O Grupo de Prontidão Anfíbia dos Estados Unidos Iwo Jima deixou novamente o porto de Norfolk, no estado da Virginia, após retornar dias antes para evitar o furacão Erin. Os três navios da frota que, segundo a Marinha, transportam cerca de 4.500 marinheiros e fuzileiros navais, foram vistos se afastando da costa leste americana rumo ao Caribe na tarde de domingo, segundo imagens publicadas nas redes sociais. Dados de rastreadores checados pelo GLOBO confirmam as informações.
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De acordo com autoridades militares, o grupo planejava entrar em águas próximas à Venezuela sob o comando do Comando Sul dos EUA (Southcom, na sigla em inglês) quando foi inicialmente desdobrado em 14 de agosto, mas foi atrasado pela tempestade, tendo retornado à Norfolk na terça-feira passada, após cinco dias de navegação. A previsão inicial de chegada era na quarta-feira.
O Pentágono não anunciou quais exercícios ou operações serão realizados pela unidade enquanto navega no Caribe, mas sabe-se que a operação ocorre no âmbito da assinatura pelo presidente Donald Trump de uma diretiva secreta, no início do mês, que autoriza a utilização das Forças Armadas na luta contra o narcotráfico.
A 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais está destacada a bordo do navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima (LHD-7) e dos navios de transporte anfíbio da classe Sant Antonio USS Fort Lauderdale (LPD-28) e USS San Antonio (LPD-17). Sua localização precisa é desconhecida no momento, já que as embarcações desligaram seu Sistema de Identificação Automática poucas horas após deixarem Norfolk. A mobilização marca a primeira de uma unidade expedicionária desse tipo em seis meses.
Três contratorpedeiros — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — equipados com o sistema Aegis de mísseis guiados também foram desdobrados e, segundo fontes ligadas à operação, já estaria na área sob responsabilidade da Southcom. Um submarino de ataque nuclear, aeronaves P-8 Poseidon e outros meios de vigilância completam o aparato. Esses ativos, apontam especialistas, ampliam a capacidade de inteligência e ataque seletivo, caso o governo americano decida adotar ações pontuais.
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A movimentação gerou forte reação na Venezuela, depois que a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA usarão “toda a força” contra o regime de Nicolás Maduro, a quem acusou de chefiar um cartel que trafica drogas para o território americano. Em julho, o Departamento do Tesouro incluiu o chamado Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas e acusou o presidente venezuelano de chefiá-lo, colocando sua cabeça a prêmio por US$ 50 milhões. Em resposta, o líder chavista anunciou a mobilização de 4,5 milhões de paramilitares no país, acusando os EUA de prepararem uma intervenção militar.
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Apesar de relatórios encomendados pelo setor privado e analistas com acesso ao Palácio Miraflores avaliarem que o risco de invasão é “baixo”, não se descartam outras possibilidades. Entre elas, a violação do espaço aéreo e marítimo venezuelano; a intercepção de embarcações em mares territoriais venezuelanos; ataques rápidos e fulminantes, por exemplo, a bases da Força Aérea, vista como a mais sólida da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB); ou uma ação cirúrgica contra algum membro do regime.
O desdobramento do Grupo de Prontidão Anfíbia Iwo Jima nas águas próximas à Venezuela traz sinalizações importantes também para o Brasil, com quem o país faz mais de 2 mil quilômetros de fronteiras, afirmam especialistas ouvidos pelo GLOBO. A depender dos desdobramentos, poderá aumentar o fluxo migratório de venezuelanos para Roraima. Outro problema serão as possíveis restrições impostas à liberdade de navegação.