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outubro 17, 2026
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Justiça do México condena três homens a 158 anos de prisão por assassinato de surfistas estrangeiros

Por · outubro 17, 2026
Justiça do México condena três homens a 158 anos de prisão por assassinato de surfistas estrangeiros


Um tribunal do México condenou nesta sexta-feira três homens a 158 anos e nove meses de prisão cada um pelo assassinato de dois irmãos australianos e de um amigo americano, crime que provocou indignação internacional em 2024. Os surfistas Jake e Callum Robinson, de 30 e 33 anos, respectivamente, e Jack Carter Rhoad, de 30, foram mortos a tiros em Ensenada, destino conhecido pelas ondas do Pacífico mexicano.
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O juiz Raúl Hernández anunciou a sentença durante uma audiência acompanhada por um jornalista da AFP. Os três condenados, identificados como Jesús Gerardo, conhecido como “El Kekas”, Irineo Francisco e Ángel Jesús, todos mexicanos, agiram com premeditação, traição e vantagem, segundo a decisão. A divulgação de seus nomes completos está proibida até a publicação da sentença, prevista para daqui a uma semana.
Na montagem das fotos, os irmãos Jake e Callum Robinson e a caminhonete achada pela polícia
Reprodução de vídeo
Os corpos das vítimas foram encontrados em um penhasco, com ferimentos de bala na cabeça. O Ministério Público havia pedido penas que, somadas, chegariam a 210 anos de prisão para cada réu, embora o limite máximo previsto na legislação da Baixa Califórnia, estado onde fica Ensenada, seja de 60 anos.
— Nunca poderá haver justiça pela perda de um filho, mas estamos agradecidos por esses homens não voltarem a fazer mal a ninguém — disse Page, mãe de Rhoad, após o anúncio da decisão.
Ela acompanhou a audiência por videochamada, assim como Natalie Wiertz, nora de Page, e Martin e Debra Robinson, pais dos irmãos australianos. O juiz também ouviu os familiares e permitiu que acusação e defesa apresentassem argumentos antes de definir as penas.
Famílias cobram devolução dos pertences
Os pais dos irmãos Robinson participaram da audiência da Austrália, para onde voltaram depois de acompanhar o processo até a condenação. Durante a sessão, os familiares detalharam o valor dos objetos roubados das vítimas, entre eles equipamentos de surfe, dispositivos eletrônicos e a caminhonete Chevrolet Colorado dos irmãos.
Martin Robinson pediu a devolução dos pertences recuperados durante a investigação. Wiertz, por sua vez, falou sobre o vazio deixado em casa pela ausência dos objetos de Carter.
O Ministério Público solicitou uma indenização de 1,9 milhão de pesos, equivalente a mais de US$ 100 mil, pelos danos materiais. O juiz, no entanto, negou o pedido por considerar que a acusação não comprovou nem quantificou adequadamente o valor dos bens roubados. Para buscar ressarcimento, as famílias terão de recorrer à Justiça civil.
— Embora nenhum veredicto possa jamais nos devolver nossos filhos nem aliviar a dor de tê-los perdido, esperamos que esse resultado represente um passo importante rumo à justiça — declarou Martin Robinson na semana passada, após a condenação.
Vítimas imploraram por suas vidas
Nas alegações finais, também apresentadas na semana passada, o Ministério Público afirmou que os três homens surpreenderam as vítimas enquanto elas estavam indefesas no acampamento onde se encontravam.
A acusação citou o depoimento da namorada de “El Kekas”, segundo a qual Rhoad implorou por sua vida e pediu misericórdia, dizendo que era casado. Ainda de acordo com o relato, o criminoso teria reagido com a frase “Como eles choravam bonito” e se gabado dos objetos roubados.
A namorada de “El Kekas” foi condenada a 20 anos de prisão por instigar o roubo, após se declarar culpada em um processo separado, realizado em novembro.
Na definição das penas, Hernández estabeleceu 45 anos de prisão por cada homicídio, totalizando 135 anos pelas três mortes. Foram acrescentados dez anos e nove meses pelo crime de roubo e outros 13 anos pelo roubo do veículo, chegando a 158 anos e nove meses para cada condenado.
O assassinato dos três estrangeiros teve repercussão internacional e reacendeu preocupações com a segurança de turistas em regiões costeiras do México. Em 2015, dois surfistas australianos também foram assassinados durante uma viagem pelo estado de Sinaloa. Seus corpos foram queimados.
Callum Robinson havia se mudado para os Estados Unidos ainda na época da universidade, onde jogava lacrosse. Seu irmão Jake era médico e praticava surfe, basquete e natação. Rhoad havia jogado futebol profissional na Guatemala e era proprietário de uma empresa de roupas em San Diego, nos Estados Unidos.

Justiça do México condena três homens a 158 anos de prisão por assassinato de surfistas estrangeiros