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outubro 6, 2026
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Com a palavra: deputados mais votados do país, Nikolas e Pavanato priorizam segurança em discursos; Erika Hilton foca em pauta identitária

Por · outubro 6, 2026
Com a palavra: deputados mais votados do país, Nikolas e Pavanato priorizam segurança em discursos; Erika Hilton foca em pauta identitária


Candidatos a deputado federal mais votados no domingo, Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) têm, em comum, discursos focados em temas caros ao seus grupos políticos. Um levantamento do GLOBO com base nas declarações de cada um dos parlamentares mostra que Nikolas e Pavanato priorizaram temas como segurança pública, educação e família. Já Erika focou em referências a temas identitários, como “mulheres” e “LGBTQIA+”.
A análise foi feita nos mais de 3 mil discursos de Nikolas e Erika na Câmara dos Deputados, e de Pavanato na Câmara Municipal de São Paulo. A iniciativa faz parte do projeto “Com a Palavra”, que usa ferramentas de inteligência artificial para processar e interpretar volumes robustos de manifestações de autoridades.
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Os dados revelam, por exemplo, que Nikolas, reeleito deputado por 3.119.318 votos, reservou uma fatia considerável de sua atuação parlamentar para temas que afetam diretamente a população, principalmente segurança pública e educação. Entre os termos mais distintivos do vocabulário de Nikolas, segundo análise do GLOBO, estão “crime organizado”, “maioridade penal”, “Comando Vermelho” e “prisão perpétua”.
A educação é outro eixo: “crianças” e “escola” somam 37 menções por 10 mil palavras de Nikolas, que ocupou a presidência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados em 2024. A utilização da frequência por 10 mil palavras é necessária para a comparação para equilibrar o peso de cada deputado eleito: Pavanato é vereador apenas desde 2025, enquanto Nikolas e Erika fazem parte da última legislatura desde 2023.
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Como vereador, Pavanato abordou em seus discursos temas ligados a problemas da cidade, citando “guarda” ou “transporte” com frequência. Apesar disso, termos como “forças policiais” e “família” também estiveram presentes em suas declarações.
Eleito com 3.038.438 votos no domingo para uma vaga na Câmara dos Deputados, Pavanato já adotava, no Legislativo, vocabulário de temas nacionais. Além de termos como “esquerda” ou “Alexandre de Moraes”, o deputado mais votado de São Paulo também discursou sobre a chamada “agenda woke”, tratou sobre Israel e o “povo judeu” e mencionou o aliado Nikolas Ferreira pelo menos cinco vezes.
Pavanato também se destacou na referência constante ao tema da segurança pública: a expressão aparece 35 vezes a cada 10 mil palavras no seu discurso, o maior índice dos três.
O traço comum aos dois futuros deputados do PL é a nomeação recorrente de adversários. A cada 10 mil palavras, por exemplo, Nikolas citou Lula 21 vezes e o STF ou o ministro Alexandre de Moraes 16 vezes. Mesmo Pavanato, que discursava para vereadores, citou Lula 7 vezes e o Supremo outras 10, também considerando-se a frequência a cada 10 mil palavras. Como padrão de comparação, Erika cita o mesmo grupo em frequência muito menor. Lula foi citado 1,7 vezes a cada 10 mil palavras e o Supremo, 5,6 vezes.
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Pauta identitária
Erika, por sua vez, priorizou termos que se referem a grupos sociais em seu discurso, segundo o levantamento do GLOBO. A expressão “mulheres”, por exemplo, aparece 73 vezes a cada 10 mil palavras em seu discurso. O número é muito maior do que o de Nikolas (16 vezes) e de Pavanato (17,5 vezes). Como padrão de comparação, a candidata citou o termo “mulheres” em 41% dos discursos analisados pelo GLOBO.
A expressão fica mais clara quando analisada a frequência de duas palavras usadas juntas. Segundo a análise feita pelo GLOBO, as expressões que mais a distinguem formam um mapa da sua base: “mulheres negras”, “comunidade LGBTQIA+”, “igualdade racial” e “classe trabalhadora” são muito mais prevalentes em seu discurso do que nos de Nikolas e Pavanato.
Temas de racismo e direitos humanos, por exemplo, somam 18,7 menções por 10 mil palavras, quatro vezes o registrado nos discursos dos seus futuros colegas do PL.
Com 1,5 milhão de votos, Erika Hilton tornou-se a mulher mais votada da história da Câmara, superando Joice Hasselmann, que teve 1 milhão de votos em 2018.
Os dados indicam uma mudança de ênfase ao longo do mandato de Erika. A menção a temas de identidade trans caiu de 85,7 por 10 mil palavras no primeiro semestre de 2023 para 11,8 no segundo semestre de 2026.
A mudança ocorreu após a deputada apresentar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê colocar fim à jornada de trabalho 6×1. A medida, que ainda precisa passar pelo Senado para valer, se tornou uma das principais bandeiras de campanha da esquerda nestas eleições.

Com a palavra: deputados mais votados do país, Nikolas e Pavanato priorizam segurança em discursos; Erika Hilton foca em pauta identitária