Acostumado a frequentar torneios de tênis, o fotógrafo Ray Giubilo caminhava para mais um dia normal de trabalho no US Open — último Grand Slam da temporada —, em Nova York, EUA. Entre uma série de “cliques” e horas sentado próximo às quadras, o italiano de 69 anos capturou uma imagem da compatriota Jasmine Paolini, número 8 do mundo, que achou “engraçada” em um primeiro momento. Mal sabia que o registro estaria prestes a viralizar como concorrente à “foto do ano”.
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— Quando tirei a foto, não percebi na hora que os olhos estavam alinhados com os círculos do logotipo e o nariz e a boca estavam no triângulo abaixo. Depois, quando olhei no computador, percebi que era uma foto muito interessante e que me lembrava uma máscara de Halloween. Então, decidi publicar no Instagram — destaca Ray Giubilo, em entrevista ao GLOBO.
Depois de mais uma sessão noturna no complexo de Flushing Meadows, o fotógrafo percebeu algo diferente em seu celular quando estava voltando ao hotel para, enfim, descansar e se preparar para mais um dia intenso de Grand Slam.
Em poucas horas após Paolini vencer seu jogo de estreia, no domingo (24), diante da australiana Destanee Aiava (166ª), a publicação já havia alcançado cerca de 180 mil pessoas. Se naquele momento o número já impressionava, agora já são quase dois milhões de visualizações.
— Acho que atraiu tantas pessoas porque é única e quase impossível de replicar. Eu tentei repetir no dia seguinte e não consegui. Poderia tentar milhões de vezes e nunca conseguiria fazer outra igual a essa — diz.
Giubilo lembra que Paolini fez um movimento de forehand — termo usado para o golpe de direita no tênis — um tanto quanto estranho, o que dimensiona o grau de ineditismo da foto.
— Eu não planejei, simplesmente aconteceu. Eu estava no lugar certo, na hora certa. Uma daquelas coisas que não dá para explicar — comenta.
Ciente do tamanho da repercussão de sua foto, a tenista aproveitou a vitória na segunda rodada, na quarta-feira (27), para elogiar e agradecer ao fotógrafo, o que rendeu um cumprimento entre os principais personagens envolvidos na imagem e por trás dela.
— Talvez a foto do ano (risos). É uma (foto) de Halloween. Vocês (público) têm que ver. Eu vou postar mais tarde — falou Paolini, após o jogo.
Antes de virar fotógrafo profissional, Giubilo chegou a trabalhar como agente de uma empresa de roupas de tênis na Austrália. Mas agora vive realmente o que sempre sonhou: registrar momentos e emoções que a bola amarela é capaz de proporcionar com os melhores jogadores do mundo. E, quando o talento e o foco dentro e fora de quadra se encontram em uma imagem, pode até ter um dia de Halloween fora de época.