Descobertas gigantes de petróleo e gás natural nas bacias de Campos e Santos devem ser cada vez mais raras, segundo Letícia Andrade, vice-presidente de Gestão de Ativos e Operações Comerciais da Equinor no Brasil. Durante o segundo painel do evento em celebração aos 25 anos da empresa no país, “Onde estamos e para onde vamos no cenário global e Brasil do mercado de O&G”, a executiva defendeu a necessidade de serem tomadas medidas de incentivo ao desenvolvimento de áreas menores.
— Se olharmos para a Bacia de Campos e Santos, a expectativa de grandes descobertas, de grandes volumes, não é muito alta. Precisamos, cada vez mais, de soluções criativas para declarar comercialidade e conseguir desenvolver as áreas menores. Existem benefícios para campos maduros. Há descobertas no Brasil, em áreas que foram devolvidas à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que seriam celebradas na Noruega. Estamos mal acostumados com descobertas gigantes — declarou Letícia.
Na mesma linha, Pietro Mendes, diretor da ANP, apontou alguns caminhos regulatórios que ainda precisam ser trilhados para garantir que os investimentos da indústria de óleo e gás não sejam transferidos a outros países. Ele avaliou que o Brasil fez um bom trabalho ao longo dos anos e, prova disso, é que reservas foram transformadas em produção efetivamente, o que demonstra que o país respeita os contratos, na contramão de outros mercados latino-americanos. Ainda assim, diz ele, há espaço para melhorias, para o país continuar competitivo na atração de investimento.
“Embora o Oriente Médio esteja passando por dificuldade no cenário geopolítico, os investimentos vão continuar existindo na região. E hoje ainda competimos também com a Venezuela e a Guiana. Temos um dever de casa a fazer. Precisamos chegar ao consenso na sociedade de que segurança energética é tão importante quanto a transição energética” – PIETRO MENDES, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
Pietro ressaltou que as reservas de óleo e gás brasileiras entram em declínio a partir de 2032, enquanto cresce a demanda por combustíveis no país. Por isso, é necessário avançar sobre novas fronteiras. Para isso, o Ministério de Meio Ambiente deve estar disposto a assinar manifestações conjuntas com o Ministério de Minas e Energia para disponibilizar áreas de novas fronteiras em leilões.
— Temos também que olhar para ativos já descobertos. Outro ponto a discutir são os blocos licitados em regime de partilha, com uma parcela elevada de repasse do lucro ao governo, que têm alto teor de CO2 e outras dificuldades exploratórias. A Noruega, por exemplo, negocia diretamente com os operadores para viabilizar a produção. Outro exemplo da Noruega é em relação aos tiebacks. O Brasil tem muito a evoluir na parte de medição fiscal e compartilhamento de infraestrutura para viabilizar tieback — afirmou o diretor da ANP.
DESAFIOS
Segundo Pietro Mendes, não há previsibilidade na liberação de licenças, o que compromete investimentos bilionários da indústria de óleo e gás, que modificam o panorama fiscal e da comunidade envolvida.
— Embora o Oriente Médio esteja passando por dificuldade no cenário geopolítico, os investimentos vão continuar existindo na região. E hoje ainda competimos também com a Venezuela e a Guiana. Temos um dever de casa a fazer. Precisamos chegar ao consenso na sociedade de que segurança energética é tão importante quanto a transição energética — defendeu o diretor da ANP.
Também presente no segundo painel, o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio e ex-diretor geral da ANP, David Zylbersztajn, defendeu o fortalecimento da agência reguladora como forma de garantir o desenvolvimento do mercado. De acordo com o especialista, a certeza de investimento passa pelas agências reguladoras.
“A agência reguladora é um órgão de Estado. Por isso, a autonomia é fundamental” – DAVID ZYLBERSZTAJN, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio
— A agência reguladora é um órgão de Estado. Por isso, a autonomia é fundamental — disse Zylbersztajn.
Para Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, é preciso ter uma visão de longo prazo sobre o que se pretende na área de energia. Segundo ela, o país precisa dar sinais de austeridade fiscal para reduzir a taxa de juros e estimular o investimento. Além disso, para o setor crescer, em sua opinião, é preciso desenvolver uma cadeia de valor, investir em pesquisa e desenvolvimento e em novos talentos, além de fortalecer a governança e a transparência da gestão dos recursos da atividade petrolífera.
“Devemos buscar diversidade de fontes, tecnologia e rotas, além de maior resiliência. Transição energética e segurança podem caminhar juntos” – CLARISSA LINS, sócia-fundadora da Catavento
— Devemos buscar diversidade de fontes, tecnologia e rotas, além de maior resiliência. Transição energética e segurança podem caminhar juntos — finalizou Clarissa.
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