O governo federal prevê que as despesas primárias cheguem a 19,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Se a estimativa se confirmar, será o maior nível desde 2020, quando os gastos contra a Covid-19 levaram o patamar a 25,59% do PIB.
O número está no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 4º bimestre, divulgado nesta quinta-feira pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.
A equipe econômica agora estima R$ 2,667 trilhões em despesas primárias neste ano, R$ 22,1 bilhões a mais que no relatório de julho.
A previsão supera o de 2023 (19,46% do PIB), ano em que o governo quitou os precatórios atrasados, e o de 2019 (19,52%). Também representa uma alta de 0,75 ponto percentual em relação a 2025 (18,8%).
Na série apresentada pelo governo, que começa em 2016, só 2016 (19,95%) e 2020 tiveram gastos maiores.
A maior parte do aumento vem dos créditos extraordinários. A previsão para esses gastos é de cerca de R$ 44 bilhões.
São, em grande parte, os subsídios ao diesel e à gasolina criados desde março para conter a alta do petróleo depois do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro.
As regras fiscais tratam esses créditos de duas formas. Eles ficam fora do limite de gastos do arcabouço fiscal, porque a lei que o criou exclui as despesas extraordinárias. Mas entram na conta do resultado primário e, portanto, pesam sobre a meta fiscal.
O efeito sobre as contas aparece no resultado. O governo agora prevê um déficit primário de R$ 80,9 bilhões (0,59% do PIB), contra R$ 52 bilhões em julho. A meta permite descontar algumas despesas, como parte dos precatórios, e esses descontos somam R$ 67,3 bilhões. Mesmo assim, o resultado fica em um déficit de R$ 13,6 bilhões, abaixo do limite inferior da meta, que é de déficit zero.
Para cobrir a diferença, o governo anunciou um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Já o bloqueio exigido pelo limite de gastos caiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões. No total, a contenção de despesas soma R$ 16,1 bilhões. O decreto que detalha os cortes por ministério será publicado até 30 de setembro.
Com subsídios a combustíveis, governo prevê gastos de 19,55% do PIB em 2026, o maior nível desde a pandemia
