A festa de 3 anos de Mavie, filha de Neymar Jr. e Bruna Biancardi, teve como tema “Show de Talentos da Mavie” e contou com cenários, atrações e uma programação voltada ao público infantil. A celebração acompanha uma tendência dos aniversários atuais, que cada vez mais incorporam elementos de grandes eventos. Mas como essa experiência é vivida por uma criança de apenas 3 anos?
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Especialistas explicam que o tamanho ou a estrutura de uma festa não determinam, por si só, como será a experiência infantil. Música, iluminação, brinquedos, personagens, convidados e atividades podem fazer parte da comemoração e, ao mesmo tempo, exigem atenção dos adultos à maneira como o aniversariante reage ao ambiente.
Para o pediatra Thiago Castro, que atua no acompanhamento da saúde, crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, um dos principais pontos é considerar o ritmo da própria criança, e não necessariamente a programação planejada pelos adultos.
“Uma festa pode proporcionar experiências muito positivas de brincadeira, convivência e afeto. É importante, porém, não esperar que uma criança pequena acompanhe uma programação durante horas. Cansaço, sono, irritabilidade, choro ou vontade de ficar no colo podem indicar que ela precisa de uma pausa. Mesmo em um momento de celebração, esses sinais precisam ser considerados”, explica.
A neuropediatra Roberta Machado ressalta que a relação com estímulos varia de uma criança para outra. Por isso, não há um número de atrações ou um tamanho de festa que possa ser considerado adequado para todas.
“Algumas crianças lidam muito bem com ambientes movimentados, enquanto outras podem precisar de mais pausas. Uma quantidade grande de estímulos pode aparecer como agitação, irritabilidade, choro, dificuldade para se acalmar ou vontade de se afastar. Mais importante do que contar quantas atrações existem é observar a resposta daquela criança e oferecer momentos de descanso ou espaços mais tranquilos quando ela demonstrar necessidade”, afirma.
Quando a festa é pensada mais para os adultos?
Uma comemoração que chama a atenção dos adultos nem sempre desperta o mesmo interesse em uma criança pequena. Aos 3 anos, brincar com outras crianças, correr, explorar o ambiente e estar perto de pessoas com quem tem vínculo afetivo fazem parte das experiências que podem tornar o aniversário significativo.
A pediatra Renata Castro, com atuação voltada à saúde, prevenção e desenvolvimento infantil, lembra que uma programação cheia de atividades não precisa determinar como a criança vai aproveitar a festa.
“Criança também precisa de liberdade para brincar sem uma atividade dirigida o tempo inteiro. Ela pode querer participar de uma atração e, minutos depois, perder o interesse. Pode preferir correr, brincar com outra coisa ou simplesmente descansar. Isso é compatível com a infância. A programação deve existir como uma possibilidade, e não como uma obrigação”, diz.
Também entra em cena a expectativa criada em torno do aniversariante. Em grandes produções, há momentos planejados para fotografias, vídeos, convidados e atrações. Para Roberta, a criança pode participar desse roteiro, mas também precisa ter espaço para fazer escolhas ao longo da comemoração.
“Uma criança de 3 anos não compreende o investimento financeiro ou toda a expectativa envolvida naquela produção. Se não quiser tirar uma fotografia, participar de determinada brincadeira ou permanecer em um espaço, esse limite precisa ser considerado. Permitir pequenas escolhas e respeitar o ‘não’ também faz parte do desenvolvimento da autonomia”, ressalta a neuropediatra.
E a exposição nas redes sociais?
No caso dos filhos de pessoas famosas, há ainda uma questão: momentos da infância podem ser compartilhados com um público amplo nas redes sociais. Registrar aniversários faz parte da rotina de muitas famílias, mas os especialistas ressaltam a importância de preservar também momentos em que a criança possa simplesmente brincar e participar da comemoração.
“Registrar momentos especiais faz parte da memória familiar. A atenção precisa existir quando a criança passa a ser constantemente direcionada a posar, sorrir ou interromper uma brincadeira para produzir aquele registro. Ela precisa continuar tendo espaço para viver o momento espontaneamente”, acrescenta Roberta.
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Uma festa pode ser grandiosa e, ainda assim, respeitar a dinâmica de uma criança de 3 anos. Nem tudo precisa seguir o roteiro previsto: uma atração pode dar lugar a uma brincadeira improvisada, a um encontro com os amigos ou simplesmente à curiosidade de explorar o espaço.
No fim, o que marca a experiência pode estar tanto na programação planejada quanto naquilo que acontece fora dela.
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