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outubro 7, 2026
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Campanha de Flávio tenta atrair MDB, que consulta estados e deve manter neutralidade

Por · outubro 7, 2026
Campanha de Flávio tenta atrair MDB, que consulta estados e deve manter neutralidade


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta obter o apoio formal do MDB no segundo turno e trabalha com a expectativa de realizar uma reunião com dirigentes da legenda nesta quinta-feira. A articulação envolve integrantes da equipe do presidenciável e aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), que já procuraram o presidente nacional do partido, Baleia Rossi. Na legenda, porém, a tendência é manter a neutralidade adotada no primeiro turno.
Baleia disse aos interlocutores que ouve os diretórios estaduais para entender as diferentes posições diante da disputa entre Flávio e o presidente Lula (PT). O desenho interno do MDB, marcado pela autonomia dos estados e por decisões construídas coletivamente, dificulta uma mudança a partir apenas de uma articulação com a direção nacional. Uma eventual adesão dependeria de uma construção mais ampla em uma legenda que reúne caciques e bancadas em campos distintos na eleição presidencial.
Essa divisão ficou evidente no primeiro turno. Enquanto lideranças como Ricardo Nunes estiveram no campo de Flávio, parte expressiva dos senadores e caciques do MDB apoiou Lula. Entre os senadores estão Marcelo Castro (PI), Eduardo Braga (AM) e Veneziano Vital do Rêgo (PB). O presidente também contou com o apoio de outras lideranças da sigla, como Renan Filho (AL). Do outro lado, o ex-presidente Michel Temer declarou apoio a Flávio no segundo turno, assim como Nunes.
O cenário ajuda a explicar por que dirigentes do MDB consideram pouco provável uma guinada agora. Revogar a liberação para que os filiados apoiem quem desejarem enfrentaria a resistência de caciques que não pretendem aderir a Flávio e exigiria uma decisão das instâncias partidárias, em vez de depender apenas de Baleia. A tendência, portanto, é preservar o modelo que permite às diferentes alas seguir em lados opostos da disputa.
Uma ala da cúpula do MDB também enxerga um componente de estratégia eleitoral na ofensiva de Flávio. A avaliação é que, além de buscar o apoio do partido, o candidato procura acumular manifestações de diferentes forças políticas para reforçar a imagem de que ampliou seu arco de alianças no início do segundo turno.
Mesmo sem uma adesão formal do MDB, Flávio pode incorporar o apoio de emedebistas a esse movimento. Na ala da legenda mais próxima ao candidato, a avaliação é que, diante das adesões individuais que ele já vem reunindo, o apoio nacional da sigla não seria indispensável para demonstrar uma ampliação de sua coalizão. Para o MDB, a manutenção da neutralidade permite acomodar grupos regionais que estão em lados opostos da eleição.
Até agora, Flávio obteve o apoio da federação União Brasil-PP e do Novo. Republicanos e Podemos também discutem suas posições no segundo turno, com expectativa de definição nos próximos dias.
Procurado pelo GLOBO, Baleia Rossi não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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