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setembro 23, 2026
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Eleição entre Haddad e Tarcísio em SP é marcada por recorde de ações na Justiça Eleitoral

Por · setembro 23, 2026
Eleição entre Haddad e Tarcísio em SP é marcada por recorde de ações na Justiça Eleitoral


A atual eleição de São Paulo, disputada por Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai ficar registrada por algumas marcas históricas. Pela primeira vez desde a redemocratização, não há mais de dois candidatos com chances de ir ao segundo turno. A quantidade de debates e sabatinas também ficará aquém do registrado em campanhas passadas, como mostrou O GLOBO na terça-feira (22). Juntam-se a eles outros dados que não tiveram a mesma relevância em pleitos pretéritos: o número de ações judiciais movidas por Haddad e Tarcísio cresceu 121%, quando comparada a eleição de 2022.
Entre os dias 16 de agosto, data oficial do início da campanha, e o dia 20 de setembro, o incumbente Tarcísio entrou com 33 processos contra o opositor, sua coligação ou políticos do grupo ligado ao PT. Do outro lado, o número de demandas judiciais está em 29. O total de 62 processos corresponde, em média, a 1,7 processo por dia.
Em comparação, há quatro anos, também durante o mesmo período, foram ajuizadas 28 ações. Em 2018, foram 16 demandas. Ao contrário da corrida atual, as duas anteriores foram disputadas com mais candidatos com chances de pular ao segundo turno.
Do lado de Tarcísio de Freitas, a maior parte dos processos foi movida após comentários e publicações de Haddad sobre a privatização da Sabesp, ocorrida no início da gestão. O aumento da conta de água foi o principal foco das propagandas e das ações. Em algumas das peças publicitárias, o petista afirmava que Tarcísio “mentiu” ao dizer que não haveria reajuste na conta. Para o governador, que contestava a afirmação, houve um reajuste de preço pela inflação, de cerca de 6%, o que, na sua visão, não caracteriza aumento.
Das 33 ações, 13 foram pedidos de direito de resposta sobre a companhia de água. Em todos a liminar não foi deferida. Os processos continuam correndo quanto ao mérito.
Banco Master
Uma doação de R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022 levou o atual governador a pedir dez direitos de resposta a Haddad ou pessoas ligadas a seu grupo político, dos quais oito foram negados. Há quatro anos, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcado, do Banco Master, depositou R$ 2 milhões na conta da campanha de Tarcísio, a título de doação eleitoral. Outros R$ 3 milhões foram doados à campanha de Jair Bolsonaro.
Este ano, devido aos escândalos financeiros do banco, a campanha de Haddad fez diversas postagens e inserções comerciais ligando Tarcísio ao caso Master. Para o atual governador, as citações foram ilegais, mas a Justiça não acatou todas as alegações.
Os dois processos em que o governador obteve liminar favorável foram contra o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e contra o deputado estadual Antonio Donato. No primeiro caso, o órgão sindical postou uma montagem de Tarcísio ao lado de Vorcaro e Bolsonaro. Atrás do trio aparecia uma pilha de dinheiro. Já em relação a Donato, a decisão de retirada de post ocorreu após o parlamentar, candidato à reeleição, dizer que “a casa caiu” para o governador.
Ele se referia às duas propostas de delação premiada de Vorcaro, rejeitadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, que apresentavam apontamentos de que os valores de Zettel eram objeto de propinas negociadas pelo ex-secretário Gilberto Kassab.
Postagem de Antonio Donato (PT), retirada do ar por decisão judicial
Reprodução
Na ocasião da publicação das delações negadas de Vorcaro, Tarcísio negou irregularidades.
— Primeiro, acho que é uma ilação que beira o ridículo, né? Imaginar que eu vou pedir algum favorecimento, ou que o presidente Bolsonaro ia pedir algum favorecimento, é uma coisa que não faz o menor sentido — afirmou o governador. O mesmo ocorreu com Kassab, que também desmentiu irregularidades. Procurado, Donato não quis se manifestar.
De Haddad para Tarcísio
Ao contrário de Tarcísio, a maior parte dos processos movidos por Haddad não foi para obter direito de resposta. Das 29 demandas, 12 contestam a utilização de prédios públicos e estrutura do governo para a realização de ações eleitorais.
Em uma das ac’ões, uma série de notícias da gestão — publicada em canais oficiais — foi objeto de contestação por parte da Coligação Desperta São Paulo, composta por PT e demais partidos que apoiam Haddad. A alegação é que a Lei Eleitoral proíbe, a partir de 4 de julho, a publicidade institucional de atos, programas e obras, entre outros.
Em 31 de agosto, a juíza Domitila Manssur, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), determinou que o governo removesse conteúdos publicados após o período determinado pela lei.
Dois dias antes, em outra decisão, desta vez favorável ao candidato à reeleição, o TRE negou uma ação movida por Haddad que contestava a participação do governador na Festa do Peão de Barretos. A alegação foi de que ele teria utilizado o espaço para fazer propaganda eleitoral, em equiparação a showmícios, vedados pela lei.
Para a juíza auxiliar Claudia Fonseca Fanucchi, porém, a festa é um evento tradicional e cultural realizado há décadas, sem ter sido concebido ou estruturado com finalidade eleitoral.
Pouco debate
Com a ausência de Tarcísio do debate que a TV Record promoveria na segunda-feira (21), a atual campanha é que menos teve debates desde 2010.
Este ano, Tarcísio só foi ao debate da Band, em 9 de agosto, sete dias antes do início oficial da campanha. Desde então, tem recusado vários convites para embates com o rival e sabatinas. Com dificuldades para levar a disputa ao segundo turno, Haddad é mais assíduo nesses eventos, nos quais cobra disposição do governador para discutir sua gestão. Ontem, chamou a ausência dele de “desrespeito”.
— Estamos com problema na segurança, na saúde, na educação, nas finanças do estado, e eu queria ter tido a oportunidade de confrontar meu diagnóstico e minhas propostas para São Paulo com as do atual governador, que vem prestando um serviço, nessas áreas, aquém das nossas possibilidades — reclamou Haddad, na Record, que fez uma entrevista de 30 minutos com o petista diante do púlpito vazio de Tarcísio.
O próximo encontro entre os dois está marcado para o dia 29, na TV Globo. Se o governador comparecer, o primeiro turno terminará com apenas dois debates entre ele e o ex-ministro da Fazenda. Nos pleitos realizados entre 2010 e 2018, houve ao menos cinco debates no primeiro turno. Na eleição de 2022, foram pelo menos três, mas houve cinco sabatinas de veículos de imprensa.
No entanto, havia mais candidatos competitivos, como o então governador Rodrigo Garcia, que não conseguiu se reeleger pelo PSDB. Com só dois candidatos convidados, os debates neste ano são inviabilizados quando um falta. Com o último Datafolha apontando cerca de 20 pontos de vantagem para o governador, que pode ser reeleito já em 4 de outubro, Haddad tenta dissipar o clima de um segundo turno antecipado.

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