O partido inglês Reform UK, liderado por Nigel Farage, vem ampliando sua presença no cenário político britânico ao combinar um discurso radical contra a imigração com estratégias de comunicação de forte apelo simbólico. Inspirado em táticas populistas de Donald Trump nos Estados Unidos, a legenda tenta transformar seu lema em marca, agora estampada até em camisas de futebol, usadas como instrumento de campanha, com direito a site exclusivo para vendas.
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A peça (lançada recentemente e à venda no site do partido por £ 39 (cerca de R$ 285), tornou-se um símbolo do movimento ao redor de Farage. Mais do que um material promocional, a camisa funciona como demonstração de identidade política: vestir o uniforme equivale a declarar apoio a uma plataforma construída contra as elites políticas, midiáticas e financeiras do Reino Unido. O recurso busca reproduzir, em solo britânico, a lógica de pertencimento gerada por slogans como o “Make America Great Again”, de slogan que marcou a mais recente campanha de Trump.
A combinação de discurso radical, símbolos de fácil reconhecimento e exploração do sentimento de ruptura ajuda a explicar por que um partido até pouco tempo marginal começa a se consolidar como ator relevante na política britânica. Ao transformar uma camisa em bandeira, o Reform UK aposta na construção de uma marca política — repetindo, em versão britânica, a fórmula que fez do trumpismo um fenômeno global.
O Reform UK cresceu nas eleições gerais de julho, conquistando cadeiras no Parlamento e ampliando sua votação em distritos tradicionalmente dominados por trabalhistas e conservadores. O avanço pressiona os dois maiores partidos do país a endurecerem seus discursos sobre imigração — pauta central da eventual campanha (em 2029) de Farage, que defende deportações em massa de até 600 mil imigrantes irregulares.
O projeto político, no entanto, vai além da fronteira migratória. A legenda defende cortes de impostos, flexibilização regulatória e críticas abertas à agenda ambiental, tentando se apresentar como alternativa ao que chama de “consenso das elites”. Analistas afirmam que boa parte de sua força eleitoral vem mais da retórica midiática do que de propostas detalhadas de governo.
Apesar do tom antiestablishment, setores da política local já ensaiam aproximação com o Reform UK, interessados em influenciar uma futura agenda econômica, especialmente em temas como regulação financeira e criptomoedas. Ainda assim, a relação permanece cautelosa, diante do histórico de Farage de choques com bancos e posições contrárias à transição energética.