Para Ann-Katrin Berger, nenhum desafio é grande demais. Heroína da classificação da Alemanha à semifinal da Euro — além das defesas difíceis durante o jogo, bloqueou duas penalidades e converteu uma na disputa de pênaltis —, a goleira é a principal linha de defesa da seleção comandada por Christian Wück em busca de uma vaga na grande final. Para chegar até lá, a equipe precisa superar a atual campeã mundial, Espanha, às 16h, no Estádio Letzigrund, em Zurique.
Há pouco menos de um ano, em agosto de 2024, as equipes se encontraram na disputa pelo terceiro lugar dos Jogos Olímpicos de Paris. Em um jogo tenso, a Alemanha vencia por 1 a 0 até os 51 minutos do segundo tempo, quando Lucia García foi derrubada dentro da área e a juíza assinalou pênalti. Alexia Putellas, ganhadora de duas Bolas de Ouro, foi para a cobrança. E parou direto nas mãos de Berger, que garantiu a medalha de bronze em um momento fundamental para uma equipe em reconstrução.
Enquanto a Espanha conquistava seu primeiro título da Copa do Mundo em 2023, a Alemanha, bicampeã e tradicional no futebol feminino, teve sua pior campanha e deixou o torneio na fase de grupos. Foi um choque para a equipe que havia ficado com o vice-campeonato da Euro, no ano anterior, mas o baque foi o suficiente para uma reestruturação da seleção, e os resultados apareceram.
Convocada desde 2020 para a seleção da Alemanha, AKB, como é conhecida pelos fãs, passou a ocupar a vaga de titular a partir de 2023. Fora de campo, ela passava por uma dura batalha: teve câncer de tireoide duas vezes, em 2017 e em 2022, e precisou se afastar dos gramados por meses, em cada ocasião, até conseguir se recuperar totalmente. Nos dois momentos, conseguiu retornar de maneira triunfante, subindo novos degraus na carreira profissional.
Formada na base do modesto Sindelfingen, da Alemanha, estreou como profissional no Turbine Potsdam, tradicional no futebol feminino. De lá, passou dois anos no PSG e outras três temporadas no Birmingham, da Inglaterra, até chegar ao Chelsea em 2018 e alçar voos mais altos. Foram 10 títulos em quatro anos, incluindo o tetracampeonato da Women’s Super League, a primeira divisão inglesa, e uma premiação individual da Luva de Ouro pela temporada 2020/21.
Naquela temporada, o Chelsea foi derrotado na final da Champion’s League pelo Barcelona por 4 a 0, com boa parte do elenco que Berger encontrará nesta quarta. Putellas e Bonmatí balançaram as redes de Berger, e Patri Guijarro e Mariona Caldentey também estiveram em campo para frustrar o time inglês — nas quartas contra a Suíça, as quatro foram titulares. Pelo desempenho no time inglês, a alemã foi eleita a terceira melhor goleira do mundo pela Fifa em 2021 e 2022.
Em 2024, Ann-Katrin deixou a Europa para se arriscar na National Women’s Super League, dos EUA. Ela foi contratada pelo NJ/NY Gotham e não decepcionou: foi eleita a melhor goleira do campeonato e terminou com o terceiro lugar na tabela. No meio do ano, viajou com a Alemanha para os Jogos de Parise, antes da disputa do bronze, já tinha feito história ao defender dois pênaltis e converter sua cobrança nas quartas de final, contra o Canadá. Como se não bastasse, repetiu o feito diante da França, na última semana.
Nesta quarta, ela deve travar um duelo à parte com Esther González, atacante espanhola que já marcou quatro vezes na Euro, a artilheira do campeonato. E Berger conhece bem a adversária, sua companheira de Gotham — neste ano, ela já marcou 10 vezes em 13 partidas da NWSL. De um lado, a alemã quer chegar à sua primeira final como titular, já que estava no banco em 2022, e, do outro, a Espanha busca sua primeira final continental.