Encerrado o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que encaminhou a definição da eleição do Rio já no primeiro turno, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas (PL), começou a falar nesta quinta-feira no que imagina ser o seu governo a partir de 5 de janeiro, data marcada para a posse.
Em entrevista ao GLOBO após o término da sessão que anulou os votos de Anthony Garotinho por 5 a 2, Ruas falou sobre as primeiras medidas que pensa em implementar no comando do Palácio Guanabara e tratou de segurança pública, tema apontado pelo eleitor fluminense como o mais importante a ser enfrentado pelo futuro governador. Também apontou os principais fatores para virar a eleição contra o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que anunciou que vai levar o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Abaixo os principais trechos da conversa:
São anos de governantes fazendo promessas na área da segurança e nunca um resultado concreto. Por que vai ser diferente com o senhor, que falou a campanha toda que o tema será prioridade, e podemos esperar mais operações como a do Alemão e da Penha, que matou 122 pessoas?
Vai ser prioridade, mesmo. Vamos convocar todos os excedentes aprovados em concursos da polícia e aumentar o efetivo para começar a combater o domínio territorial dos bandidos no estado. Sobre operações, Nosso plano prevê, sim, operações e a retomada permanente dos territórios. Mas vamos avaliar ainda as áreas para entender qual energia usaremos em cada favela. O que posso adiantar é que não ficaremos fazendo sucessivas operações em comunidades sem plano de ocupação. É operação planejada para imediatamente ocupar. Precisamos garantir para o morador da favela o mesmo policiamento ostensivo da orla do Rio.
E vão começar por onde?
Não vou dizer. Esse foi o erro da UPP, anunciar onde seriam as operações com antecedência e aí ninguém era preso. Não vou fazer assessoria para bandidos.
Há um receio de que haja um aumento da letalidade na medida em que o senhor prometeu na campanha que vai retirar os autos de resistência da avaliação do cumprimento de metas de policiais. Como responder a essa questão?
Não existe essa correlação. Errado é punir o policial que está apenas exercendo o seu dever de ofício. Além disso, como prometi na campanha, vou criar um indicador que avalia a ocupação de territórios pelos batalhões.
O senhor vai colocar um político ou um policial no comando da Segurança Pública do Rio?
Anunciarei em breve, não vou dizer agora.
Existe alguma grande obra a ser prometida para os próximos quatro anos?
Não vou falar tudo agora, senão não tenho o que contar para a população nos próximos três meses.
Vai dar secretarias para outros partidos para construir maioria na Assembleia Legislativa?
Minhas escolhas serão técnicas.
É o discurso inicial de todo governante…
Pode até ter algum deputado que vire secretário pela competência que tiver. Foi o meu caso, por exemplo. Agora ter indicação de deputado em contrapartida de algo? Não vai ter.
Doutor Luizinho, do PP, não vai comandar a área da saúde com indicados?
De maneira alguma.
O senhor parece estar com esse discurso porque o Centrão fluminense te abandonou no primeiro turno, tendo como maior símbolo disso a desistência do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, de ser seu vice. A turma ter abraçado a candidatura Eduardo Paes terá impacto?
Não, estou falando como penso a montagem de um governo. Não é da minha concepção. O que penso agora é que temos, inclusive, que fazer uma revisão do organograma do estado e cortar secretarias. Não construí uma candidatura alicerçada em alianças políticas, foquei em mostrar a minha trajetória.
Mesmo tendo sido secretário das Cidades de Cláudio Castro, Paes não conseguiu colar a rejeição do ex-governador no senhor de maneira avassaladora. Por quê?
A população resolveu dar um basta numa geração de políticos e eu é que representei o novo na eleição. Essa turma do Paes é da cultura dos privilégios e de frequentar camarotes na Sapucaí. Passa a impressão na população de querer ser governador só para mudar de palácio.
Nesse jogo de narrativas que é uma campanha eleitoral, você deve muito ao seu marqueteiro Paulo Vasconcelos também, certo?
Agradeço muito a ele. A campanha do meu adversário foi o retrato da velha política. Ao invés de discutir proposta, prefere ficar atacando os adversários. Fiz uma campanha limpa e propositiva. A população entendeu que eu tive apenas uma responsabilidade institucional no governo que se encerrou e que não tenho relação com outras secretarias e políticas da administração passada.
O que acha de Paes levar o caso ao Supremo e todas as batalhas jurídicas que ocorreram no estado esse ano?
Meu adversário insiste em desafiar a Justiça Eleitoral. Já foi assim durante o processo eleitoral com campanha negativa que ele fez contra mim. Foram mais de 20 decisões favoráveis do Judiciário para ele retirar propaganda irregular do ar.
O próximo passo do PL do Rio será tomar a prefeitura do Rio de Eduardo Cavaliere, em 2028?
Não estamos pensando em eleição municipal ainda. Teremos diálogo com respeito com todos os 92 municípios independentemente do partido político. Nosso foco agora é eleger Flávio Bolsonaro no fim do mês e iniciarmos juntos uma mudança no Rio e no Brasil.
Durante a campanha, veio à tona a notícia de que o senhor é investigado pelo Ministério Público por peculato e lavagem de dinheiro devido ao crescimento patrimonial da sua empresa chamada Saur. Teme o avanço dessa apuração?
De maneira alguma. O MP já arquivou antes uma investigação semelhante. Essa apuração teve início a partir de uma denúncia anônima e vai ter o mesmo desfecho. Sei muito bem separar a minha vida pública da vida privada. O Rio real venceu o mar de mentiras que foi lançado contra mim.
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