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outubro 2, 2026
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Escala 6×1: Aliados de Lula falam em gesto de Alcolumbre ao marcar votação e veem impacto nas urnas

Por · outubro 2, 2026
Entorno de Lula já trabalha com possibilidade de votação da PEC 6x1 ficar para depois da eleição


Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viram como um gesto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao petista, às vésperas do primeiro turno, a decisão de pautar a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1.
A medida é considerada um trunfo eleitoral de Lula e, diante de seu grande alcance e popularidade, pode ter impacto no resultado das eleições de domingo, de acordo com governistas.
Alcolumbre anunciou na noite desta sexta-feira que levará a PEC ao plenário de votações do Senado na próxima terça-feira. Integrantes da articulação política do governo dizem que já havia sinalização do parlamentar de que isso ocorresse após o primeiro turno. A medida foi celebrada por aliados do petista diante da avaliação de que o anúncio por si só já cria um fato político importante para Lula.
A disputa para a presidência apresenta um cenário acirrado, com Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista. Um ministro do governo diz acreditar que o anúncio de Alcolumbre possa gerar impacto nas urnas.
Apesar dessa sinalização, um governista diz que Alcolumbre já fez gestos antes ao governo que não se concretizaram. Ele afirma que o presidente do Senado é um político habilidoso e que poderá dar ritmo diferente à votação a depender do resultado que sair das urnas no domingo, dando maior poder de influência ao parlamentar.
Lula e Alcolumbre mantinham relação próxima, mas se afastaram e ficaram cerca de três meses sem conversar após o Senado impor derrota histórica ao petista ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Eles voltaram em agosto, com a proximidade das eleições.
Inicialmente, havia expectativa de que a PEC pudesse ser apreciada em setembro, na última semana de votações do Congresso antes do primeiro turno. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas não seguiu para o plenário por falta de acordo, frustrando o Palácio do Planalto.
De lá para cá, integrantes da articulação política de Lula mantiveram contato frequente tanto com Alcolumbre quanto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta se aproximou do Planalto no último ano e passou a ser considerado um ponto de governabilidade no Congresso, atuando para destravar pautas de interesse do governo no Legislativo.
Agora, segundo um integrante da coordenação da campanha de Lula, o presidente e aliados deverão explorar ao máximo até domingo a notícia de que a PEC será votada na próxima semana.
A defesa do fim da escala de trabalho 6×1 foi apresentada pelo governo e passou a ser incorporada nas falas do petista, que cobrava do Congresso a aprovação do tema. Aliados diziam que essa poderia ser uma das marcas do Lula 3, além de uma vitrine para ser explorada na campanha e viam na sua aprovação uma possibilidade de melhorar a aprovação do governo.
Nas palavras de um ministro de Lula, o anúncio por si só “vai fazer um estardalhaço” junto à opinião pública e tem potencial de ter efeitos nas urnas no domingo. Nesta sexta, após a decisão de Alcolumbre em pautar a discussão, o presidente foi às redes agradecer o parlamentar e reforçar que a PEC é uma “prioridade” de seu governo.
“Essa é uma prioridade do nosso governo e uma mudança que o Brasil precisa fazer. Trabalhadores e trabalhadoras não podem viver apenas para trabalhar. Precisam ter tempo para a família, para estudar, descansar e viver, com dois dias de descanso por semana e sem redução de salário. A Câmara já deu um passo importante. Estou convicto de que o Senado também saberá ouvir a sociedade e aprovar esse avanço histórico para milhões de trabalhadores brasileiros”, escreveu Lula em publicação nas redes sociais.
A decisão de Alcolumbre em levar o tema à pauta do plenário ocorreu horas após a Petrobras informar que fez uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas. A descoberta foi feita no bloco FZA-M-59, localizado no estado do Amapá, reduto eleitoral de Alcolumbre. O presidente do Senado foi um dos principais incentivadores para que a estatal brasileira conseguisse autorização para explorar o petróleo na região.

Escala 6×1: Aliados de Lula falam em gesto de Alcolumbre ao marcar votação e veem impacto nas urnas