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setembro 27, 2026
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Dallas Cowboys Cheerleaders no Rio: veja quem são as líderes de torcidas cariocas que também vivem a paixão pelo esporte

Por · setembro 27, 2026
Dallas Cowboys Cheerleaders no Rio: veja quem são as líderes de torcidas cariocas que também vivem a paixão pelo esporte


Era sonho de infância. Juliana Fernandes, de 24 anos, não saiu ilesa da adolescência depois de assistir em muitas “Sessões da tarde” aos incontáveis filmes de high school e líderes de torcida: se apaixonou por esse universo e há oito anos é atleta da modalidade. A influência começou com “As apimentadas”, de 2000. A paixão se consolidou mais recentemente, com o reality da Netflix “As cheerleaders do Dallas Cowboys”, lançado em 2024, que estourou com milhões de visualizações logo nos primeiros dias. Agora, a cultura segue não só sendo disseminada, como desembarcou no Rio: as líderes de torcida americanas performam ao vivo no gramado do Maracanã neste domingo, no jogo da NFL entre o time texano e o Baltimore Ravens.
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— Há algo realmente especial em levar as Dallas Cowboys Cheerleaders (DCCs) a um lugar onde nunca nos apresentamos antes — disse a diretora sênior do grupo, Kelli Finglass, em entrevista exclusiva ao GLOBO. — Já nos apresentamos para fãs dos Cowboys em todo o mundo, mas fazer isso aqui no Brasil é algo que, com certeza, vamos valorizar e lembrar. Estamos animadas para vivenciar esse momento e fazer parte de algo que aproxima ainda mais Dallas e o Rio.
Juliana Fernandes é lançada pelos colegas durante o treinamento de líderes de torcida no Grand Casino, clube de cheerleading na Gávea
Marcelo Theobald
De São Conrado, na Zona Sul da cidade, onde mora, Juliana conta sobre a admiração pela forma como as DCCs interagem com a torcida. A jovem se encantou pela modalidade ainda adolescente e começou a praticar aos 16 anos, quando teve a chance de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos e ficou seis meses no time de torcida da escola, na cidade de Moraga, na Califórnia.
— É muito legal ver como elas engajam a torcida. Algumas meninas vão ao jogo só para vê-las. Acho incrível — conta a jovem, que relembrou a própria história: — Tudo começou com o filme “As apimentadas”. Eu via os pompons, as pirâmides, os movimentos e queria fazer. Depois, no Brasil, entrei para o grupo da universidade. Sempre achei o máximo — conta Juliana, que hoje compete em nível internacional pelo Grand Casino All Stars, um ginásio de cheerleading na Gávea. Antes, ela era capitã da atlética do curso de Medicina da Estácio de Sá, na Barra da Tijuca.
Dallas Cowboys no gramado do estádio do Maracanã
Reprodução do Instagram
Para além das telas, o cheerleading é uma modalidade esportiva que reúne dança, ginástica, coreografias e acrobacias em grupo. Há duas vertentes principais: o sideline, que é a animação de torcida, como as jovens do Dallas Cowboys fazem, e o competitivo, que se apresenta para jurados em campeonatos locais e mundiais. Não é um esporte olímpico, mas já foi reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional.
No Rio, a cultura se divide entre grupos de líderes de torcida de escolas e de universidades, que têm as chamadas atléticas e disputam nos jogos universitários, e os clubes de ginásio, que oferecem treinamento profissional e competem com outros clubes em níveis estadual, nacional e internacional.
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Mas o movimento por aqui ainda é recente, segundo explica Felipe Leal, diretor da Confederação Brasileira de Cheerleading Desportivo. Ex-atleta da seleção brasileira, ele acumula medalhas de bronze e prata em dois pan-americanos e um mundial. Com a experiência, fundou a Associação Carioca de Cheerleading, que organiza eventos no setor, e montou o próprio ginásio, o Royal Cheer.
— É um esporte bebê no Brasil. Começou em 2008, com os primeiros campeonatos, e, ao Rio, chegou em 2011. Eu comecei dentro de um clube profissional em 2013 e, com o passar dos anos, percebi uma lacuna em relação aos eventos no país. Desde então, passei a trabalhar para mudar isso — observa ele.
Pela história com o esporte, Felipe Leal foi procurado pela NFL Party Patrol — grupo oficial de entretenimento escalado para agitar o pré-jogo e as cerimônias da NFL — para ajudar a selecionar 22 atletas brasileiros de cheerleading. A organização não entrou em detalhes, mas a ideia é que eles integrem a equipe de animação no jogo de hoje.
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Pelo menos quatro desses atletas são do Grand Casino, o clube da Gávea. Mas, a pedido da NFL, precisam manter o suspense sobre tudo o que vai rolar até o momento do jogo. O ginásio foi fundado por atletas e ex-atletas da modalidade que atuaram nos primeiros clubes do Rio, e surgiu, em 2018, a partir da demanda de alunos que queriam treinar e não tinham um local apropriado.
— Eu estudava Educação Física e dava aula em uma escola americana. E muitas mães me procuravam perguntando se eu dava aula fora do horário escolar. Então, o público é geralmente de alunos que vêm de escolas internacionais, onde têm o primeiro contato com o cheer, e a gente os vai profissionalizando até chegar ao alto nível — conta Vinícius Lima, treinador e sócio do Grand Casino.
Crias das universidades
Hoje eles treinam um público diverso, de 6 a 33 anos, sem qualquer pressão estética corporal.
— O cheerleading é um esporte bem abrangente e democrático; todos os corpos podem estar nessa modalidade. O Dallas tem uma questão estética própria aplicada, mas o cheer abraça os dispostos — enfatiza Guilherme Santos, também sócio e treinador do Grand Casino.
Os dois amigos vieram de experiências universitárias, porta de entrada para muitos atletas. No Rio, diversos cursos em universidades públicas e privadas têm as próprias atléticas. A equipe do curso de Direito da Uerj, batizada de Themis, possui 20 integrantes. Elas não competem, mas se apresentam anualmente nos Jogos Jurídicos, uma competição poliesportiva que reúne estudantes de diferentes faculdades de Direito do país.
Atlética do curso de Direito da Uerj: universidade é a porta de entrada de muitos atletas
Reprodução do Instagram
— Duas vezes por ano fazemos um treino aberto para que os estudantes possam conhecer e participar da atividade. Não exigimos nenhum tipo de preparo ou experiência, ensinamos os conceitos e movimentos mais básicos — conta Luíza Roque, capitã da Themis. — O cheerleading cria um lugar de pertencimento na faculdade. Isso, para mim, é o mais bonito do esporte.

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