O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro apresentou denúncia contra o empresário Ranier Felipe dos Santos Lemache por hostilizar o cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, então com 80 anos, durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar. O episódio ocorreu em 24 de novembro de 2022, dia em que o Brasil enfrentou a Sérvia, no Estádio Nacional de Lusail.
De acordo com a denúncia, Ranier teria hostilizado Gil e sua mulher, Flora, em meio a um grupo de simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeos anexados ao inquérito, é possível ouvir deboches contra a Lei Rouanet e ofensas pessoais direcionadas ao músico.
Frases como “Vamos Bolsonaro”; “Você ajudou o Brasil para c…”; “Vamos, Lei Rouanet”; e “Obrigado, filho da…” são possíveis de identificar no vídeo que circulou pelas redes sociais.
O procurador da República Orlando Monteiro Espíndola da Cunha, autor da denúncia, enquadrou o acusado em artigo que prevê punição para quem ofende ou discrimina pessoas em razão da idade. A acusação destaca que o ato “ultrapassou os limites da crítica política legítima”, configurando crime por ter como alvo um idoso de relevância pública e trajetória política reconhecida.
O documento ainda aponta que o episódio gerou uma onda de ataques virtuais a Gil. O MPF afirma que chegou a propor um acordo de não persecução penal (ANPP) ao denunciado, mas a formalização foi inviabilizada pela falta de interesse de Ranier, que buscou judicialmente suspender a proposta.
Na época do ocorrido, Gil usou suas redes sociais para agradecer aos que se solidarizaram dirante dos ataques. “Obrigado a todos pela corrente de solidariedade, aos amigos que ligaram e se manifestaram nas redes sociais. Amanhã estaremos torcendo pela seleção brasileira e por um Brasil sem ódio”, escreveu o compositor no perfil do Twitter.
Hostilizado no Catar, Gilberto Gil agradece pelas manifestações de apoio