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outubro 11, 2026
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Aos 32 anos, Gabriel Medina segue com sonhos dentro e fora do mar: 'Quero ter filhos e mais títulos'

Por · outubro 11, 2026
Aos 32 anos, Gabriel Medina segue com sonhos dentro e fora do mar: 'Quero ter filhos e mais títulos'


Gabriel Medina segue com fome de conquistas. Primeiro brasileiro a conquistar um título mundial de surfe e maior campeão do país, com três troféus (2014, 2018 e 2021), além de uma medalha olímpica, o paulista de Maresias voltou ao circuito mundial neste ano, após ficar afastado em 2025 por causa de uma grave lesão no ombro esquerdo. Mesmo ocupando a quinta colocação no ranking, liderado até aqui pelo compatriota Yago Dora, Medina mantém vivo o sonho do tetracampeonato em um dos palcos mais especiais de sua carreira: Pipeline, no Havaí.
Em preparação para a primeira etapa da pós-temporada, em Peniche, Portugal, Medina conversou com O GLOBO no Posto 10 da Praia de Ipanema. Na entrevista, falou sobre a parceria com o técnico Adriano de Souza, o Mineirinho, campeão mundial em 2015, a importância de ter a família por perto ao longo do circuito e o sonho de ser pai. Em agosto, o surfista e a esposa, Isabella Arantes, perderam o bebê que esperavam.
Gabriel Medina faz exercício em stand de patrocinador em Ipanema
Divulgação
Você voltou a disputar finais depois de três anos (Margaret River e Fiji), mas não venceu etapa na temporada ainda. Guardou o melhor para o fim?
Com certeza. Este ano foi muito bom, (mas) ainda não veio nenhuma vitória em etapa. Quero isso. Minha intenção era disputar o título mundial, e tenho grandes chances nesse final de ano. A temporada acaba em Pipeline (Havaí), uma etapa que gosto muito. Já tive dois títulos mundiais decididos lá, então tenho boas memórias. Agora espero que o melhor esteja para o final mesmo, porque estou precisando (risos).
Justamente essa etapa de Pipeline vai dar mais pontos este ano. 15 mil em vez de 10 mil. Isso te traz um bom presságio? Consegue se imaginar levantando o troféu lá de novo?
Consigo. Tive bons resultados lá, fiz algumas finais e já surfei bastante aquela onda. Já ganhei, fiquei em segundo… Tudo isso me dá confiança, mas todo evento é um evento novo. Quem surfa no circuito mundial respeita muito essa onda e tem muito desejo de vencer. Vai ser uma disputa muito boa numa onda que gosto bastante.
Quanto você sente que já evoluiu na parceria com o Mineirinho?
Nós estamos sempre em evolução. Conversamos muito, testamos pranchas, pensamos em maneiras de entrar na bateria. Cada atleta tem um jeito de surfar e se posicionar, então estamos sempre tentando surpreender os adversários nesse sentido.
Após anunciar parceria, Adriano de Souza e Gabriel Medina posam pela primeira vez juntos
Reprodução/Redes Sociais
Vocês sempre foram amigos. Como é quando discordam?
Eu tenho uma personalidade muito forte, e o Mineiro também, até pelo atleta que já foi. É um campeão mundial. Então a gente tenta chegar num meio-termo. Sempre tem coisa que vamos discutir, mas tentando chegar num ponto de vista em comum. Mas eu sei do meu espaço e tenho a humildade de escutar e aprender. Foi por isso que ele entrou no time. Quero aprender com ele, então estou sempre escutando.
Sinto que você lida melhor com as derrotas hoje. Isso é reflexo de amadurecimento e autoconhecimento?
Acho que já estou competindo há 14 anos, e isso tudo faz parte. A derrota também tira algo muito bom de você, porque faz você se esforçar para ir melhor na próxima. Tenho me preocupado mais com aquilo que está sob meu controle. Fora d’água, eu me esforço ao máximo e sei o que faço. Então, quando o resultado não vem, às vezes acontece. É para ser. As outras pessoas também têm que contar a história delas.
Gabriel Medina na etapa de Fiji do Circuito Mundial de Surfe
Cait Miers / WSL
Você costuma mostrar bastidores com sua esposa nas viagens do circuito. O quão importante é para você ter sua família perto durante as etapas?
Eu gosto muito. Sempre viajei com meus pais, minha irmã e meu irmão. Sempre fui um cara muito família. Hoje sou casado e me divirto muito com ela. Amo fazer mercado com ela, por exemplo. Nós brincamos muito, e é uma coisa que não fazemos muito no Brasil. Às vezes queremos só comprar um negocinho, ficar de boa, mas tem sempre muita gente pra tirar foto e vídeo (risos). Nas viagens dá pra brincar mais. No final, é sobre se ajudar para estar bem na competição. Inclusive, agora vou para Portugal com meu padrasto, o Charlão, e minha irmã. Estou animado para curtir essa etapa.
Gabriel Medina casou com Isabella Arantes em julho
Reprodução
E como você vê essa parceria do Charlão, que também é seu ex-treinador, com sua irmã? Dá para blindá-la da pressão de carregar o sobrenome Medina?
Acho que ela sempre vai ter isso, vão comparar… Nós conversamos bastante em casa, e tento deixá-la o mais tranquila possível para simplesmente surfar e dar o melhor dentro d’água, porque ela é uma menina muito esforçada. Tenho muito orgulho da pessoa que ela é. Ela é muito tranquila, então acho que uma hora o resultado vai acontecer, pelo esforço dela. Ela já bateu na trave, quase entrou no circuito mundial. Essas coisas de resultado são muito loucas na vida de um atleta. São muitos altos e baixos, e você tem que estar com a cabeça boa. É isso que tentamos passar para ela. Resultado por resultado, tanto faz. O importante é ela dar o melhor, se divertir.
Gabriel Medina e seu padrasto, Charles
Reprodução/Redes sociais
Você terá 34 anos em LA 2028. É uma espécie de “last dance”? Por quanto tempo acha que vai conseguir abrir mão de coisas da vida pessoal para continuar disputando em alto nível?
Gosto de levar as coisas passo a passo. Sinto que estou bem fisicamente, e eu gosto de treinar. Se eu não gostasse, se fosse um esforço, seria diferente. Mas essa é a minha rotina. Nas férias, eu viajo para surfar em algum lugar (risos), então é o que eu realmente gosto. Mas vou sentindo meu corpo. Tenho melhorado cada vez mais minha alimentação, estabelecido uma rotina melhor. Isso me dá mais espaço para ficar no circuito. O que eu puder fazer para viver do meu sonho, vou fazer. Mas com certeza quero estar nas Olimpíadas.
Você já teve muitas conquistas pessoais e profissionais. Quais sonhos você ainda cultiva?
Acho que o primeiro é construir minha família. Quero ter meus filhos. E mais títulos mundiais também. Não sei quantos, mas com certeza dá para ter mais.
Gabriel Medina ficou com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris
CARL DE SOUZA / AFP

Aos 32 anos, Gabriel Medina segue com sonhos dentro e fora do mar: 'Quero ter filhos e mais títulos'