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setembro 23, 2026
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Documentário sobre a Ilha da Conceição, em Niterói, é destaque em festival de cinema

Por · setembro 23, 2026
Documentário sobre a Ilha da Conceição, em Niterói, é destaque em festival de cinema


A história da Ilha da Conceição, marcada pela relação dos moradores com o mar e pelas profundas transformações provocadas pela ocupação urbana e pelas atividades industriais, chega às telas no 15º Filmambiente. O documentário “Quanta reza será preciso para um simples banho de mar”, da cineasta niteroiense Liliane Mutti, foi selecionado para a competição de documentários brasileiros do festival, que começou na terça-feira (22) e terá parte de sua programação no Cine Arte UFF, em Icaraí.
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A participação do documentário coloca uma história de Niterói dentro do festival, que, nesta edição, reúne 60 filmes brasileiros e internacionais. Criado em 2011, o Filmambiente é voltado a produções que discutem questões ambientais, sustentabilidade e suas diferentes dimensões. A programação deste ano foi escolhida entre quase 400 filmes de 60 países, segundo a organização.
O Filmambiente será realizado até 2 de outubro. A sede principal será o Estação Claro Rio, em Botafogo, mas parte da programação será distribuída por outros espaços, incluindo a Biblioteca Parque Centro, a Cinemateca do MAM, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e o Cine Arte UFF. Também haverá exibição on-line de curtas-metragens, com acesso para o público de todo o Brasil pelo PortaCurtas.
O filme de Liliane Mutti, que será exibido no Estação Claro Rio, sábado, às 21h, seguido de debate com a equipe, parte da memória da antiga Ilha da Conceição, que, antes das transformações sofridas ao longo das décadas, tinha uma relação muito mais próxima com o mar. Hoje, o acesso à água é bloqueado em diferentes pontos do lugar, marcado pela presença de atividades industriais e portuárias. A produção recupera essa memória para refletir sobre as mudanças ambientais e sociais que alteraram a relação da população com a ilha.
— “Quanta reza” olha para a Ponte Rio-Niterói não para negar a importância de uma obra de infraestrutura, mas para perguntar o que não foi levado em consideração quando ela foi construída. O cinema pode recuperar aquilo que ficou fora da imagem oficial do progresso. E essa memória pode nos ajudar a prevenir erros em novas grandes intervenções. Cinquenta anos depois, temos instrumentos ambientais, conhecimento e uma sociedade muito mais atenta. Não podemos repetir a lógica de construir primeiro e escutar o território depois — diz a diretora.
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‘Ações e consequências’
Além da produção niteroiense, o público poderá acompanhar uma programação especial do Filmambiente no Cine Arte UFF. As sessões começam na quinta-feira e incluem filmes das mostras do festival e atividades de debate.
A abertura da programação na cidade terá como destaque o documentário “Poder no deserto” (2025), de Emiliano Rodriguez Nuesch. A produção acompanha três comunidades que enfrentam os efeitos da chamada transição energética, em uma trajetória que passa pela Califórnia e pelo chamado triângulo do lítio, na Argentina e no Chile.
Professora da UFF e escritora, Ynaê Lopes dos Santos participa de painel no Cine Arte
Divulgação/Ricardo Borges
Depois da exibição, haverá o painel “Rizoma das Américas: descolonização em movimento”, com participação da historiadora, professora da UFF e escritora Ynaê Lopes dos Santos, que é curadora dos painéis temáticos do Filmambiente; e da historiadora contra-colonial Amanda Mara Goytaká.
—O painel se propõe a pensar os rizomas da América a partir das ações de comunidades, sobretudo as indígenas, na luta contra a exploração desmedida de recursos naturais em diferentes territórios — destaca Ynaê.
A discussão integra o eixo temático desta edição do festival, que tem como tema “Ações e consequências”. A proposta é reunir filmes e debates que tratem dos efeitos sociais e ambientais de diferentes modelos de desenvolvimento e das formas de enfrentamento encontradas por comunidades em diferentes partes do mundo.
As sessões em Icaraí são gratuitas, com retirada de ingressos no local. A programação completa está disponível no site do Filmambiente (filmambiente.com.br).
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