O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira que a pasta acompanha de perto os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Segundo Durigan, o preço do petróleo tende a subir, e que a política de preços da Petrobras pode ajudar a arrefecer a situação.
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Em entrevista nesta segunda à Rádio CBN, o secretário-executivo destacou que poderá haver uma possível “corrida para o dólar”, com os agentes do mercado em busca de uma moeda segura em meio ao conflito. O segundo fenômeno gerado pela guerra deve ser a subida do preço do petróleo, diz ele.
— O preço do petróleo tende a subir apesar de a gente já ter visto nos últimos dias, nas últimas semanas, alguma compra de petróleo que pode amortecer a subida nesta semana. Vamos acompanhar de perto, acho que algumas mitigações, como a política de preços da Petrobras, são bem-vindas neste momento — disse.
O petróleo chegou a subir 5,7% na abertura dos mercados na Ásia, mas perdeu força na manhã desta segunda-feira em meio às incertezas sobre qual será a resposta imediata do Irã aos bombardeios dos Estados Unidos. O tipo Brent, referência em todo mundo, chegou a subir para US$ 81,40 por barril, maior patamar em cinco meses, mas depois caiu para abaixo de US$ 77.
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Diante do ataque de Irrael e Estados Unidos, o Irã ameaça fechar o estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta.
O fechamento da via marítima foi aprovado no domingo pelo Parlamento iraniano, mas a medida ainda não entrou efetivamente em vigor pois precisa passar pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional. Após isso, o chefe de Estado do país, o aiatolá Khamenei, irá bater o martelo sobre o tema.
Na entrevista, Durigan também afirmou que o governo deve apresentar nesta semana, um “arcabouço novo”, que vai prever a revisão de benefícios fiscais. Segundo ele, a medida ainda vai ser acertada com a Casa Civil, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, além dos presidentes do Congresso e lideranças
— Melhor do nosso ponto de vista porque você não tem perda relativa, então você não pode dizer: ‘eu perdi, mas alguém não’. Todo mundo vai manter 90% do benefício que hoje tem, abrindo mão de 10%, mas o benefício segue alto — disse o secretário-executivo.
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Segundo ele, o custo de benefícios fiscais no Brasil era estimado em mais de R$ 500 bilhões pela Receita Federal, dado que está sendo revisto após pedido do governo para que as empresas declararem quais benefícios têm acesso.
— Tamanho do benefício fiscal no Brasil está saindo da ordem de R$ 550 bilhões por ano para ordem de R$ 750 bilhões/ano podendo chegar a R$ 800 bilhões.