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Chegada de montadoras e produção local vão reduzir preço de carro elétrico no país

BRCOM by BRCOM
junho 21, 2025
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A Geely vai lançar em julho um SUV elétrico no país em concessionárias da Renault, com quem tem parceria — Foto: Divulgação

Nos últimos meses, o mercado chinês de carros elétricos, o maior do mundo com vendas previstas de 12 milhões de unidades este ano, está envolvido em uma guerra de preços puxada pelas grandes montadoras locais, como a BYD. Para ganhar mercado diante de uma concorrência feroz e uma economia mais retraída, os descontos superam os 30% e a margem de ganho encolheu ao menor nível na última década.

No Brasil, o aumento do interesse dos compradores pelos veículos eletrificados, a oferta de novos modelos chineses importados e o início de produção local da própria BYD e da GWM esquentam a briga, e especialistas avaliam que o consumidor pode ser beneficiado com aumento da concorrência.

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— A produção no Brasil e em outros países é geralmente mais cara do que na China. Não acredito numa guerra de preços como a do mercado chinês, mas espero preços mais baixos e descontos maiores para os brasileiros com maior concorrência no segmento de eletrificados — disse ao GLOBO Ferdinand Dudenhöffer, professor e diretor do Centro de Pesquisa Automotiva (CAR), que pesquisa a indústria automobilística na Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha.

O mercado brasileiro dos “veículos verdes” ainda é nascente e este ano deve vender 170 mil unidades, segundo projeções do mercado. No acumulado de 2025, já são 99.392 eletrificados emplacados, contra 70.585 em igual período de 2024 — um crescimento de 40,7%, mostra levantamento da Bright Consulting, consultoria especializada no mercado automotivo.

A BYD, que aportou no Brasil em 2023 e deve começar a produzir em breve em Camaçari, na Bahia, chegou oferecendo preços competitivos para elétricos de entrada como Dolphin Mini (R$ 118 mil) e Dolphin (R$ 138 mil) e deve manter a estratégia agressiva, dizem especialistas. Esses descontos obrigaram outras montadoras a reduzir preços aqui.

Na China, nos últimos meses, a BYD reduziu o valor de 22 modelos, chegando a oferecer desconto de 34% no Dolphin Mini, que passou a custar US$ 7,7 mil (R$ 42,7 mil). No Reino Unido, a BYD lançou o Dolphin Surf por 18 mil libras, valor quase 20% abaixo do mercado para veículos concorrentes, e no Japão planeja lançar um mini elétrico com preço abaixo dos R$ 100 mil (2,5 milhões de ienes).

— A BYD tem oferecido preços competitivos, não só com veículos de entrada, mas com todo o seu portfólio. Devem manter a estratégia aqui, até porque trouxeram um grande lote de veículos recentemente ao Brasil — diz Murilo Briganti, da Bright Consulting.

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A BYD informou que constrói estratégias comerciais de acordo com a realidade do país e que a política comercial no Brasil é completamente independente da chinesa.

— Com a operação da nossa fábrica na Bahia, que vai acontecer nas próximas semanas, esperamos oferecer o melhor custo para que o consumidor brasileiro tenha na garagem um dos nossos veículos — diz Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil e chefe Comercial e de Marketing.

Na chinesa GWM, que vai começar a produzir no fim de julho o SUV Haval 6 em sua unidade no interior de São Paulo, a expectativa, por ora, é manter preços. Ricardo Bastos, diretor institucional da marca, explica que a produção local implica mais gastos tributários, além de exposição à flutuação cambial. A faixa de preços dos SUV GWM fica entre R$ 250 mil e R$ 270 mil.

— O Brasil é estratégico no movimento de internacionalização da marca pelo mercado consumidor e acesso ao Mercosul. Nosso primeiro desafio com a produção local é manter preços, já que nossa escala aqui será de 50 mil veículos/ano enquanto na China uma fábrica produz 400 mil unidades — disse Bastos, que afirma que na fábrica paulista será possível montar um carro ao gosto do brasileiro, com suspensão adaptada às estradas do país, além de sistema flex, que está sendo desenvolvido por engenheiros da marca.

A Geely vai lançar em julho um SUV elétrico no país em concessionárias da Renault, com quem tem parceria — Foto: Divulgação

Outras empresas chinesas desembarcam no país como a GAC, Omoda e Jaecoo e Geely, dispostas a brigar pelo consumidor. A Omoda & Jaecoo, do grupo Chery, comercializa desde abril os modelos Omoda E5 (um SUV elétrico) e Jaecoo 7 (um SUV elétrico plug in) por R$ 210 mil e R$ 230 mil, respectivamente.

Leandro Teixeira, chefe de produto e preço da marca diz que há intenção de produzir no Brasil, ainda este ano, em fábrica já instalada — e há conversas avançadas. Ele diz que a queda de preços na China é resultado de alta competitividade, com baixa de preços de insumos e componentes:

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— Quando há redução de preço em componente que equipa um de nossos modelos, como bateria elétrica, estudamos possível redução, considerando variáveis que impactam o preço final aqui no Brasil, como impostos e câmbio.

A Geely acirra a concorrência trazendo ao Brasil o modelo EX5, um SUV elétrico que marca o retorno da marca ao país, desta vez com modelos 100% elétricos. O lançamento está previsto para julho, em concessionárias da Renault, marca com a qual a chinesa tem parceria no Brasil. Os veículos já desembarcaram no Porto de Paranaguá, no Paraná, este mês. A Geely ainda não divulgou os preços do EX5 no Brasil, mas o modelo competirá com outros SUVs, como o BYD Song Plus e o GWM Haval H6, por exemplo, ambos na faixa de R$ 250 mil.

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  • ‘Entrega de valor real’
      • Chegada de montadoras e produção local vão reduzir preço de carro elétrico no país

‘Entrega de valor real’

A GAC, sexta maior fabricante de veículos da China, desembarcou no Brasil em maio, com o início das vendas de seus elétricos no país. Serão oferecidos cinco modelos, quatro elétricos e um híbrido, entre R$ 169,9 mil a R$ 299,9 mil. A montadora tem planos de produzir no Brasil.

— Nossa estratégia para o Brasil é totalmente baseada nas condições locais. O compromisso é oferecer veículos com tecnologia de ponta, a preços justos e compatíveis com poder de compra do consumidor brasileiro — diz Alex Zhou, CEO da GAC Brasil.

Ele diz que a produção local abre oportunidades para tornar os veículos da GAC mais competitivos no país, pela redução de custos logísticos e possibilidade de maior adequação tecnológica às condições locais. Mas a formação de preços leva em conta carga tributária brasileira, disponibilidade de fornecedores locais e custos de matérias-primas:

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— Nossa abordagem de mercado não será pautada por guerras de preços, mas pela entrega de valor real.

Para Antonio Jorge Martins, coordenador dos cursos automotivos da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, o mercado chinês deve passar por um processo de consolidação. Enquanto isso, a produção excedente é vendida para países como o Brasil.

A importação crescente de carros chineses no Brasil acendeu a luz amarela na Anfavea, que representa as montadoras instaladas no país. Ela defende que o Imposto de Importação de veículos elétricos seja elevado a 35% agora e não em julho de 2026. Na visão da entidade, o excesso de importações ameaça investimentos e afeta a criação de empregos no país.

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