O deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, disse que o grupo voltou a funcionar normalmente, após ter sido contestado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois de participar de ato de campanha do atual presidente, em Juiz de Fora (MG), nesta sexta-feira, o parlamentar afirmou que “ensinou” ao campo progressista a lidar com o algoritmo das redes sociais. Ele acredita que o petista será reeleito em função da melhora do desempenho digital.
— O canal voltou a funcionar, agora em caráter definitivo, e vamos chegar a 5 milhões de inscritos ainda hoje (sexta-feira). A gente entende que tem sido um vetor fundamental da mobilização digital nesse segundo turno — disse Janones. — A eleição tomou um caminho que praticamente não tem volta. O presidente Lula está praticamente reeleito. Tem que acontecer algo totalmente fora da curva para que isso mude. Eu falo isso com toda a humildade de alguém que quase foi cancelado quando falou que o Flávio terminaria o primeiro turno na frente.
O canal exibe mensagens de incentivo à militância, áudios, vídeos e tutoriais sobre como ampliar o alcance de postagens a favor da campanha de reeleição do petista. No final de semana, no entanto, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do grupo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou comportamento inautêntico dos integrantes do canal, difusão de boatos e “missões” de compartilhamento em massa.
A decisão, no entanto, foi derrubada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator escolhido para a ação na Corte, na segunda-feira. No dia seguinte, Nunes Marques também autorizou o funcionamento da ferramenta, desde que a campanha de Lula registrasse, em até 48 horas, o grupo como um endereço oficial de comunicação.
Em paralelo, aliados do senador Flávio Bolsonaro, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), organizaram o canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, também usado para a divulgação de conteúdos de campanha. Em função da controvérsia judicial envolvendo o grupo a favor de Lula, o PL decidiu registrar nesta semana a ferramenta como meio oficial de comunicação. A iniciativa, no entanto, é criticada por Janones, que afirma que a mobilização da direita não superou o engajamento obtido pela esquerda nos últimos dias.
— O que eles (apoiadores de Flávio fizeram) não resolve mais. Eles estão tocando a campanha do ódio, do desespero e da mentira. Nós ensinamos ao campo progressista a usar as redes sociais, apreendemos a lógica das redes sociais e virou um massacre. Vou te dar um dado que obtivemos com o monitoramento feito pela nossa área técnica. Antes, numa escala de 0 a 100, era 89 a 11 para eles em média. No ontem, foi 73 a 17 para nós. Não é possível ganhar uma eleição sem redes sociais — disse Janones.
Como mostrou o GLOBO, o fim da escala 6×1 mobilizou uma atuação inédita da esquerda, que conseguiu capitalizar o tema nas redes sociais, espaço em que tradicionalmente é superada pela direita bolsonarista.
Dados obtidos pelo Instituto Democracia em Xeque mostram que o episódio registrou a maior mobilização digital nas primeiras 24 horas entre os principais acontecimentos políticos de grande repercussão que aconteceram desde meados do ano passado. A aprovação gerou cerca de 1,9 milhão de publicações contabilizadas pelo Instituto, superando temas como a proibição das bets (1,3 milhão), a recente crise entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o caso Dark Horse (911 mil). Do total de posts sobre o tema, perfis governistas concentraram 72% das publicações sobre o assunto e 62% das interações.
Janones diz que ‘Exército do Lula’ voltou a funcionar e que direita perdeu espaço nas redes sociais: ‘O que eles fizerem não adianta mais’
