A aspiração a abrigar outros eventos além do futebol já fez o Maracanã receber um jogo de vôlei e até uma luta de jiu-jitsu, assim como os mais variados shows ao longo de 76 anos. Mas a roupagem que o gramado ganhou para este domingo é inédita: pela primeira vez, a NFL terá uma partida disputada no maior estádio do Brasil. A liga do esporte da bola oval viverá seu principal momento no país com o encontro entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens, a partir das 17h25.
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No terceiro ano de presença em solo verde e amarelo, após dois jogos em São Paulo, a organização terá um tira-teima de seu trabalho de aproximação com os torcedores brasileiros e da América Latina. Apesar de os ingressos não terem se esgotado e de não haver parciais oficiais divulgadas, a expectativa é de que até 70 mil pessoas superem o recorde de público na região. O estádio do Corinthians teve casa cheia, com 47 mil, em ambas as vezes.
Desde que desembarcou oficialmente por aqui, a NFL e seus executivos batem na tecla de que o mercado brasileiro se tornou uma prioridade. Por ser o segundo maior fora dos Estados Unidos, atrás do México, garantem que requer mais do que as partidas em si. Mas o olhar para a ponta do iceberg mostra que os times designados para jogar no Brasil até aqui fazem parte do grupo dos protagonistas, sinal de que não há o desejo de realizar apenas “amistosos de luxo” com equipes de meio de tabela.
A estreia teve o Philadelphia Eagles, que acabou campeão do Super Bowl da temporada de 2024 e iniciou a trajetória batendo o Green Bay Packers, uma das franquias mais tradicionais dos EUA. Em 2025, foi a vez do Kansas City Chiefs do quarterback Patrick Mahomes, a grande estrela da liga na atualidade, ser superado pelo Los Angeles Chargers, em um duelo direto entre rivais da mesma divisão. Agora, os Cowboys, equipe esportiva mais valiosa do planeta, avaliada em 13 bilhões de dólares (cerca de R$ 67,4 bilhões), encaram os Ravens, da também estrela Lamar Jackson.
Lamar Jackson em treino do Baltimore Ravens no Rio de Janeiro
Alexandre Cassiano
Uma breve prévia do confronto válido pela terceira semana da temporada mostra favoritismo para Baltimore, time da primeira ou segunda prateleira de candidatos ao título. Ao lado de Lamar, estão o corredor Derrick Henry e uma defesa que se coloca entre as melhores da liga. Só que os Cowboys, do quarterback Dak Prescott, são donos de um ataque com muito potencial e podem estar à altura. As equipes começaram o ano com uma vitória e uma derrota e querem voltar aos EUA com campanha positiva.
Novos locais
Além das quatro linhas, a NFL aposta em um roteiro de expansão pelo Brasil baseado em ações em outras áreas.
— Temos um plano bastante agressivo, que a NFL Brasil nunca desenvolveu ou executou no país, e que tem implicações muito mais que somente nosso jogo internacional. A NFL tem que ser uma das cinco principais ligas no Brasil. Não vai ser fácil, porque aqui respiramos futebol, mas o futebol também é parte da nossa estratégia. E com o terceiro jogo aqui, o caminho fica mais claro — reforçou Luís Martinez, “chefão” da organização no país, em evento na quarta-feira.
NFL instalou balão temática na Lagoa Rodrigo de Freitas
MAURO PIMENTEL / AFP
A estratégia passa por fomentar a prática do flag football, modalidade do futebol americano com contato reduzido que será parte dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Fora das capitais de Rio e São Paulo, há iniciativas educacionais envolvendo o flag em cidades como Petrópolis e Curitiba.
Martínez também revelou na última semana que a NFL chegará a três novos estados ainda neste ano, com a inauguração de lojas temáticas e experiências abertas ao público. A liga ainda não fala sobre outros locais que podem receber jogos, mas a chegada ao Rio pode ser um passo neste sentido. O contrato com o Maracanã garante ao menos três partidas até 2030, sem estipular em quais anos serão disputadas, nem para onde mais o radar está apontando.
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No entretenimento, a NFL tem tentado contar histórias de pessoas que se dedicam ao futebol americano em outras regiões do Brasil, como o Nordeste. O lema “A gente também joga” foi uma das bases da promoção do jogo no Maracanã, mostrando jogadores homens e mulheres pelo país, e até árbitros. O documentário “Depois do Impacto”, sobre a equipe do Coritiba Crocodiles, estará em cartaz no Festival do Rio em outubro.
— Há três ou quatro anos, nos falavam que a NFL Brasil só se importava com torcedores paulistas e cariocas nas redes sociais. Nunca falava de Salvador, Fortaleza, Recife… Então, foi um alerta para tentarmos ser mais inclusivos — apontou Gerardo Chapa, diretor de conteúdo internacional, ao GLOBO. — Não estamos inventando histórias de pessoas que têm essa paixão. A ideia sempre foi mostrar a diversidade estética, etnográfica e cultural do país.
Maracanã recebe o jogo da NFL entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens. Na foto, Estátua do Bellini com a imagem de Dak Prescott ao fundo
Márcia Foletto
Assim, o Rio se vestiu de NFL nesta semana, com ativações em várias partes da cidade, como o balão na Lagoa Rodrigo de Freitas, a loja temática no Pão de Açúcar e visitas de líderes de torcida ao Cristo Redentor. Houve também a presença de equipes que sequer estarão em campo. Quatro delas, New England Patriots, Miami Dolphins, Philadelphia Eagles e Detroit Lions, possuem direitos de exploração no Brasil e aproveitaram o período para investir na aproximação com o público.
— O jogo no Maracanã abre uma oportunidade concreta de conversar com quem já acompanha a NFL e com novos torcedores que estão descobrindo a modalidade. Estar nesse ambiente significa participar da experiência do fã antes, durante e depois da partida, com ativações relevantes e conteúdo que aproxime o público do jogo — analisa Anderson Nunes, especialista em marketing esportivo.
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