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outubro 14, 2026
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Artigo: governadores eleitos e o desafio inédito para candidatos a presidente

Por · outubro 14, 2026
Flávio Bolsonaro vence Lula em todos os bairros de Belo Horizonte; veja como foi a votação


A eleição de 2026 apresenta características inéditas que adicionam mais incerteza sobre o resultado do próximo dia 25. A diferença entre os dois primeiros colocados foi a menor registrada desde 1989, e continua se refletindo nas pesquisas que apontam margens estreitas entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para esta segunda etapa, serão necessários esforços adicionais para consolidar votos do primeiro turno, atrair quem se absteve e disputar os eleitores da Terceira Via.
Mas há outro fator sem precedentes em 2026. Pela primeira vez, os eleitores elegeram ainda no primeiro turno 21 novos governadores. Nesses estados, Lula e Flávio perdem cabos eleitorais de peso e dispõem de menos recursos locais para financiar ações campanha e mobilizar militância. Qual seria o efeito dessa desmobilização?
Tradicionalmente, a crônica política aponta duas hipóteses: com disputas estaduais abertas, a campanha nacional se beneficiaria do engajamento dos aliados; se a fatura for liquidada no primeiro turno, o governador eleito dedicaria seu capital político à disputa presidencial. Sob qualquer perspectiva, o candidato a presidente, como é possível notar, se beneficiaria.
Para testar esse efeito, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Representação e Legitimidade Democrática (ReDem), sediado na UFPR, analisou as disputas de 2002 a 2022. O estudo identificou o alinhamento político das candidaturas (governador e presidente) e identificou dois fenômenos distintos.
O primeiro foi o efeito extensivo, quando o eleitor deixa de comparecer. A definição antecipada nos estados eleva a abstenção nacional em média em 1 ponto percentual, taxa ainda mais expressiva no Norte (+2,5 p.p.), Nordeste (+2,1 p.p.) e Centro-Oeste (+0,7 p.p.). O segundo foi o efeito intensivo, que afeta a capacidade de atração de votos válidos. Esse impacto é estatisticamente relevante no Sudeste, onde o presidenciável alinhado ao governador eleito sofre desaceleração entre 1,4 p.p. e 3,3 p.p. no ritmo de crescimento entre turnos.
No Centro-Oeste, a perda é ainda mais aguda (de -2,9 p.p. a -3,9 p.p.), combinando maior abstenção com menor conversão de votos. Em contrapartida, no Norte e Nordeste, embora a abstenção aumente, o fim da disputa estadual não afeta a proporção de votos válidos do presidenciável.
Esses achados dimensionam o desafio de Lula e Flávio Bolsonaro no Sudeste, onde haverá segundo turno estadual apenas no Espírito Santo. Flávio terá de redobrar a atenção em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Nesses estados, ele largou na frente, mas corre o risco de perder fôlego com aliados desmobilizados. Lula enfrenta o obstáculo da abstenção no Norte e Nordeste, mas no Sudeste, mesmo sem governadores aliados, tem conseguido mobilizações de grande expressão. Os desafios de Flávio no Sudeste garantem inversão de vantagem? Não necessariamente. Mas, em um pleito disputado voto a voto, qualquer oscilação regional pode ditar o resultado final.
* Fábio Vasconcellos é cientista político, professor Uerj e PUC-Rio e pesquisador do INCT ReDem/UFPR
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Artigo: governadores eleitos e o desafio inédito para candidatos a presidente