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setembro 23, 2026
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Memória ruim na gravidez? Fenômeno pode ter explicação biológica, indica estudo

Por · setembro 23, 2026
Memória ruim na gravidez? Fenômeno pode ter explicação biológica, indica estudo


Esquecer por que entrou em um cômodo, perder as chaves de casa ou ter dificuldade para lembrar o nome de alguém são situações relatadas por muitas mulheres durante a gravidez. Conhecido informalmente como “momnesia” ou “cérebro de grávida”, o fenômeno pode ter uma explicação biológica. Um novo estudo identificou, em camundongos, um circuito cerebral que sofre alterações diante dos níveis elevados e sustentados de estrogênio característicos da gestação.
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A pesquisa foi realizada por cientistas do Baylor College of Medicine, da Shandong University e do Pennington Biomedical Research Center e publicada na revista científica Science Bulletin. Os experimentos indicaram que o excesso de estrogênio aumenta a atividade de determinados neurônios no hipotálamo, região que atua na integração de diversas funções do organismo. Esses neurônios, por sua vez, reduzem a atividade do hipocampo, uma estrutura central para a formação e a recuperação de memórias.
Nos testes, os pesquisadores utilizaram camundongos submetidos a níveis elevados de estrogênio semelhantes aos observados durante a gravidez. Os animais apresentaram prejuízos temporários de memória, sem alterações de humor ou motivação.
Como o estrogênio interfere na memória
Os cientistas identificaram no hipotálamo uma concentração significativa de neurônios GABAérgicos, que normalmente enviam sinais inibitórios a outras regiões do cérebro. O estrogênio atua nessas células por meio do receptor de estrogênio alfa.
Com a exposição prolongada a níveis elevados do hormônio, esses neurônios ficaram excessivamente ativos. Eles possuem conexões diretas com o hipocampo e, ao aumentar sua atividade, acabaram reduzindo a atividade dessa estrutura relacionada à memória.
Os pesquisadores também conseguiram interferir experimentalmente nesse circuito. Quando bloquearam a comunicação entre o hipotálamo e o hipocampo, os camundongos deixaram de apresentar os problemas de memória associados ao estrogênio. Já a ativação artificial do mesmo circuito foi suficiente para provocar dificuldades de memória mesmo sem níveis elevados do hormônio.
— Quando removemos geneticamente os receptores de estrogênio desses neurônios do hipotálamo, os problemas de memória induzidos pelo estrogênio e pela gravidez também foram revertidos — afirmou Zheng Sun, professor de medicina do Baylor College of Medicine e um dos autores do estudo.
Efeito aparece no fim da gravidez
Para verificar se os resultados poderiam ter relação com o que ocorre em mulheres, os pesquisadores também avaliaram a memória de 70 participantes, incluindo grávidas em diferentes fases da gestação e mulheres que não estavam grávidas.
Os testes apontaram alterações específicas de memória que surgiram principalmente no fim da gravidez e apresentaram associação com os níveis circulantes de estrogênio. A relação permaneceu mesmo depois de considerados outros fatores que poderiam influenciar o desempenho cognitivo.

Os pesquisadores, porém, ressaltam uma diferença importante entre os resultados obtidos em animais e em humanos. Nos camundongos, foi possível manipular diretamente o circuito cerebral e demonstrar uma relação de causa e efeito. Nas mulheres, o estudo apenas encontrou uma associação entre os níveis de estrogênio e o desempenho nos testes de memória. O circuito específico não foi medido ou manipulado diretamente em seres humanos.
Segundo os cientistas, os resultados não indicam que a gravidez provoque uma redução geral da capacidade intelectual. As alterações observadas são específicas de determinadas tarefas de memória e tendem a ser temporárias.
— O ponto importante é que a gravidez não simplesmente torna alguém “menos inteligente”. Os efeitos parecem ser mais sutis e específicos para determinadas tarefas cognitivas — afirmou Yanlin He, pesquisador do Pennington Biomedical Research Center e um dos líderes do estudo.
De acordo com Zheng Sun, cerca de 80% das mulheres grávidas relatam alguma dessas alterações. O número, no entanto, é baseado principalmente em relatos subjetivos, e não em testes objetivos de desempenho cognitivo.

Memória ruim na gravidez? Fenômeno pode ter explicação biológica, indica estudo