Um evento com som alto e música até a madrugada, ocorrido entre os dias 12 e 13 de julho, reacendeu as críticas de moradores do bairro do Ingá sobre o uso do Centro de Cidadania e Economia Criativa, o MACquinho. A festa, que teria se estendido até altas horas, violando a lei do silêncio, gerou nova onda de reclamações dos vizinhos do espaço, que desde o ano passado relatam perturbação.
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A prefeitura afirmou que o evento não ocorreu no interior do equipamento público. No entanto, um vídeo enviado por um morador mostra frequentadores entrando no prédio do MACquinho durante a festa, contrariando a versão oficial.
O espaço, localizado em uma área residencial, não tem estrutura acústica adequada, e o som ressoa nos diversos prédios residenciais no entorno do local. Apesar de ser realizado em local público, o evento é privado e foi divulgado nas redes sociais, com cobrança de entrada.
— O som é altíssimo, e somos obrigados a ouvir até de madrugada músicas com letras envolvendo conteúdo sexual explícito. Isso acontece desde o ano passado, e ninguém toma providência — relata um morador da região.
Morador registra festa privada no MACquinho, em Niterói
Ainda segundo a denúncia, o evento seria recorrente, sendo realizado pelo menos há dois anos, em ciclos quinzenais a cada temporada.
Em 2024, os moradores relatam que já havia denúncias de funk com volume elevado, palavrões e apresentações durante a madrugada no mesmo espaço. De acordo com os relatos de síndicos dos prédios afetados, a Polícia Militar foi procurada e afirmou que a fiscalização da poluição sonora é de competência do município.
Apesar de denúncias recorrentes, inclusive ao Ministério Público, que chegou a abrir um inquérito civil no ano passado, a situação parece ter se repetido este mês. A fonte afirma que uma nova denúncia será encaminhada ao MP ainda esta semana.
Procurada pela equipe de reportagem, a administração municipal afirmou, por meio de nota, que o evento não teria ligação com a gestão do município.
“O evento em questão ocorreu numa área em frente ao MACquinho e não possui qualquer vínculo com a instituição, com a Secretaria municipal das Culturas ou com a prefeitura de Niterói. Trata-se de uma iniciativa privada, realizada sem autorização ou anuência dos órgãos públicos responsáveis. Denúncias devem ser feitas pelo 153 ou 190”, respondeu a prefeitura, em nota.
A equipe de reportagem voltou a procurar a prefeitura e apresentou o vídeo que mostra a entrada de pessoas no interior do MACquinho (equipamento de gestão municipal) durante a festa, e a Secretaria das Culturas afirmou que vai determinar a apuração do ocorrido.