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setembro 26, 2026
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Chá da tarde, histórias de espiões e uma rosa exclusiva: por dentro do hotel The Dorchester, em Londres

Por · setembro 26, 2026
Chá da tarde, histórias de espiões e uma rosa exclusiva: por dentro do hotel The Dorchester, em Londres


Todo hotel tem história para contar. Mas poucos podem listar tantos protagonistas de peso quanto o The Dorchester, ícone da hotelaria de Londres. Aberto em 1931, num endereço ligado à nobreza inglesa por séculos, o cinco estrelas foi palco de celebrações da realeza, palco de ações de guerra e espionagem e cenário para fatos marcantes do cinema e da cultura pop, e segue impressionando quem passa por lá, seja para se hospedar ou apenas para tomar um chá da tarde.
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Localizado na Park Avenue, no bairro de Mayfair, o Dorchester fica em frente ao Hyde Park, a principal parque urbano da capital britânica. Por isso, além de uma opção de hospedagem cinco estrelas, o hotel pode ser encarado também como um atrativo turístico. Não é necessário estar hospedado ali para aproveitar parte do glamour do estabelecimento escolhido pela rainha Elizabeth II (então princesa herdeira) para passar a última noite antes de anunciar seu noivado, que serviu de inspiração para a criação de James Bond e onde Elizabeth Taylor, dentro de uma banheira, assinou o contrato que a eternizaria como Cleópatra nos cinemas.
O ponto do hotel onde essas e outras histórias ecoam é na Promenade, o longo corredor no primeiro andar onde se encontram os restaurantes e os bares abertos ao público, uma das áreas de convivência mais elegantes da cidade. Nas mesas, sofás e poltronas espalhadas por um ambiente ricamente decorado (e fazendo muitas alusões a plantas e flores existentes no vizinho Hyde Park), é possível tomar o mais tradicional chá da tarde, servido todos os dias, entre 12h e 17h30. Ou também, no fundo do salão, ouvir uma boa música acompanhada por ótimos drinques no Artists’ Bar, onde um crooners se apresentam acompanhados pelo piano todo espelhado que já pertenceu ao extravagante Liberace (que, por sua vez, foi músico residente do hotel).
Pelo Promenade também se chega a alguns dos restaurantes mais concorridos de Londres. O mais famoso é o de Alan Ducasse, que ostenta três estrelas Michelin e a mais tradicional gastronomia fancesa. Para sabores mais britânicos, o The Grill é a pedida certa. O restaurante existe desde a abertura do hotel e atualmente é comandado por um chef na casa dos 30 anos, que se equilibra bem as tradições culinárias da ilha com técnicas mais modernas. E, escondido no subsolo, o China Tang at The Dorchester leva os comensais numa viagem ao extremo oriente através de pratos cantoneses.
Se a ideia é tomar apenas um drinque, vista a melhor roupa que colocou na mala e consiga um lugar no Vesper Bar, onde James Bond dificilmente teria que explicar que prefere seu martini shaken, not stirred, ou seja, batido, não mexido. O bar, que emula um ambiente de speak easy dos anos 40, tem uma forte ligação com o agente secreto mais conhecido a serviço da Coroa Britânica. O próprio nome faz referência a Vesper Lynd, mulher pela qual Bond se apaixona em “Cassino Royale”, livro de 1953 que virou filme em 2006.
Ian Fleming, o criador do personagem, foi assíduo frequentador do The Dorchester em seus tempos de funcionário da inteligência da Marinha Britânica. O entra e sai de agentes de governos estrangeiros, possivelmente espiões, o inspirou a desenvolver as histórias de 007. Seu nome, inclusive, foi tirado de uma das ruas nas imediações, a Bond Street. Essa relação ficou tão forte que o hotel foi escolhido diversas vezes para eventos de lançamento de filme, anúncio de atores que interpretariam o papel.
Aos 95 anos, o hotel não demonstra a idade que tem. Até porque passou por uma ampla reforma concluída em 2023, que renovou toda sua área comum e seus 250 quartos e 49 suítes. A decoração continua clássica, fazendo referências aos jardins ingleses, mas as comodidades foram atualizadas, como televisões super modernas e amplas e assentos sanitários inteligentes. Vale prestar atenção aos detalhes, como a presença de uma rosa branca, desenvolvida exclusivamente para ser usada apenas neste hotel – quem quiser levar uma de recordação, pode comprar na floricultura instalada na entrada do prédio.
Eduardo Maia viajou a convite do Dorchester Collection.

Chá da tarde, histórias de espiões e uma rosa exclusiva: por dentro do hotel The Dorchester, em Londres