Perfis de esquerda resgataram nesta semana postagens antigas de Lucas Pavanato (PL-SP) nas quais o deputado federal eleito critica a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. Entre 2020 e 2021, o parlamentar fez publicações e falas públicas questionando a postura do então ocupante do Planalto diante das mortes pela Covid-19 e o acusando de “trair o povo brasileiro”.
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— Nós estamos aqui hoje porque Bolsonaro traiu as promessas de campanha. Prometeu defender a vida, mas esteve do lado da morte na pandemia! Pessoas morreram sufocadas sem oxigênio por culpa da irresponsabilidade do Bolsonaro! — disse Pavanato durante ato na Avenida Paulista.
Pavanato foi eleito deputado federal por São Paulo com 3.038.438 votos este ano, quando disputou pelo partido do ex-presidente. A votação fez dele o segundo deputado federal mais votado da história do país — atrás apenas de Nikolas Ferreira, que superou os 3,1 milhões em Minas Gerais. Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que decidiu viajar para os Estados Unidos e articular sanções contra autoridades brasileiras para pressionar o julgamento contra o pai no Supremo, teve 1,8 milhão em 2018, o recorde anterior.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Pavanato criticou Eduardo e a então deputada Carla Zambelli (PL-SP) por apoiarem Jair Bolsonaro ao invés da população paulista.
— Bolsonaro mudou esta lógica e está prejudicando os paulistas por causa dos seus interesses políticos, para que São Paulo não continue no ritmo de vacinação que vem tendo. E o pior de tudo: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli estão apoiando o presidente, invés de defender a população paulista! Pensando primeiramente nos seus interesses políticos, defendendo a atitude mesquinha de Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, vocês são uma vergonha para todos os paulistas!
Do MBL ao PL
O deputado eleito começou a fazer política pelas ruas, primeiro ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ganhou projeção durante as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff.
O influenciador digital com um repertório de vídeos constrangendo estudantes e outras pessoas na rua se aproximou do PL depois de terminar como suplente a deputado estadual, em 2022, pelo Novo, com 36.258 votos. Dois anos depois, o apelo ao bolsonarismo surtiu efeito: multiplicou a votação por mais de quatro e foi eleito vereador de São Paulo com 161.386 apoios nas urnas, o maior número registrado.
Na Câmara Municipal, colegas e adversários tinham a certeza de que Pavanato estava de passagem. Ele fazia parte de um grupo avaliado como “barulhento” e focado nas redes sociais, com um claro desejo de ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados dentro de dois anos. Nem todos tiveram o mesmo sucesso: Zoe Martínez (PL), Rubinho Nunes (União), Adrilles Jorge (União) e Janaína Paschoal (PP) ficaram pelo caminho.
Agora, no Legislativo federal, entre suas propostas estão proibir terapias hormonais como forma de transição de gênero para menores de 18 anos, impedir mulheres trans de usar banheiros femininos e barrar sua participação em determinadas competições esportivas. Também propôs acabar com cotas raciais, de gênero e exclusivas para travestis, substituindo-as por critérios socioeconômicos. São pautas que já tinha defendido, sem sucesso, em âmbito municipal, numa transferência pouco lógica.
— Quero que a maioridade penal seja, no mínimo, reduzida. O Nikolas vai ser um dos meus maiores aliados lá dentro. Nós vamos ter um grupo dentro da Câmara, que eu tenho certeza de que vai ser de parlamentares eleitos e bem votados. São os jovens, que entraram na direita por caminhos parecidos, leitores de Olavo de Carvalho e de outros autores conservadores. E nós juntos vamos trabalhar em Brasília pra que as nossas pautas avancem — disse Pavanato, em entrevista ao GLOBO, um dia antes do pleito.
Perfis de esquerda resgastam posts antigos de Pavanato com críticas a Jair Bolsonaro
