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outubro 6, 2026
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Casas Bahia tem redução de estoque e menos 4,6 mil funcionários, aponta perícia

Por · outubro 6, 2026
Após pedido de recuperação judicial, Casas Bahia busca empréstimo de R$ 1 bi e planeja aposta no marketplace


Uma perícia judicial realizada em documentos e unidades da Casas Bahia apontou redução de estoque, áreas ociosas em alguns centros de distribuição e quadro de funcionários com 4,6 mil pessoas a menos em agosto. A análise ainda constatou que as vendas digitais tombaram 35% entre julho e agosto. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial no dia 17 de agosto.
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O procedimento é necessário para que a Justiça de São Paulo conceda ou não o pedido de reestruturação da varejista, que acumula R$ 17,3 bilhões em dívidas.
Realizada pela ACFB Administração Judicial, a perícia visitou 744 lojas e 29 centros logísticos da Casas Bahia, e constatou que o grupo segue operando, mas há sinais de retração em parte da estrutura. Segundo o laudo, ao qual O GLOBO teve acesso, foi constatada atividade irregular em nove lojas e três centros de distribuição. 
Nas lojas em funcionamento, a perícia não encontrou desabastecimento perceptível nos mostruários. Em parte dos centros logísticos, porém, foram registrados estoques reduzidos e áreas ociosas.
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“Nos centros de distribuição, a manutenção das operações coexistia com a redução significativa dos estoques observada em parte das unidades, cuja causa foi relacionada pelas requerentes às dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pelo grupo”, diz o documento. 
Queda no e-commerce 
Já a fábrica da Bartira, marca de móveis do grupo, funciona normalmente. Quanto à operação on-line, os peritos fizeram sete compras nos canais digitais da Casas Bahia, e os pedidos foram entregues dentro dos prazos informados.
Apesar da normalidade nas operações, a perícia constatou que entre julho e agosto, quando a Casas Bahia procurou a Justiça para se reestruturar, as vendas digitais da varejista caíram 35,3% em valor transacionado.  
“No campo de pedidos, o quantitativo passou de 1.068.648 para 706.335 registros, uma diminuição de 33,9%”, diz o documento. 
Advogado especialista em Direito Empresarial e sócio do BVZ Advogados, Fábio Percegoni avalia que o laudo, ao apontar que a crise financeira atingiu a operação da companhia, pode dificultar as negociações com os credores e prolongar o processo de recuperação judicial.
Segundo ele, embora a perícia não represente, por si só, um prejuízo do ponto de vista processual, a deterioração operacional reduz a capacidade da empresa de oferecer condições mais favoráveis no plano de recuperação.
— A crise da Casa Bahia deixou de ser apenas financeira e chegou à operação, e essa é uma das piores situações que se pode ter. Isso significa, de largada, que as condições que a empresa vai ter para oferecer aos credores serão ruins. Uma empresa que está nessa situação não consegue oferecer condições tão benéficas, e isso pode dificultar a negociação e prolongar ainda mais o processo — analisa.

Em crise que atribui a juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre consumo, a Casas Bahia pediu reestruturação na Justiça no dia 17 de agosto. Com R$ 17,3 bilhões em débitos, a varejista fechou quase 300 lojas e demitiu 3 mil funcionários.
O laudo da perícia, porém, identifica que o quadro de funcionários da varejista encolheu em 4.647 em agosto: eram 29.737 trabalhadores no dia 3 contra 25.090 no dia 28, uma queda de 15,6%.
Segundo o laudo, porém, não há informações o dia de cada dispensa, de modo que “não é possível atribuir integralmente ao período posterior ao ajuizamento da Recuperação Judicial a redução verificada”. As rescisões somam R$ 126,7 milhões.
No dia 28 de agosto, após a Casas Bahia admitir uma “corrida de credores” contra seu patrimônio, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, antecipou os efeitos da recuperação e garantiu proteção contra credores da varejista por 180 dias.

Casas Bahia tem redução de estoque e menos 4,6 mil funcionários, aponta perícia