A Casa Branca saiu em defesa de sua nova porta-voz, Katie Zacharia, diante dos questionamentos sobre suas credenciais para exercer a advocacia nos Estados Unidos. Após a revelação de que a estrategista política de 42 anos não parece estar registrada na Ordem dos Advogados de nenhum dos estados em que morou, o diretor de Comunicação do governo, Steven Cheung, afirmou que ela é “excepcionalmente qualificada e extremamente inteligente para ajudar a informar o povo americano”.
Contexto: Apresentada como advogada por Trump, porta-voz da Casa Branca é denunciada por não poder exercer a profissão
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Zacharia, por sua vez, sustentou que exerceu atividades jurídicas com a documentação necessária. Em comunicado divulgado nesta semana, ela disse ter exercido a advocacia “na área de transações internacionais, com todas as credenciais apropriadas”.
A controvérsia começou na semana passada, depois que o presidente americano, Donald Trump, apresentou Zacharia como advogada ao anunciar sua nomeação. Ela também já havia feito o mesmo publicamente. Na terça, durante uma aparição ao lado do republicano, um repórter perguntou em qual estado ela havia sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados, requisito para exercer a profissão nos EUA, e ela disse:
— Quando me mudei para a China.
Em entrevista ao New York Times na quarta-feira, Zacharia afirmou que a resposta foi resultado de um mal-entendido. Segundo ela, o barulho do Marine One, helicóptero presidencial nas proximidades, impediu que ouvisse corretamente a pergunta. A porta-voz disse ter entendido que o jornalista queria saber onde ela havia estado depois de concluir a faculdade de Direito, e não em qual estado havia sido aprovada no exame profissional.
Na mesma entrevista, Zacharia relatou que, quando começou a participar de programas de notícias na televisão a cabo, procurou a Universidade Pepperdine, onde estudou, para esclarecer como deveria se apresentar profissionalmente. Segundo ela, o presidente da instituição a orientou a utilizar o termo lawyer, mas não attorney. Embora ambas as palavras sejam frequentemente traduzidas como “advogado”, a segunda é utilizada para designar profissionais formalmente habilitados a exercer a advocacia.
Zacharia se formou em Direito pela Universidade Pepperdine, na Califórnia, em 2011, informação confirmada pela instituição. Nos EUA, porém, a obtenção de um diploma na área não equivale à autorização para exercer a profissão. Segundo o Wall Street Journal, ela prestou o exame da Ordem dos Advogados da Califórnia depois de concluir a graduação, mas não foi aprovada. A prova é amplamente considerada uma das mais difíceis do país.
Uma pessoa com conhecimento direto do assunto disse ao jornal que Zacharia realizou o exame aproximadamente na mesma época em que planejava seu casamento e se preparava para se mudar para a China com o futuro marido. O casal se mudou para Pequim por causa do emprego do marido de Zacharia em uma empresa americana. Zacharia afirmou que trabalhou com “direito de transações internacionais” no período em que viveu no país.
De acordo com seu perfil no LinkedIn, a atual porta-voz trabalhou como associada no escritório de advocacia Zhong Lun, em Pequim, entre 2011 e 2013. Na China, apenas cidadãos chineses podem obter uma licença para exercer a advocacia, embora estrangeiros possam trabalhar em escritórios jurídicos desempenhando outras funções. Não há indicação, no entanto, de que Zacharia tenha obtido autorização para exercer a profissão.
Em fevereiro de 2025, durante uma participação no programa conservador de rádio The Clay Travis and Buck Sexton Show, Zacharia afirmou que havia trabalhado como consultora jurídica externa para a Corporação Financeira Internacional (IFC) e o Banco Mundial durante sua passagem pela China. As instituições, além do escritório Zhong Lun, ainda não comentaram as declarações e a experiência profissional da porta-voz.
Segundo a BBC, no entanto, o Grupo Banco Mundial contrata ocasionalmente escritórios de advocacia externos para prestar serviços jurídicos. Nesses casos, cabe às próprias empresas contratadas decidir quais profissionais serão designados para os trabalhos.
O histórico profissional de Zacharia também inclui uma passagem como diretora jurídica da Fix California, organização conservadora sem fins lucrativos fundada por Ric Grenell, aliado de Trump, conforme seu perfil no LinkedIn.
Os questionamentos sobre suas credenciais levaram a organização de fiscalização Campaign for Accountability a apresentar, na quarta-feira, uma denúncia à Ordem dos Advogados da Califórnia. A entidade solicita uma investigação para determinar se Zacharia “repetidamente se apresentou ao público como alguém autorizada a exercer a advocacia sem possuir licença para isso, uma conduta considerada crime pela legislação da Califórnia”.
— Zacharia se apresentou como advogada em diversas ocasiões para reforçar sua reputação e credibilidade — afirmou Michelle Kuppersmith, diretora-executiva do grupo, acrescentando: — A Ordem dos Advogados deve investigar se Zacharia enganou o público sobre suas credenciais.
(Com New York Times)
Casa Branca defende nova porta-voz de Trump após questionamentos sobre credenciais: ‘Qualificada e inteligente’
