No século XXI, a velocidade das mudanças impressiona, bem como as oportunidades que elas trazem. Dessa forma, conectar os jovens às novas tecnologias tornou-se urgente, com impacto direto no futuro de uma geração que cresceu em meio a essa acelerada dinâmica, sem tempo a perder. Em sua terceira edição, realizada de segunda-feira, dia 17 de novembro, a quarta-feira, 19, no ExpoRio, na Cidade Nova, o Senac Rio Summit reuniu mais de 20 espaços para experiências variadas, da área de serviços e saúde à indústria criativa, além de palestras de gente disposta a transmitir seus conhecimentos e exemplos inspiradores.
Uma porta aberta para o destino de crianças e adolescentes alunos da rede pública em busca de um rumo profissional. “A troca de conhecimentos e experiências oferecida aos jovens visa contribuir para ampliar as oportunidades de empregabilidade, empreendedorismo e geração de renda desse público”, afirma o presidente do Sistema Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.
As transformações sequenciais pelas quais passamos criam novos recursos e ofícios, modificam valências no mercado de trabalho e desafiam o sistema educacional. Uma qualificação adequada, com o olhar voltado para o alvo certo, tem o potencial de ser o agente da transformação. Em tempos de inteligência artificial, democratizar o acesso a esse recurso é fundamental, e incluir torna-se palavra-chave nessa equação.
Atualizar o conhecimento e ter domínio da IA são pontos essenciais para quem está na linha de largada da vida profissional; mas fique atento às armadilhas
Em um mundo em veloz transformação, onde novas tecnologias transformam o trabalho, criando novas profissões e extinguindo outras, estar atualizado com os recursos é prerrogativa para obter emprego ou farejar oportunidades de empreender. Com um público formado majoritariamente por estudantes dos dois últimos anos do ensino fundamental e do ensino médio em escolas públicas — jovens iniciando ou prestes a iniciar a jornada profissional —, a edição deste ano do Senac Rio Summit ofereceu 22 experiências imersivas em diversas áreas do conhecimento.
Para muitos jovens, participar das atividades representou não só um primeiro contato com dispositivos e soluções inovadoras, mas também a chance de expandir horizontes e dar o primeiro passo para transformar realidades marcadas pela vulnerabilidade.
Além das experiências práticas, em paralelo a agenda contemplou uma série de palestras com especialistas que transmitiram seus conhecimentos e suas vivências profissionais, de grande valia para que jovens ampliem suas fontes mirando decisões futuras. Assunto dominante, haja vista seu impacto geral, a inteligência artificial (IA) foi onipresente em palestras e estandes e será tema de um curso gratuito no Senac RJ a partir de dezembro.
— A IA está em tudo do dia a dia, no preço dinâmico do Uber, nos vídeos que vemos no TikTok, está por toda parte da nossa vida ainda que não a vemos, como a eletricidade — diz Cristina Bicharra Garcia, professora de informática aplicada da Uni-Rio.
Defensor da ideia de que a tecnologia é capaz de gerar conexão e conquistar o interesse de uma parcela cada vez maior de pessoas, Tony Ventura, pesquisador de novas tecnologias, incentivou os jovens a conhecer as ferramentas de inteligência artificial e realidade virtual, e utilizá-las em apresentações profissionais.
— É um quebra-gelo que pode ser usado para aumentar o networking e converter clientes — afirma ele, que é professor da Fundação Dom Cabral.
Ventura circulou acompanhado de uma das principais atrações do evento, o humanoide “Futuro”. Sempre cercado por uma leva de estudantes, o robozinho caminhou pelo centro de convenções, deitou no chão e distribuiu cartões de visita do seu “tutor”. Dependendo de como é programado, “Futuro” pode assumir diferentes funções, como a de vigilante, reconhecendo situações de perigo e emitindo alertas em caso de ameaça ou invasão, por exemplo.
Diante de uma plateia que ainda vai entrar ou está dando os passos iniciais no mercado de trabalho, Ventura ressalta a importância de explorar mundos distintos para adquirir vantagem competitiva na carreira.
— De 15 anos para cá, ficou muito mais fácil se equiparar a um cara muito bom. Hoje, o diferencial para ter um potencial grande de carreira é, sim, estudar, pesquisar e fazer o convencional, mas adicionando um ponto, que é olhar para um mundo que não tem nada a ver com o seu — diz ele. — Junte o videogame com a carreira que você quer fazer.
Como em toda revolução tecnológica, a IA desperta incertezas sobre o futuro do trabalho: ceifará empregos ao substituir os humanos? Para Daniel Bermudo, especialista na nova tecnologia, uma coisa é certa: ela já está remodelando carreiras, e quem quiser continuar relevante precisará investir em qualificação para acompanhar esse novo cenário.
Com a chegada da IA generativa, Bermudo vê o mercado entrando na chamada Era Agêntica, etapa em que a comunicação entre humanos e máquinas deixa de ser travada por menus e linguagens formais. Segundo ele, essa revolução terá consequências diretas nas áreas de atendimento ao cliente das empresas. Ele ressaltou ainda que a tecnologia em breve alcançará patamares próximos da superinteligência, dominando mais conhecimento do que qualquer pessoa poderia armazenar. Por isso, ele alerta:
— A IA vai acabar com o seu emprego se você estiver na posição errada. Não quero que sejam levados pela onda; quero que estejam surfando a onda — diz ele. — Na mesma velocidade em que a tecnologia evolui, cresce a demanda por novas profissões.
— A IA acelera o processo, propicia aumento da produtividade e começa a sobrar tempo. E gente boa com tempo na mão faz mágica— reforça Kenneth Corrêa, empresário e especialista em novas tecnologias. Desafiado pela plateia, Kenneth fez em poucos minutos, recorrendo a ferramentas gratuitas de IA, um plano de negócios sobre reciclagem na Baixada Fluminense.
Como toda novidade disruptiva, a IA gera excitação com suas múltiplas possibilidades, mas também preocupação. Cristina Garcia atenta para a necessidade de um marco legal na área, que já tramita no Congresso.
— A lei nos protege contra preconceitos. Sem transparência nos dados e nos critérios, a IA reproduz as injustiças do passado com aparência de neutralidade — diz. — A IA deve ampliar o humano, e não substituí-lo.

