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outubro 2, 2026
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Candidata a deputada federal é dona de clínica de estética investigada por três mortes

Por · outubro 2, 2026
Clínica de estética na Zona Sul do Rio é investigada pela Polícia Civil após mortes de três pacientes


Candidata a deputada federal pelo Republicanos, Celita Toledo é dona de unidades do Grupo de Saúde que leva seu nome. Entre elas, a de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, investigada após três mortes e denúncias de mais de 24 mulheres que relataram mutilações e deformações após cirurgias plásticas. Em sua primeira disputa eleitoral, ela começa a campanha com doações significativas do partido e R$ 20 mil de um cirurgião da clínica que teria, segundo a Polícia Civil, sido afastado pelo hospital após a perfuração do intestino de uma paciente que morreu logo após a cirurgia plástica na rede.
A doação de R$ 20 mil do médico José Adrian bermudez Bohorquez corresponde a 19,46% dos recursos recebidos até agora pela campanha, de acordo com a prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maior parte do dinheiro veio da direção nacional do Republicanos, que destinou cerca de R$ 62 mil à candidatura. Outros R$ 19 mil foram repassados pela direção estadual do partido no Rio.
Cirurgião afastado
Bohorquez é citado na apuração policial relacionada à morte de Jéssica Conceição da Cruz, de 34 anos, que realizou um combo de procedimentos na rede: remodelamento costal, lipoaspiração e abdominoplastia, por R$ 12,8 mil. Depois de receber alta, apresentou dor intensa e febre, foi reinternada e passou por sucessivas intervenções. Permaneceu cerca de dois meses internada e morreu no último dia 19. Segundo o depoimento do companheiro de Jéssica à polícia, o documento de óbito aponta peritonite fecal por complicação cirúrgica decorrente de perfuração intestinal.
Informações obtidas pelo GLOBO mostram que o cirurgião, que trabalha na Clínica Ênio Serra Ltda, do Grupo Celita Toledo Hospital, foi afastado cautelarmente das atividades no dia 21 deste mês. O documento afirma que a medida foi tomada após a cirurgia de Jéssica, que “apresentou perfurações de alças intestinais após procedimento de lipoaspiração”.
Diante do episódio, o termo reconhece a perfuração e diz que foram instauradas sindicâncias internas para apurar suas circunstâncias. O documento afirma que o afastamento tem caráter “administrativo, cautelar e preventivo”. O médico assina o documento.
Em nota, a defesa de Celita contou que “não cabe antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da conclusão das investigações”.
“Nosso posicionamento é de respeito às autoridades, às pessoas envolvidas e ao devido processo legal, permanecendo o compromisso com a verdade e com o completo esclarecimento dos fatos”, diz a nota.
Quanto ao médico José Adrian bermudez Bohorquez, a reportagem não conseguiu localizar seu contato.
Patrimônio milionário
Além de ser dona da rede investigada, Celita declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 21,2 milhões em bens, com a maior parte do patrimônio concentrada em participações societárias, de acordo com dados do TSE. A candidata declarou R$ 15,4 milhões em quotas da Clínica Neio Serra Ltda., além de R$ 2 milhões da Celita Toledo Estética Personalizada Ltda, R$ 1 milhão da CT Comércio de Cintas e Produtos de Estética Ltda., e R$ 2,79 milhões da Diacom Diagnóstico Radiológico Computadorizado.
Clínica investigada
Isabely Viana e Jéssica da Cruz morreram após cirurgias estéticas na clínica
Montagem sobre fotos de reprodução
Além de Jéssica, a Delegacia do Consumidor (Decon) investiga a morte de Isabely Viana, de 42 anos. Ela realizou uma abdominoplastia em 12 de junho, apresentou uma queda brusca dos sinais vitais e sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento. Isabely permaneceu cinco dias no CTI e morreu em 17 de junho. O terceiro óbito ainda será detalhado pela polícia e pelos familiares.
Além dos óbitos, 24 mulheres procuraram a especializada para denunciar complicações depois de cirurgias plásticas. Os relatos incluem mutilações, deformações, necrose, ferimentos que permaneceram abertos por meses e necessidade de novos procedimentos.
A rede que leva o nome da candidata reúne, na Rua Soares Cabral, unidades com funções diferentes. A Clínica Celita Toledo é utilizada para consultas e atendimentos ambulatoriais; o Laranjeiras Plastic Day Hospital, para cirurgias; e o Hospital Ênio Serra, para internações em CTI.
Em 4 de agosto, agentes encontraram medicamentos vencidos durante uma ação nas unidades. Quatro pessoas foram levadas para prestar esclarecimentos. Adriano da Silva Nascimento, proprietário do Plastic Day Hospital, foi preso e levado à sede da especializada. Ele pagou R$ 10 mil de fiança e responde em liberdade. Segundo a polícia, permaneceu em silêncio.
Entre as pacientes que procuraram a delegacia está Daiana Maurina Dias. Ela afirma ter economizado durante 17 anos para realizar uma cirurgia no abdômen. Pagou R$ 16 mil por procedimentos no abdômen, uma lipoescultura e uma intervenção nos glúteos. Segundo Daiana, depois da cirurgia, ela teve sangramento, fraqueza intensa e complicações que evoluíram para necrose. Ela afirma que passou por novos procedimentos e que continua convivendo com alterações no abdômen, dores e uma hérnia umbilical diagnosticada posteriormente.
A investigação também apura a possível atuação de médicos estrangeiros sem especialização em cirurgia plástica. Segundo a Decon, há suspeita de que profissionais de outros países estejam no Brasil para cursos de pós-graduação e atuem posteriormente em cirurgias de forma irregular. A informação ainda está sob investigação.
O próprio grupo afirma ter realizado mais de 8,3 mil procedimentos. Entre os serviços divulgados estão cirurgias com valores reduzidos, como a colocação de prótese de silicone por cerca de R$ 6 mil.
A polícia também investiga se o número de vítimas é maior. Segundo o delegado Wellington Vieira, titular da Decon, algumas mulheres estariam sendo coagidas a não prestar depoimento. Os inquéritos estão em fase de finalização. Até o momento, ninguém foi indiciado. A investigação apura se as mortes estão relacionadas aos procedimentos realizados na rede e a responsabilidade dos envolvidos nos casos.
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Candidata a deputada federal é dona de clínica de estética investigada por três mortes