O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, rebateu nesta quarta-feira as cobranças feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que se posicionasse sobre o fim da escala 6×1. Flávio afirmou ser favorável a que trabalhadores tenham mais tempo de folga, mas evitou declarar apoio à PEC que trata do tema e disse que a mudança “não vai adiantar” se vier acompanhada de desemprego ou endividamento.
A declaração foi dada após uma reunião com integrantes da federação formada por União Brasil e PP, que formalizou apoio à candidatura de Flávio no segundo turno. Na terça-feira, Lula havia usado a discussão da proposta no Senado para criticar o adversário, afirmando que Flávio era contrário à medida e cobrado uma posição do PL sobre a votação.
— Depois de quatro anos de governo, ele quer correr para apreciar uma matéria como essa. Está pensando em eleição. É óbvio que eu sou a favor de que o trabalhador tenha um tempo de folga, para almoçar com a sua família, ir à praia no final de semana, viajar. Só que nada disso vai adiantar se estiver todo mundo endividado ou desempregado. Tem que ter responsabilidade — afirmou Flávio.
Na terça-feira, Lula havia citado nominalmente Flávio e o PL ao defender o avanço da proposta. O presidente afirmou que a votação serviria como um “primeiro teste” para mostrar a posição do partido e disse que o adversário teria de decidir se orientaria sua bancada a favor da mudança.
Ao responder ao petista, Flávio relacionou a discussão sobre a jornada de trabalho à situação econômica dos trabalhadores e defendeu a redução da tributação sobre a folha de pagamento. Também acusou Lula de tentar acelerar a análise da proposta por interesse eleitoral.
— Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento, para o trabalhador ficar com seu dinheiro. Se estivesse pensando no trabalhador, não estava gastando desse jeito e jogando o juro oficial lá para a Lua, endividando o trabalhador. Lula deixou todo mundo endividado e chega com mais uma promessa de picanha dessa que não vai resolver a vida de ninguém — disse.
Flávio, porém, não respondeu se orientará a bancada do PL a votar a favor da PEC, ponto sobre o qual havia sido cobrado por Lula. O partido deve se reunir nesta quarta-feira para discutir a estratégia diante da votação.
A proposta começou a ser discutida no plenário do Senado na terça-feira e precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser submetida à votação em primeiro turno. A previsão é que essa etapa seja concluída na próxima semana. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para colocar a PEC em votação também na próxima semana, possivelmente na quinta-feira. Finalizada esta etapa, serão necessárias mais cinco sessões de discussões antes da análise em segundo turno.
O candidato do PL defendeu, na terça-feira, a proposta alternativa, apresentada pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). O texto estabelece a jornada flexível de trabalho, com remuneração por hora, seguindo negociação entre empregado e empregador.
Escala 6×1: Flávio rebate Lula e diz que mais folga ‘não adianta’ com trabalhador endividado ou desempregado
