A falta de higienização de um liquidificador provocou a contaminação de um milk-shake com resíduos de avelã e levou à morte de uma menina de 12 anos em Londres, na Inglaterra. Mia Shay St Hilaire, que tinha alergia a oleaginosas, sofreu uma reação alérgica grave após consumir a bebida em uma cafeteria em agosto de 2023. A investigação sobre o caso foi concluída na quinta-feira (8), com a identificação de falhas nos procedimentos de segurança alimentar do estabelecimento.
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Mia estava acompanhada da tia e da irmã quando pediu um milk-shake de Twix no Pop Inn Café, em Bermondsey, no sudeste de Londres. O liquidificador utilizado no preparo havia sido usado anteriormente para fazer uma bebida de Kinder Bueno, que contém avelã, e não foi lavado antes de receber os novos ingredientes.
A contaminação cruzada ocorre quando um alimento entra em contato com outro ingrediente, direta ou indiretamente, transferindo substâncias que não deveriam estar presentes no produto final. No caso de pessoas com alergias alimentares, até mesmo pequenas quantidades de um alérgeno podem desencadear uma reação grave.
Como a higienização poderia ter evitado a contaminação
A limpeza adequada dos equipamentos entre o preparo de diferentes bebidas é uma das medidas necessárias para evitar a transferência de resíduos de ingredientes alergênicos. No caso de Mia, a higienização do liquidificador antes do preparo do milk-shake de Twix poderia ter removido os resíduos de avelã deixados pela bebida anterior. Outra medida de prevenção seria a manutenção de dois liquidificadores, sendo um deles apenas para uso sem ingredientes alergênicos.
A prevenção também exige que os estabelecimentos identifiquem os ingredientes utilizados nos produtos, informem os consumidores sobre a presença de alergênicos e adotem procedimentos para evitar o contato entre alimentos e utensílios contaminados.
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Imagens de câmeras de segurança mostraram que o responsável pela cafeteria, Baris Yucel, não havia lavado o liquidificador antes de preparar a bebida. Após consumir o milk-shake, a menina sofreu anafilaxia, uma reação alérgica grave que pode comprometer a respiração e a circulação sanguínea.
Mia recebeu atendimento de emergência e foi levada para a unidade de terapia intensiva do Hospital Infantil Evelina London, mas não resistiu.
Responsável pela cafeteria foi condenado
Em janeiro de 2025, Yucel se declarou culpado de seis infrações relacionadas à segurança alimentar. Entre elas estavam a falta de informações visíveis sobre alergênicos para os consumidores, a ausência de medidas para evitar a contaminação cruzada e o fornecimento de um produto que continha um ingrediente alergênico que não deveria estar presente.
O responsável foi multado em 18 mil libras (R$ 118,8 mil) e condenado a cumprir 100 horas de serviços comunitários.
Família cobra mudanças nas regras de segurança alimentar
Após a conclusão da investigação, os pais de Mia, Adrian St Hilaire e Chanel Spence, defenderam mudanças nas regras de segurança alimentar para reduzir os riscos enfrentados por pessoas com alergias.
A família argumenta que as classificações de higiene dos estabelecimentos não deixam claro como os riscos relacionados a alergênicos são administrados. Por isso, os pais defendem a criação de uma classificação específica, visível aos consumidores, que avalie os procedimentos adotados para prevenir esse tipo de contaminação.
A proposta permitiria que pessoas com alergias tivessem acesso a informações mais claras antes de escolher onde comer. Os pais também pediram que as autoridades adotem medidas para evitar que outras famílias passem pela mesma situação.
Entenda como higienização de liquidificador poderia ter evitado morte de menina de 12 anos em Londres
