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juros e alta de insumos limitam expansão do agronegócio

BRCOM by BRCOM
setembro 28, 2025
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O que esperar do agro na nova safra — Foto: Editoria de arte

O agronegócio impulsionou o crescimento econômico neste ano, com mais uma supersafra, mas as margens de retorno mais apertadas têm deixado um gosto amargo para os produtores rurais nestes primeiros dias do plantio da soja, que começou em meados do mês e inaugura a temporada agrícola de 2026.

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Com previsões meteorológicas favoráveis, a primeira estimativa da Conab, estatal do Ministério da Agricultura, aponta alta de 1% na produção de grãos na safra 2025/2026, com novo recorde. Por outro lado, o quadro de cotações em queda e insumos e juros em alta (mesmo com os subsídios do governo), que comprime as margens desde a safra 2023/2024 e levou a desequilíbrios financeiros no setor nos últimos anos, pode se agravar agora.

— Estamos preocupados se vamos conseguir pagar as contas e se vai sobrar alguma coisa, se vamos ter rentabilidade — diz Marion Kompier, sócia do Grupo Kompier, que comanda a Fazenda Brasilanda, com 6,6 mil hectares de soja nos municípios de Montividiu e Aporé, no sudoeste de Goiás.

O que esperar do agro na nova safra — Foto: Editoria de arte

O Rabobank, banco holandês especializado em crédito agrícola, prevê queda na margem operacional média do produtor de soja no Brasil para 24% em 2026, ante 38% neste ano. Em parte, por causa dos aumentos de 20% no custo de fertilizantes (para melhorar a nutrição do solo e das plantas) e de 14% nos gastos com defensivos agrícolas (para prevenir pragas). Algo semelhante ocorre na produção de milho.

Um mapeamento da consultoria Datagro apontou queda na lucratividade bruta de três de cinco regiões de produção de soja pesquisadas. Em quatro anos, as margens de lucro dos produtores de soja caíram à metade, estima outro estudo, da Serasa Experian.

— Meses atrás, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) tinha cálculos que, considerando só a cultura da soja, o produtor que pagava arrendamento (que planta em terras de terceiros e paga aluguel por isso) tinha um prejuízo médio de R$ 600 por hectare — conta Lucas Costa Beber, que tem fazendas na região de Nova Mutum (MT) e é presidente da Aprosoja-MT, associação dos sojicultores.

Cotações em baixa e custos em alta preocupam — Foto: Editoria de arte
Cotações em baixa e custos em alta preocupam — Foto: Editoria de arte

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  • ‘Nada de investimento’
  • Tarifaço embaralha exportação de café
      • juros e alta de insumos limitam expansão do agronegócio

‘Nada de investimento’

Dificilmente as margens melhorarão pelo lado dos preços internacionais, porque há poucos sinais de mudança nos próximos 18 meses, diz Lucilio Alves, professor da Esalq, a escola agrícola da USP. Isso porque os níveis de estoques globais de commodities agrícolas estão relativamente bons diante da demanda, com a economia global vivendo as incertezas da guerra comercial de Donald Trump nos EUA.

— Isso (queda de preço) é bom para o lado do consumidor, para o contexto de inflação, mas, do ponto de vista dos produtores, acaba sendo preocupação — afirma Alves.

No mesmo relatório, divulgado neste mês, em que projeta a queda nas margens para a safra 2025/2026, o Rabobank estima que o quadro só melhorará em 2027. Segundo o analista Bruno Fonseca, autor do trabalho, é hora de o produtor fazer “o básico”: cuidar dos custos, tentar gerar caixa com vendas de propriedades, tentar alongar a dívida, se desfazer de bens das fazendas.

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— Os produtores fazendo isso, até a metade de 2027 devemos ter uma solução, na média, para todo mundo. Não projetamos que o preço (dos grãos) vai subir. Esse período até 2027 é o tempo necessário para o produtor colocar a casa em ordem — afirma Fonseca.

Diante da situação adversa, Marion, do Grupo Kompier, aposta nas práticas de agricultura regenerativa, com insumos biológicos, para economizar com fertilizantes e defensivos. E segue os ensinamentos de seu pai, Wilhelmus, fundador da empresa familiar.

— A regra que meu pai passou para nós é reduzir os custos em todos os setores e nada de investimento — diz Marion, completando que o grupo adiou aportes. — Hoje, precisamos investir em irrigação, só que esse projeto está parado, esperando sobrar um lucro para fazer esse investimento.

Marion e o pai, Wilhelmus Kompier, cortam custos na fazenda em GO — Foto: Arquivo pessoal
Marion e o pai, Wilhelmus Kompier, cortam custos na fazenda em GO — Foto: Arquivo pessoal

Colocar a casa em ordem é importante por causa de outro componente dos custos: o pagamento de dívidas. Esse item encareceu com o aumento recente dos juros. Os efeitos são ainda mais negativos porque os produtores rurais estão muito endividados, diz o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale.

