A Semana Mundial do Espaço de 2026 tem como tema “Revolução dos Foguetes”, expressão em referência às transformações na atividade de lançamentos e à entrada de novos participantes no setor espacial. Criada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1999, a iniciativa acontece todos os anos entre 4 e 10 de outubro e é apresentada pela própria organização como o maior evento espacial anual do mundo.
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A programação foi criada para celebrar as contribuições da ciência e da tecnologia espaciais para a vida humana, estimular a educação e a divulgação científica e incentivar a cooperação internacional. A iniciativa também busca despertar o interesse de estudantes, contribuir para a formação de futuros profissionais e ampliar o conhecimento da população sobre as atividades espaciais.
O que é a ‘revolução dos foguetes’
Durante boa parte da história espacial, os lançamentos estiveram concentrados em poucos programas governamentais. Esse cenário mudou com a entrada de empresas privadas, fabricantes de foguetes reutilizáveis, equipes universitárias, startups e novos programas espaciais nacionais.
A transformação altera quem consegue chegar ao espaço, a frequência dos lançamentos e as finalidades para as quais o ambiente espacial é utilizado. O tema de 2026 reúne essas mudanças e a ampliação do número de países, empresas e instituições envolvidos na atividade espacial.
À Rádio Senado, o físico e pesquisador Adilson de Oliveira, diretor do Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que o atual momento também exige uma discussão sobre quem poderá se beneficiar dos avanços obtidos com a exploração espacial.
— É muito importante fazermos reflexões nesse momento, porque novamente nós estamos com uma corrida espacial, não somente para chegar novamente à lua, mas também em Marte. E isso tem que ser feito de uma maneira na qual esse desenvolvimento gere um bem para toda a humanidade, para não ser uma atividade exclusivamente explorada por um único país — disse.
Na avaliação de Adilson, compreender os interesses dos países e das empresas envolvidos nessa nova etapa da exploração espacial é fundamental. O pesquisador defende que o desenvolvimento científico e tecnológico obtido a partir desses projetos não fique concentrado em uma única nação.
A preocupação também envolve os impactos da ciência e da tecnologia no cotidiano. Para ele, é importante que pessoas de diferentes idades reconheçam a presença da ciência em atividades que, à primeira vista, parecem distantes da pesquisa espacial.
— Quando a gente pensa em atividades humanas como uma partida de futebol ou as próprias eleições, a gente sabe que todas essas atividades, elas são feitas por um grupo, por um número muito grande de pessoas. E tudo isso de alguma forma a física também consegue descrever quando ela descreve aquilo que a gente chama de sistemas complexos.
Marcos da história espacial
As datas escolhidas pela ONU para a semana estão relacionadas a dois marcos da história espacial.
Em 4 de outubro de 1957, a então União Soviética lançou o Sputnik 1, considerado pela ONU o primeiro satélite artificial da Terra. O lançamento é tratado pela organização como um marco do início da exploração espacial.
Já em 10 de outubro de 1967 entrou em vigor um tratado internacional que estabeleceu princípios para as atividades dos Estados na exploração e no uso do espaço sideral, incluindo a Lua e outros corpos celestes. O documento também é chamado de “Magna Carta do Espaço”.
As aplicações espaciais passaram a fazer parte de diferentes atividades do sistema das Nações Unidas. Pelo menos 25 entidades da organização e o Grupo Banco Mundial utilizam regularmente ferramentas relacionadas à tecnologia espacial para apoiar seus trabalhos.
Esses recursos também são empregados na implementação de recomendações produzidas em grandes conferências internacionais e em iniciativas ligadas ao desenvolvimento sustentável. Como diferentes órgãos utilizam ferramentas espaciais, a ONU mantém mecanismos para articular essas atividades.
Um deles é a Reunião Interinstitucional sobre Atividades Espaciais, realizada anualmente. Desde 2004, existe ainda uma sessão informal aberta depois desses encontros, permitindo a participação dos Estados-membros em discussões sobre questões espaciais.
Desde o início da Era Espacial, a ONU trata o espaço como uma nova dimensão da atividade humana e defende que seus benefícios sejam utilizados em favor de toda a humanidade.
A primeira resolução da Assembleia Geral dedicada ao espaço sideral foi a resolução 1348 (XIII), intitulada “Questão do Uso Pacífico do Espaço Sideral”. A atuação da organização passou a incluir a formulação de princípios para a exploração espacial e o incentivo à cooperação entre os países.
O tratado que entrou em vigor em 1967 é considerado pela ONU um marco jurídico fundamental para as atividades no espaço e estabelece princípios para sua exploração e uso pelos Estados, incluindo a Lua e outros corpos celestes.
O Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Sideral (UNOOSA) é responsável por promover a cooperação internacional nos usos pacíficos do espaço sideral. O órgão funciona como secretaria do Comitê das Nações Unidas para os Usos Pacíficos do Espaço Sideral (COPUOS), único comitê da Assembleia Geral dedicado exclusivamente a essa área.
O UNOOSA também executa atribuições do secretário-geral relacionadas ao direito espacial internacional e mantém o Registro das Nações Unidas de Objetos Lançados ao Espaço Sideral.
Evento virtual celebra a data no Brasil
Para marcar a Semana Mundial do Espaço, o Clube de Astronomia Centauri, de Itapetininga, em São Paulo, realizará um encontro virtual entre 7 e 10 de outubro. A programação pretende discutir a importância das conquistas espaciais para o presente e o futuro da humanidade.
Os eventos serão gratuitos, e os ingressos poderão ser retirados pela plataforma Sympla.
'Revolução dos foguetes': Semana Mundial do Espaço de 2026 destaca as transformações na corrida espacial
