O Instituto Butantan avança no processo de transferência de tecnologia junto à Pfizer para fabricar, no Brasil, a vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), oferecida às gestantes brasileiras a partir da 28ª semana de gravidez. O imunizante é o que protege contra a bronquiolite, arriscada para bebês e crianças pequenas. Neste mês, a instituição deve encaminhar ao Ministério da Saúde o volume de 1 milhão de doses com rótulo que indica o nome do Butantan — até aqui, outras 3,5 milhões de doses já tinham sido entregues com o rótulo anterior.
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O processo de transferência de tecnologia é longo e feito em fases. A partir do segundo semestre do ano que vem, é esperado que a instituição receba o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para finalizar na instituição. O processo total de produção deve ser concluído em 2034, quando todas as etapas serão feitas do início ao fim no Butantan.
Em nota, a Pfizer informou que “atualmente, a parceria encontra-se na fase de preparação para a produção local, incluindo atividades de planejamento, transferência de conhecimento, capacitação de equipes e adequação da infraestrutura produtiva”. A estimativa, diz a farmacêutica, é que a produção nacional chegue a 8 milhões de doses por ano, destinadas ao Sistema Único de Saúde.
Até agora, o Brasil distribuiu 1,2 milhão de vacinas para as gestantes. A vacina é tomada por elas a partir da 28ª semana de gestação e permite que o bebê já nasça imunizado. A duração dos anticorpos nos pequenos é de cerca de seis meses — uma fase crítica da infecção.
O GLOBO mostrou, ainda nos primeiros seis meses de uso da vacina, no SUS, que desde sua inclusão no calendário brasileiro os bebês até 6 meses já eram mais resistentes aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (VSR) do que as crianças mais velhas. Um efeito positivo e inicial da aplicação das doses.
‘Timming’
O segredo para o bom funcionamento dessa vacinação, explicou anteriormente Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, vice-diretor da Faculdade Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é o “timing”. Dados anteriores, obtidos por meio da vacinação no Reino Unido, mostraram que o momento ideal da aplicação das doses é por volta da 28ª semana (o início do último trimestre) de gestação. A vacinação das mães a essa altura da gravidez, mostrou a análise que levou em conta a vida de 300 mil bebês, reduziu a internação em 85%. Um número bastante alto que, acreditam os especialistas, poderá também ser refletido na realidade brasileira.
— Os dados internacionais mostram que não há motivo para atrasar a vacinação. Ao chegar às 28 semanas, já é o momento de vacinar a mãe, pois isso leva anticorpos de boa qualidade ao bebê. Dá tempo de “amadurecer” os anticorpos — diz Sáfadi. — A vacinação materna protege desde o primeiro dia de vida, um momento muito crítico, pois essa infecção traz riscos de sequelas, por exemplo. Há, inclusive, estudos que sugerem que essa vacinação também protege a mãe, que pode algumas vezes ter complicações pelo VSR. É um “plus”.
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