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De Duque de Caxias ao Parlamento da Flórida: a trajetória do brasileiro que chegou aos EUA sem documentos e foi eleito deputado

Por · novembro 4, 2026
De Duque de Caxias ao Parlamento da Flórida: a trajetória do brasileiro que chegou aos EUA sem documentos e foi eleito deputado


Sem falar inglês e sem documentação migratória, Felipe Sousa-Lazaballet deixou Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e chegou sozinho a Miami, nos Estados Unidos, aos 14 anos. Quase 25 anos depois, o brasileiro fez história ao se tornar o primeiro brasileiro eleito para a Assembleia Legislativa da Flórida. Ele derrotou a republicana Bonnie Jackson nas eleições de meio de mandato americanas, conhecidas como midterms, cuja votação terminou na última terça-feira.
Após a vitória, Felipe recorreu às redes sociais para agradecer aos eleitores e associar sua trajetória ao chamado sonho americano.
“Não há palavras para expressar a honra e a gratidão que sinto nesta noite. Minha história é o sonho americano: cheguei aqui sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o privilégio extraordinário de lutar pelos meus amigos e vizinhos como representante eleito”, escreveu o democrata.
A vitória representa mais um capítulo de uma trajetória marcada pela migração, pela dificuldade de acesso à educação e pela mobilização em defesa dos direitos dos imigrantes. Filho de uma empregada doméstica e mãe solo cearense, Felipe cresceu em uma casa inacabada em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias. Nas redes sociais, contou que as janelas eram cobertas com plástico para impedir a entrada da chuva, a água vinha de um poço e não havia iluminação elétrica. A rua não tinha asfalto e o esgoto corria a céu aberto.
A mãe trabalhava em três empregos, das cinco da manhã até a noite, para sustentar a família. A mudança para os Estados Unidos aconteceu em 2001, depois que a irmã mais velha, que havia emigrado seis anos antes, cumpriu a promessa de levá-lo para o país antes que completasse 15 anos. Como a mãe não conseguiu visto, Felipe viajou sozinho e passou a viver com a irmã, que já morava em Miami.
A relação com a política americana, no entanto, começou antes da conquista da cidadania. Aos 26 anos, o brasileiro foi contemplado pelo DACA, sigla em inglês para Ação Diferida para Chegadas na Infância. Criado durante o governo do ex-presidente Barack Obama, o programa oferece proteção temporária contra a deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças.
Em 2020, quando se casou com Luis Sousa-Lazaballet, Felipe já havia obtido o green card, por meio de uma petição familiar. No ano seguinte, conquistou a cidadania americana. Com a eleição, torna-se também o primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar o Legislativo estadual dos Estados Unidos.
Entre as principais bandeiras apresentadas pelo brasileiro estão medidas para enfrentar o aumento do custo de vida, ampliar a oferta de moradias acessíveis, fortalecer o financiamento das escolas públicas e melhorar o acesso aos serviços de saúde.
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