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outubro 16, 2026
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Zelensky anuncia retomada de ataques contra infraestrutura energética russa, enquanto Musk pede sua renúncia

Por · outubro 15, 2026


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quinta-feira o fim da pausa nos ataques aéreos contra instalações do setor energético russo, contrariando a trégua negociada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento em que Washington exerce extrema pressão para que Kiev interrompa suas ofensivas, e o país do Leste Europeu acusa o governo republicano de retirar apoio e tomar “o lado do agressor” — incluindo por meio da ameaça de limitar a cooperação em inteligência. O anúncio ocorre um dia após Zelensky afirmar que as capacidades ucranianas ficaram comprometidas por alterações no sistema de satélites Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk — que, por sua vez, defendeu a renúncia do presidente ucraniano.
— A restrição [de ataques às instalações energéticas russas] acabou. Chega — declarou Zelensky em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times, em Londres, publicada na quinta-feira, enquanto as autoridades russas denunciavam um ataque massivo ucraniano contra uma refinaria na região de Ryazan, 180 Km ao sul de Moscou.
O governo regional russo informou que o ataque aconteceu entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta, e que foi realizado com 69 drones e quatro mísseis de cruzeiro. O Ministério da Defesa russo afirmou que o incêndio na refinaria aconteceu após destroços abatidos pelas defesas antiaéreas do país caírem no local, sem confirmar um impacto direto. Embora Moscou nunca tenha aderido à trégua energética, mantendo bombardeios a instalações ucranianas, o Kremlin afirmou nesta quinta que Kiev ameaça os esforços de paz de Washington.
— [A Ucrânia] continua a realizar ataques contra essas instalações. Ao fazê-lo, entra em grave conflito com os esforços de paz dos Estados Unidos e dos negociadores americanos, que estão empenhando esforços vigorosos para dar início ao processo de paz — afirmou o porta-voz Dmitry Peskov.
O anúncio de Trump sobre o cessar-fogo limitado a infraestruturas energéticas, no domingo, pegou a todos de surpresa, incluindo Zelensky, que inicialmente disse desconhecer os termos. O republicano também anunciou um acerto com o presidente russo, Vladimir Putin, para liberar a venda de diesel ao mercado global — uma medida denunciada por aliados europeus como benéfica à Rússia, enquanto analistas observaram como uma tentativa de Trump de reduzir os preços dos combustíveis nos EUA, atendendo a uma demanda interna antes das eleições de meio de mandato, de 3 de novembro.
Moscou nunca confirmou o acerto sobre a trégua, e continuou com suas ações ofensivas, incluindo no próprio dia do anúncio de Trump. Entre a noite de terça e a madrugada de quarta, bombardeios russos mataram ao menos seis pessoas e deixaram 600 mil sem energia elétrica. Frente à ofensiva, Zelensky acusou os americanos de terem prejudicado as capacidades defensivas do país, mencionando a falta de um alerta prévio sobre a chegada dos projéteis russos e uma instabilidade no sistema Starshield — constelação de satélites Starlink de uso militar, usado pelas Forças Armadas dos EUA e compartilhado com a Ucrânia. Autoridades ucranianas sugeriram que a falha no sistema — posteriormente corrigida — e o ataque russo quase simultâneo não teriam sido coincidência.
Em uma entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, em Londres, na quarta-feira, Zelensky afirmou sentir-se traído em relação ao acordo sobre o diesel e às restrições impostas pelos EUA ao uso militar dos terminais de satélite fornecidos pela SpaceX, de Elon Musk, dizendo ser “uma pena que estejamos perdendo um parceiro forte”.
— É doloroso ver o presidente Trump escolher um lado, que não é o nosso — afirmou Zelensky, que em uma publicação nas redes sociais copiou o estilo de escrita do presidente americano para cobrar “HONESTIDADE dos nossos parceiros em relação a esta guerra”.
“É importante que todos nos Estados Unidos fiquem não ao lado do agressor, mas ao lado dos nossos esforços para proteger vidas, acabar com esta guerra e garantir a segurança”, acrescentou na publicação.
‘Hora de Zelensky ir’
As declarações de Zelensky na quarta-feira causaram incômodo em autoridades em Washington, que negaram uma ação premeditada para prejudicar as defesas ucranianas e retração na cooperação. CEO da SpaceX, empresa responsável pela criação do sistema Starlink, Musk afirmou que o Starshield é de “propriedade do governo dos EUA e está sob seu controle”, e que qualquer limitação de uso é decidida pelo Exército americano. Ele também atacou o presidente ucraniano.
“É hora de Zelensky ir embora”, escreveu o bilionário na rede social X, compartilhando uma publicação que apontava que o presidente ucraniano só encerraria a guerra com a derrota da Rússia. “E assim o massacre continua”.
Negociadores ucranianos afirmaram que mensagens transmitidas por enviados americanos durante uma reunião no fim de semana teria indicado a possibilidade de fim da cooperação de inteligência. Entretanto, uma fonte do governo americano ouvida pelo New York Times negou qualquer ameaça neste sentido ou de mudança já efetivada no compartilhamento de informações com o país do Leste Europeu.
(Com AFP, Bloomberg e NYT)
*Matéria em atualização

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