Os irmãos equatorianos José Luis e José Armando Cevallos Herrera, conhecidos como os gêmeos siameses do Equador, morreram aos 27 anos nesta quinta-feira (15), em um hospital de Cali, na Colômbia. Eles estavam no país desde abril, onde realizavam terapias com a esperança de conseguir caminhar. Nascidos em Milagro, na província de Guayas, os dois ficaram conhecidos internacionalmente por sua história de vida e por defenderem a inclusão de pessoas com deficiência.
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A piora no estado de saúde dos irmãos começou um dia antes, na quarta-feira. Segundo o portal Vistazo, José Luis começou a se sentir mal, com episódios de vômitos. Inicialmente, a família suspeitou de uma infecção viral, mas, diante do agravamento dos sintomas, foram levados a um hospital de Cali.
Já no hospital, José Armando relatou fortes dores na perna e no abdômen. A equipe médica administrou medicamentos para aliviar o desconforto, mas José Luis sofreu uma parada cardíaca e precisou ser reanimado. Cerca de duas horas depois, José Armando sofreu um infarto e, em seguida, o coração do irmão também parou novamente.
José Luis e José Armando nasceram em setembro de 1999, no Equador. Unidos pela região da pelve e do abdômen, compartilhavam estruturas como o fígado e o intestino, além de um único par de pernas. Cada um, no entanto, tinha o próprio coração. A possibilidade de separação cirúrgica chegou a ser avaliada quando eram crianças, mas os riscos elevados da intervenção fez com que eles e a família desistissem.
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Em entrevistas recentes, os irmãos relataram que receberam dos médicos uma expectativa de vida limitada. Sem conseguirem ficar de pé, desde pequenos os irmãos se locomoviam utilizando um equipamento semelhante a um skate. Em abril deste ano, viajaram para Cali com a expectativa de realizar terapias a fim de realizar o sonho de caminhar. Uma cirurgia estava prevista, conforme relato de um parente ao portal de notícias equatoriano Milagreño.
Um mês antes da morte, os irmãos haviam concedido uma entrevista ao programa espanhol “Y Ahora Sonsoles”, na qual falaram sobre a trajetória que compartilharam desde o nascimento. Na ocasião, resumiram a ligação entre os dois com a frase: “Nascemos juntos, morremos juntos”.
Ao longo da vida, tiveram oportunidades de contar sua história em programas de televisão. Essas participações ajudaram a tornar os dois conhecidos também fora do Equador. Com uma condição tão particular, sempre com bom-humor, eles compartilhavam um pouco do cotidiano por meio de vídeos nas redes sociais, onde reuniam centenas de seguidores.
Em vídeos curtos eles mostravam como estudavam, se locomoviam e realizavam atividades diárias. A presença digital permitiu que abordassem temas como autonomia, aceitação e direitos das pessoas com deficiência.
A vontade de contribuir para a inclusão foi além, chegando aos estudos. José Luis e José Armando conseguiram vagas para estudar Serviço Social na Universidade Estatal de Milagro, em 2021. A escolha da carreira teve relação ao interesse em defender os direitos das pessoas com deficiência e desenvolver iniciativas de apoio.
Em entrevista ao jornal El Universo, concedida anos atrás, José Armando explicou o objetivo dos dois:
“A inclusão é o que nós também queremos estudar; preparar-nos para, da mesma forma, criar um tipo de fundação para que sejam oferecidas as ajudas necessárias”.
Os irmãos chegaram a falar sobre a vontade de continuar os estudos depois da graduação, expandindo-os para outra área, como Turismo.
A trajetória dos dois também foi marcada por problemas de saúde. Em 2019, quando tinham 19 anos, eles foram hospitalizados em Guayaquil por complicações relacionadas a uma úlcera que não cicatrizava.
Gêmeos siameses equatorianos morrem aos 27 anos na Colômbia
