Explosões foram registradas na noite desta segunda-feira (tarde em Brasília) em Riad, após o governo da Arábia Saudita emitir alertas à população em meio à onda de ataques Houthis contra o país. O grupo rebelde do Iêmen, aliado ao Irã como parte do “Eixo da Resistência”, voltou a disparar mísseis e drones contra o reino saudita ao longo do dia, e porta-vozes do movimento fizeram um alerta para que trabalhadores evitassem instalações ligadas ao setor de petróleo — sinalizando possíveis novos ataques.
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“A área está sob ameaça aérea hostil. Por favor, mantenham a calma e permaneçam em ambientes fechados ou em um local seguro, longe de janelas e portas”, dizia a mensagem.
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Mais cedo, a emissora estatal saudita Al Ekhbariya noticiou nesta segunda-feira que a coalizão militar apoiada pela Arábia Saudita no Iêmen estava respondendo a ameaças de drones e mísseis disparadas do território vizinho contra o país. Em um comunicado, a força conjunta detalhou que um míssil balístico foi interceptado quando seguia para a cidade de Khamis Mushait, no sul do país, onde funciona uma importante base militar. Um bombardeio ao aeroporto de Damman, no leste do país, já havia deixado um morto e 11 feridos na noite de domingo (madrugada de segunda no horário de Riad).
Os ataques lançados pelos Houthis se tornaram os mais letais contra a Arábia Saudita — potência regional e maior exportadora de petróleo do mundo, em mais de uma década — no sábado, após um míssil balístico atingir o Aeroporto Internacional Rei Khalid, o principal terminal aeroportuário do país. Imagens do circuito interno de segurança foram divulgadas nesta segunda, e mostram imagens dos terminais 3 e 4 cheios de passageiros no momento da detonação. Treze pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.
Sob novos ataques, a autoridade de aviação saudita anunciou nesta segunda-feira o fechamento do aeroporto da capital até a conclusão de uma “verificação da segurança das instalações”. Empresas que operam voos para o país suspenderam temporariamente as operações. A Etihad, companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, anunciou o cancelamento de todos os voos com chegada ou partida de Riad até 19 de outubro por “perturbações regionais”. A Gulf Air, companhia do Bahrein, cancelou todos os voos até sábado, 17.
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Autoridades sauditas prometeram nesta segunda-feira responder com rigor aos ataques houthis, em um claro sinal de perturbação pelos danos sofridos, mas também perda da sensação de segurança de um país que tem se esforçado para se colocar perante a comunidade internacional como um polo de inovação e financeira. Riad, cujo acesso está limitado pela suspensão de voos, concentra nesta época do ano um calendário cheio de eventos, entre eles a conferência Future Investment Initiative, principal vitrine para líderes estrangeiros e magnatas do mundo dos negócios. O Fórum Internacional de Energia está ocorrendo no país, apesar da instabilidade.
— Os acontecimentos das últimas semanas são graves. A nossa resposta deve ser igualmente grave — disse o ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, nesta segunda-feira, ao discursar no fórum. — A segurança energética não pode ser tomada como garantida. Para a Arábia Saudita, essas circunstâncias testaram nossa infraestrutura, nossas instituições, nosso povo e nossa resiliência.
Em um anúncio no domingo, porta-vozes militares houthis afirmaram que os aeroportos e o setor do petróleo saudita não eram zonas seguras, sendo “teatros de operação” para as ações do movimento — excluindo as cidades sagradas de Meca e Medina das áreas de guerra. Terminais da capital já haviam sido atacados na quarta e quinta, com seis mortos no total.
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Influência internacional
No sábado, o presidente americano, Donald Trump, classificou o ataque houthi como “inaceitável” e prometeu analisar rapidamente a possibilidade de Washington entrar no conflito — um pedido já feito anteriormente pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman, e rejeitado por Trump. A coalizão hostil aos Houthis classificou o ataque de sábado ao aeroporto de Riad como “crime de guerra” e prometeu “responder de maneira decidida”.
Do outro lado do Golfo Pérsico, o Irã se ofereceu nesta segunda-feira como um possível mediador para a crise envolvendo o reino saudita e seus aliados no Iêmen — que alguns afirmam tomar decisões no campo de batalha com auxílio de Teerã.
“Insistir em uma abordagem militar e ignorar uma solução política complicará ainda mais a situação atual”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em uma conversa com o seu homólogo saudita, Faisal bin Farhan, em uma conversa na noite de domingo, segundo comunicado emitido por porta-vozes do chanceler iraniano. O texto acrescenta que o Irã está “pronto para oferecer qualquer assistência para ajudar a iniciar um diálogo”.
O governo saudita confirmou a conversa entre os dois ministros, embora não tenha feito referência a qualquer oferta de mediação por parte do Irã.
A intensificação da guerra ameaça sobrecarregar ainda mais um setor de energia já desgastado, que enfrentou sucessivas ondas de perturbações, incluindo o conflito entre EUA, Israel e Irã, que fechou o Estreito de Ormuz. O mercado já vem se sustentado com uma série de medidas extraordinárias, tanto pelo governo quanto pelo setor privado. (Com AFP e NYT)
Explosões são registradas na Arábia Saudita após governo emitir alertas de segurança à população
