Pular para o conteúdo
outubro 7, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 4,9929
News

Finanças e IA: Heloísa Lima mostra como transformar dados em decisões

Por · outubro 7, 2026
Finanças e IA: Heloísa Lima mostra como transformar dados em decisões


Dashboards atualizados em tempo real, indicadores de desempenho, sistemas integrados, projeções e relatórios cada vez mais detalhados. A quantidade de informações disponíveis para as empresas nunca foi tão grande. Com a incorporação da inteligência artificial (IA) às rotinas corporativas, a capacidade de cruzar dados, identificar tendências e detectar variações também avançou. Para a finance controller Heloísa Lima, no entanto, mais informação não significa necessariamente mais clareza para quem precisa tomar decisões.
Segundo a especialista, a transformação provocada pela IA no setor financeiro vai além da automação de tarefas. O principal impacto tende a estar na mudança do papel desempenhado pelos profissionais da área dentro das organizações.
“Nunca tivemos tantos dados, tanta tecnologia e tanta capacidade de processamento. Mas isso não significa, necessariamente, que temos mais clareza. A questão agora é o que fazemos com toda essa informação”, afirma Heloísa.
Da explicação do passado à antecipação de cenários
Durante décadas, uma parcela relevante da rotina das áreas financeiras esteve concentrada na coleta, consolidação e conferência de informações. Fechar o mês, comparar realizado e orçamento, identificar variações, atualizar projeções e explicar resultados fazem parte de um ciclo conhecido pelos profissionais do setor.
A automação já vinha reduzindo o tempo dedicado a algumas dessas tarefas. Com a inteligência artificial, esse processo ganha velocidade: ferramentas podem identificar alterações de margem, localizar os principais fatores responsáveis por uma variação, comparar históricos e auxiliar na elaboração de cenários.
Para Heloísa, porém, a tecnologia não elimina uma etapa decisiva: interpretar o que os números representam para o negócio.
“Um sistema pode identificar que a margem caiu. A IA pode localizar rapidamente os principais drivers dessa variação e encontrar comportamentos fora do padrão. Mas ainda existe uma pergunta fundamental: ‘E agora?’. Informação não é a mesma coisa que insight”, diz.
Essa distinção se torna especialmente relevante diante da multiplicação de indicadores dentro das empresas. Um painel pode reunir dezenas de métricas sem necessariamente mostrar qual problema exige atenção imediata. Da mesma forma, uma projeção pode estar matematicamente correta e, ainda assim, partir de premissas que perderam validade diante de uma mudança de mercado.
IA muda também o perfil do profissional financeiro
Na avaliação de Heloísa, o avanço tecnológico não reduz a importância do conhecimento técnico. Contabilidade, planejamento, controles, sistemas e domínio dos números continuam fundamentais. Com mais dados circulando e processos automatizados, a confiabilidade das informações e o senso crítico tornam-se ainda mais relevantes.
O que muda é a combinação de competências exigidas.
Curiosidade, capacidade de formular boas perguntas, pensamento crítico, comunicação, visão de negócio e julgamento passam a dividir espaço com as habilidades tradicionalmente associadas às áreas financeiras.
“A IA pode encontrar uma resposta em segundos. Mas saber se estamos fazendo a pergunta certa continua sendo nossa responsabilidade”, afirma.
Nesse cenário, o profissional de Finanças tende a dedicar menos tempo à busca e à reconciliação manual de informações e mais à interpretação do negócio, à construção de cenários e à discussão de alternativas com outras áreas da companhia.
Menos indicadores, mais decisões
O avanço da inteligência artificial também pode provocar uma revisão da quantidade de informações produzidas pelas empresas. Durante anos, a evolução das estruturas financeiras esteve frequentemente associada à ampliação de relatórios, métricas e níveis de detalhamento. Para Heloísa, a próxima etapa pode seguir o caminho inverso: selecionar melhor o que realmente precisa chegar à mesa de decisão.
“Talvez seja necessário ter menos informação que não leva a nenhuma ação, menos tempo explicando o passado e menos páginas de que ninguém realmente precisa. O foco deve estar naquilo que pode mudar uma decisão”, avalia.
Nesse processo, a inteligência artificial pode funcionar como uma ferramenta para reduzir a distância entre o dado bruto e a interpretação, liberando profissionais para atividades que dependem de contexto, análise e julgamento.
Para Heloísa, é justamente aí que estará parte do valor das áreas financeiras nos próximos anos.
“O objetivo de Finanças não deveria ser simplesmente produzir números. É transformar números em entendimento, entendimento em escolhas e escolhas em melhores resultados para o negócio. O futuro não será definido apenas por quem tiver mais dados ou usar mais IA, mas pela capacidade de transformar tudo isso em decisões melhores”, explica.

Finanças e IA: Heloísa Lima mostra como transformar dados em decisões