Alvo de mais de 1.500 queixas só no site Reclame Aqui, além de denúncias ao Procon de São Paulo por não entregar itens vendidos, a loja Madeirado, que vende mesas de madeira por até R$ 16 mil, tornou-se alvo de um inquérito por possível estelionato na Polícia Civil do Rio de Janeiro. O estabelecimento afirma que as acusações contra ela são “infundadas” e argumenta que “enfrentou desafios operacionais e financeiros” desde a pandemia da Covid-19.
Veja abaixo o que se sabe sobre o caso.
As mesas de madeira vendidas pela marca custam entre R$ 2 mil e R$ 16 mil. Segundo o site da loja, as entregas são feitas em todo o país. No Facebook da empresa, são mais de 200 reclamações. Os clientes se dizem lesados e alguns citam até que a loja estaria aplicando um golpe. No site Reclame Aqui, são mais de 1.500 queixas. No Procon de São Paulo, desde 2024, foram 132 reclamações de consumidores, a maioria por “não entrega ou demora na entrega”. A empresa, porém, não foi autuada até aqui.
Inquérito no Rio de Janeiro
Uma investigação sobre um possível estelionato ligado à empresa está em andamento na 10ª DP (Botafogo). A cliente lesada é Roberta Pacheco, que, em julho do ano passado, chegou ao site da Madeirado enquanto procurava por mesas de madeira rústicas.
Ela consultou o Reclame Aqui antes de comprar uma mesa por R$1.990, mas constatou que, na época, a avaliação do estabelecimento era descrita como “boa”. Só depois ela percebeu que a menção positiva só ocorria porque a loja costuma responder às reclamações, prometendo, e não necessariamente cumprindo, soluções.
Após não ter recebido a mesa no prazo estipulado de 35 dias, Roberta resolveu ir até o endereço informado pela loja, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste carioca, a fim de cobrar explicações. Lá, encontrou uma construção abandonada em meio a um matagal. A cliente não recebeu a mesa até hoje, passados oito meses.
— Agora, se você pesquisar no Google pelo nome “Madeirado”, vai aparecer esse mesmo endereço e um jardim bem cuidado, e essa mesma construção com letreiros grandes da marca, só que parece feito em computador. Estive pessoalmente neste endereço e não existe loja. O que existe é o matagal e a tal casa abandonada — conta Roberta.
Ao perguntar sobre o imóvel a uma atendente da loja, por telefone, a cliente ouviu a resposta de que o imóvel do Rio estaria em reforma. Na semana passada, Roberta registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil por estelionato.
Procurada pelo GLOBO, a Madeirado chamou de “infundadas” as alegações de fraude e má-fé e alegou que “enfrentou desafios operacionais e financeiros que impactaram sua capacidade operacional” depois da pandemia da Covid-19. A loja afirma estar implementando um plano de reestruturação para evitar novos problemas, o que inclui ampliação do estoque, contratação de novos colaboradores e investimento em tecnologia para garantir entregas mais rápidas.
Em relação ao alto número de queixas no Reclame Aqui, o estabelecimento diz que a quantidade está “dentro do padrão”, pois a média seria de 16 por mês desde que começou a operar, e que todas as reclamações são respondidas. Entre as propostas normalmente ofertadas aos clientes insatisfeitos, a Madeirado frisa que há envio de vouchers ou alternativa de envio de outras peças em pronta entrega, o que inclusive teria sido oferecido a Roberta Pacheco.
Sobre o endereço da loja no Rio, a Madeirado respondeu que houve uma mudança, ano passado, para o bairro de Paciência, também na Zona Oeste, mas que ainda não houve atualização no Google. “A Madeirado reitera seu compromisso com a transparência, a ética e a melhoria contínua de seus processos, buscando sempre solucionar conflitos de forma amigável e justa”, afirma a nota.

