entre os fatores que merecem atenção. Uma comissão da revista científica The Lancet, em 2024, também apontou aspectos como isolamento social, perda auditiva e problemas de visão sem tratamento entre os fatores relacionados ao risco de demência.
Isso não significa que exista uma lista de hábitos capaz de garantir uma velhice sem problemas de saúde. A ideia é outra: quanto mais cedo determinados cuidados entram na rotina, mais tempo existe para construir uma relação de atenção com o próprio corpo.
“Em vez de procurar uma única atividade capaz de proteger o cérebro, precisamos pensar em diferentes dimensões da saúde. Manter-se fisicamente ativo, acompanhar pressão arterial, glicemia e colesterol, não fumar, ter uma alimentação adequada, continuar aprendendo e preservar vínculos sociais são cuidados que podem fazer parte dessa trajetória”, afirma Thais.
Mais importante do que chegar aos 100
O recorde japonês também traz uma reflexão que vale para qualquer idade. Afinal, viver mais é necessariamente viver melhor?
A resposta passa por algo menos glamouroso do que uma fórmula secreta da longevidade: cuidar de si de forma consistente. Não há comportamento capaz de garantir que alguém chegará aos 100 anos, mas existem escolhas que podem ajudar a preservar independência e bem-estar por mais tempo.
E isso inclui manter uma vida que faça sentido. Ter amigos por perto, continuar aprendendo, movimentar o corpo, cuidar da saúde e encontrar motivos para sair da rotina também fazem parte de envelhecer.
Para Thais, esperar a velhice para começar a pensar nisso é justamente o que deve ser evitado. “Cuidar da saúde do cérebro não começa na velhice. É um cuidado que pode ser construído desde as fases iniciais do ciclo de vida”, conclui.

Viver até os 100: o que podemos fazer hoje para envelhecer melhor