O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, aproveitou encontro com prefeitos da região metropolitana de São Paulo, neste domingo (11), para alegar que não pretende acabar com programas sociais do governo federal caso seja eleito. Ele prometeu manter a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação e os repasses do Bolsa Família, mas não explicou de onde viriam os cortes no orçamento sugeridos por sua equipe econômica para controlar a dívida da União.
— Não vai ter fim de Bolsa Família, foi o Bolsonaro que triplicou o valor, como alguém acredita que acabaremos com isso? É mentira. “Ah, o Flávio vai acabar com o reajuste do salário mínimo”. Eu não vou acabar, eu vou manter, já cansei de falar trezentas mil vezes. Ninguém vai tocar em programas sociais, eu vou só melhorar os programas sociais — disse.
O reajuste do Bolsa Família para R$ 600 reais, ocorrido em 2022, é objeto de disputa entre as campanhas, com o PT apontando que não havia garantia de continuidade da política no ano seguinte, nem previsão orçamentária. Sobre o ajuste fiscal, Flávio declarou que os cortes de gastos ocorreriam por combate à corrupção e de “desperdícios”, sem detalhar de onde o dinheiro sairia, além da redução da taxa de juros, decisão que na prática cabe ao Banco Central, e não ao presidente.
Flávio passou boa parte do discurso reclamando de “mentiras” que estariam sendo propagadas pela campanha do adversário no segundo turno, o presidente Lula (PT). Lembrou, por exemplo, do canal “Exército de Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede). Mais cedo, ele foi objeto de decisão judicial do ministro Kássio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela desativação imediata por desinformação.
— É uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles estão inventando. A estratégia de campanha é a mentira. O PT chega ao governo e tenta se sustentar com a mentira. Eu espero de verdade que a justiça eleitoral continue, seja mais ágil, inclusive, porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa.
Ao mesmo tempo, o candidato do PL associo, sem provas, o petista ao crime organizado, dizendo que o atual presidente “protege esses merdas” e seria o “candidato dos bandidos”, e falou de um suposto plano de dominação “comunista”, em razão das sete eleições presidenciais disputadas por Lula desde 1989, nas quais a democracia permaneceu em vigor.
— Antes de ele colocar esse último tijolinho nesse projeto dele, a gente vai desmanchar esse projeto e livrar a nossa população de viver num país comunista — afirmou Flávio. — Vamos botar um ponto final nesse projeto nefasto de distribuição de miséria. Eu quero que o pobre fique rico, o Lula quer que o pobre fique miserável dependendo do governo.
Reunião de campanha
Antes de Flávio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), organizador do encontro, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fizeram um apelo aos prefeitos para conquistarem novos votos e fidelizarem o eleitorado do candidato do PL em seus municípios.
Lula venceu em 39 dos 645 municípios paulistas no primeiro turno, dos quais 14 integram a região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital. Ocorre que, ao mesmo tempo, 12 dessas cidades também deram a vitória a Tarcísio, que apoia o filho de Jair Bolsonaro. A região concentra sozinha mais de 16 milhões de eleitores, o equivalente a todo o estado de Minas Gerais.
Nunes prometeu enviar “relatórios” da votação nos municípios e apresentou dados de uma plataforma, destacando os eleitores que optaram por Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado no primeiro turno.
Tarcísio pediu 15 dias de empenho para mostrar os benefícios de um “alinhamento” entre os governos para destravar projetos locais, como linhas de metrô e hospitais, a partir do “acesso direto” do governador ao gabinete dos ministros.
— Imagina o eleitor do Renan, do Caiado e do Cury votando no Lula, não faz sentido. A gente tem que buscar esses eleitores, sensibilizar, mostrar que tem um projeto diferente desse que está aí, onde o carrinho do supermercado está ficando mais vazio, as empresas estão ficando endividadas e o comerciante está sofrendo.
Tarcísio pediu ajuda para distribuição de material e convocação de “adesivaços” locais, que destaquem o número de urna de Flávio. Ele alega que 231 mil pessoas erraram a legenda, apertando o número do Republicanos e, assim, anulando o voto para presidente. O governador anunciou ainda um “bloco na Paulista” no próximo dia 18 que teria a presença de Flávio e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Flávio afirma que 'ninguém vai tocar' em programas sociais como o Bolsa Família, mas não explica ajuste
