Ele é obrigatório nos churrascos e nas praias, e agora passou a revestir as paredes. Capazes de reduzir a temperatura interna da casa em até 20°C em relação ao ambiente externo, placas de isopor passaram a ser usadas em projetos de construção no Brasil. Donos dos imóveis com o material e construtores compartilham em redes sociais a técnica já empregada há décadas nos Estados Unidos e em países europeus.
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O isopor foi o material escolhido pelo casal Deise Linhares e Vinicius Marafigo, quando os dois decidiram se mudar de Canoas (RS) para a Praia do Rosa, em Imbituba (SC), em busca de melhor qualidade de vida e contato com a natureza. Optaram por revestir a casa com o material, tanto por isso permitir uma construção mais rápida e sustentável quanto por ajudar a isolar o calor, que, na região, fica próximo aos 40ºC no verão. O casal mostra o resultado em seu perfil casalviniedeise, com 82 mil seguidores no Instagram.
— Estudamos muito o uso. Tirando as semanas extremamente quentes, não usamos ventilador. Moramos perto da praia e as paredes não ficam úmidas. A acústica também é isolada. Tem vezes que nem queremos sair de casa — conta Vinicius.
Deise reforça que, apesar de o isopor ser um material leve, a casa é tão resistente quanto uma feita de tijolos:
— O que nos conquistou foram os benefícios. O isopor é ecológico e todo o material é sustentado por ligas de aço dos dois lados, o que o torna ainda mais resistente. As pessoas costumam perguntar “se o lobo mau assoprar, corre o risco de a casa cair?” Sempre respondemos que não, é uma técnica extremamente segura — brinca.
Em um dos vídeos do pedreiro Felipe Oliveira, dono do perfil SOSnaconstru, que já ultrapassa 3 milhões de visualizações, ele demonstra como o uso de placas de isopor de 20 mm podem reduzir a temperatura do ambiente em 20°C. Segundo Felipe, a técnica ajuda no conforto térmico e melhora a estética, especialmente em áreas como varandas cobertas com telhas expostas.
Felipe demonstrou a eficácia do isopor com um termômetro: antes da aplicação, a temperatura no telhado da obra em que trabalha atinge 67°C; depois, cai para 47°C. O pedreiro explica que o EPS utilizado é antichamas e a fixação com massa acrílica dá um acabamento resistente. Nos comentários do vídeo do perfil, seguidores compartilharam suas experiências ao aplicar a técnica em suas próprias casas.
— Gastei R$ 70 em cada fardo desse isopor que cobre 6 metros quadrados. Comprei um galão de massa acrílica para colar direto na telha e depois fazer a emenda com essa fita de drywall. Foram R$ 300, já contando com todo o acabamento. A aplicação é simples e qualquer pessoa consegue fazer — detalha.
O poliestireno expandido (EPS), nome técnico do isopor, pode ser usado em lajes, paredes, coberturas e até no mobiliário. A aplicação surgiu na Itália, há 40 anos, diante da necessidade de um material barato e resistente a catástrofes climáticas como tufões, terremotos e vendavais. Foi aprimorada nos Estados Unidos em seguida e chegou ao Brasil nos anos 1990. Mas o uso de materiais como o concreto leve com EPS e os painéis monolíticos só começam agora a ser mais conhecidos, com a ajuda dos conteúdos difundidos nas redes.
Diretor administrativo do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo, o engenheiro civil João Bosco Nunes Romeiro diz que o uso do isopor tem ganhado espaço no Brasil principalmente em projetos de casas sustentáveis e rápidas de construir, como o de Deise e Vinicius. Em revestimentos de teto, a temperatura interior da casa, segundo Romeiro, pode ser reduzida em até 8ºC.
— O isolamento térmico mais eficiente vai depender da forma como o isopor é aplicado e da espessura do material. Caso seja mais espesso e colocado no teto a um metro do telhado, cria-se um colchão de ar que aumenta o isolamento do calor. Se for feita uma abertura para ter ventilação cruzada (com ao menos duas aberturas em paredes opostas ou adjacentes para a circulação do ar), o resultado é mais eficiente. No inverno, acontece o inverso. A casa fica mais aquecida e as propriedades do isopor isola o frio — explica o especialista.

Técnica de isolamento térmico com isopor viraliza e promete reduzir temperaturas em até 20°C
Para a segurança da casa, o ideal é que o material seja antichamas. O isopor já é encontrado em lojas comuns de construção e é de fácil manuseio.
De acordo com Romeiro, por não ser uma técnica tão popular no país, casas de pessoas com menor poder aquisitivo ainda não tendem a ser construídas com o isopor. Para o engenheiro, seria uma política pública a ser estudada, especialmente em áreas mais quentes, como periferias:
— Muitos já usam ao menos no teto, em cima do forro, onde há maior incidência do sol. Existe o mito de que não se pode fazer perfurações, mas o material é super resistente. A técnica não encarece em nada a obra. É acessível e precisa ser difundida para que as condições de habitação das residências sejam mais dignas.
- Temperatura: Placas de poliestireno expandido (EPS) podem reduzir a temperatura interna de uma casa para cerca de 20°C no verão, se forem aplicadas nas paredes. Em revestimentos de teto, a temperatura interior pode ser reduzida em até 8ºC. Se o material for colocado no teto a um metro do telhado, o efeito é um colchão de ar que aumenta o isolamento do calor. No inverno, o resultado é inverso: a casa fica mais aquecida e as propriedades do isopor isolam o frio.
- Resistência: O material é resistente, apesar de ser leve, e pode ser sustentado com o apoio de ligas de aço, o que reforça a sua segurança. As paredes com isopor não ficam úmidas e o material também suporta melhora a umidade, além de proporcionar isolamento acústico.
- Custo: O isopor é um barato e poderia ser aplicado a residências em regiões quentes, mas ainda é pouco adotado por pessoas de menor poder aquisitivo. O uso do material nos Estados Unidos e na Europa é comum.
(*estagiário sob a supervisão de Alfredo Mergulhão)