Para entender isso, é preciso voltar algumas safras atrás. Na retomada pós-pandemia, as cotações globais de grãos saltaram, o dólar se valorizou — quanto maior a taxa de câmbio, mais os fazendeiros ganham em reais — e os juros estavam nas mínimas. Isso encheu os bolsos dos produtores, mas, desde 2023, a agropecuária passa por um “período de ajuste”. Houve queda nas cotações e aumento dos custos — piorado pela guerra na Ucrânia, importante fornecedora global de fertilizantes. A quebra na safra 2023/2024, por causa da seca, piorou as coisas.

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— A grande questão é o custo financeiro. As empresas se endividaram lá atrás, aí, na hora em que teve o ajuste, os juros continuam muito elevados e estamos vendo um período longo dessa pressão financeira — diz Vale.

Para Alves, da Esalq/USP, o quadro serve de alerta, para os produtores, sobre a importância da gestão financeira da atividade, inclusive nos períodos de bonança:

— O setor agrícola é feito de ciclos, a receita do produtor é cíclica. Os produtores precisam entender que, lá atrás, aquilo era fora do padrão comum e que, em algum momento, o mercado se ajustaria.

Os desequilíbrios financeiros levaram a aumentos na inadimplência dos produtores rurais e no número de pedidos de recuperação judicial no setor, mostram dados da Serasa Experian.

No primeiro trimestre, 7,9% de um total de quase 10 milhões de produtores pessoas físicas acompanhados pela consultoria de dados tinham dívidas com mais de 180 dias de atraso. Nos três primeiros meses de 2024, eram 7%. Já as recuperações judiciais, tanto de pessoas físicas quanto de empresas agrícolas, somaram 389 requisições no primeiro trimestre, alta de 21,5% ante os três últimos meses de 2024. Ano passado, foram 975 pedidos de recuperação, mais que o triplo do registrado em 2023.

Como mostrou O GLOBO este mês, a inadimplência no crédito rural tem marcado os balanços financeiros dos últimos trimestres dos bancos federais, como Banco do Brasil (principal operador do Plano Safra), Caixa, Banco do Nordeste (BNB) e do Banco da Amazônia (Basa).

Coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Renato Conchon chama a atenção para os efeitos desses desequilíbrios nas economias regionais. Margens apertadas afetam o bolso de produtores e também a economia das cidades, ele diz:

— Aqueles municípios que têm alta dependência do agro, sofrem um pouco porque a economia regional não roda — diz Conchon.

  • Clima imprevisível: Agricultura brasileira entra em alerta com geadas e temperaturas altas

Relatório deste mês do Bradesco destaca os riscos de La Niña, o esfriamento das águas do Oceano Pacífico que afeta o clima. Segundo Celso Oliveira, meteorologista sênior da consultoria TempoOK, as previsões apontam para um La Niña fraco e curto, mas pode haver seca no Sul do país entre dezembro e janeiro. Mesmo assim, as condições são melhores que um ano atrás, quando havia estiagem, ele diz:

— As condições são favoráveis para o Sudeste, o Centro-Oeste e o Matopiba (região das divisas entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Tarifaço embaralha exportação de café

No caso do café, o quadro, que já era de crise, foi agravado pelo tarifaço do presidente americano, Donald Trump. A sobretaxa sobre exportações brasileiras para os EUA travou o comércio entre o Brasil, principal produtor e fornecedor global, e o país que é o maior consumidor da bebida.

O mercado global virou de cabeça para baixo, com movimentos inusitados, como o salto de quase sete vezes (578%), nas exportações do Brasil para a Colômbia em um ano até agosto, segundo dados da balança comercial compilados pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Essa disparada nas vendas para a Colômbia, que também é um importante produtor, é tão impressionante quanto estranha. Os dois vizinhos concorrem nas vendas de café. Por isso, os produtores brasileiros praticamente não vendem para o mercado colombiano — a pequena base de comparação de agosto de 2024 ajuda a explicar tamanha alta. Também houve um salto de 90% nas vendas do Brasil para o México. Ao mesmo tempo, as exportações do Brasil para os EUA tombaram 46,5% em agosto, quando a sobretaxa de 40% acrescida aos 10% de “tarifa recíproca” (somando 50%) entrou em vigor.

  • O sabor amargo do tarifaço de Trump contra o Brasil: cotação do café dispara 50% em menos de 2 meses

Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, os movimentos inusitados se devem a “realocações” no mercado global. Para suprir a demanda americana sem o café brasileiro, México e Colômbia compraram café do Brasil para blends que abastecem seus mercados internos, e destinaram o máximo possível de suas produções para os EUA.

— E, com a valorização no mercado global, porque não há café disponível para atender os EUA, valorizou muito o café deles. Eles aproveitaram essa onda de preços e tentaram realocar o máximo possível para o mercado americano, enquanto o Brasil supriu com um café com preço mais baixo — explica Matos.

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